Universo HQ Três livros de Milo Manara - De R$ 112,80 Por R$ 39,90 - Em 7X sem juros Universo HQ no Twitter






















10 Pãezinhos: Fanzine é o novo álbum da Devir

Por Marcelo Naranjo (18/10/07)

10 Pãezinhos: FanzineFábio Moon e Gabriel Ba são gêmeos, trabalham juntos e são apaixonados por Histórias em Quadrinhos.

Suas histórias já foram publicadas em inglês, espanhol e italiano. Mas, antes de tudo isso acontecer, eles criaram o fanzine 10 Pãezinhos.

10 Pãezinhos: Fanzine (formato 16,5 x 24 cm, 216 páginas), novo álbum da Devir, conta como tudo começou, reunindo as histórias curtas publicadas no fanzine de 1997 a 2001, além de tiras, editoriais e muitas imagens.

A edição traz as primeiras idéias e a evolução dos gêmeos no trato com a Nona Arte.

Confira o prefácio do álbum, que será lançado durante o 5º FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos, com a presença dos autores:

10 Pãezinhos: FanzineDesde muito cedo, nós dois lemos Histórias em Quadrinhos. Meu bisavô gostava de Quadrinhos, meu avô ganhou muitas revistas de uma casa que reformou e minha mãe até hoje ama um bom gibi. A porta estava aberta. Como toda criança, líamos de tudo, sem discriminação. Não tinha bom e ruim, gosto e não gosto. Tudo era igualmente maravilhoso, desde Mônica até Chiclete com Banana, de Superaventuras Marvel até O Clic. Não importava quem escrevia, quem desenhava, se era em preto e branco ou colorido, líamos tudo.

Para nós, foi muito natural saber como fazer quadrinhos, não por termos nascido abençoados ou nada do gênero, mas porque estava tudo ali na nossa frente, era só copiar. Todas aquelas revistas mostravam os tipos de histórias pra contar - da turma, de aventura, da criança que fala com seu bicho de estimação, tiroteios, de heróis e viagem interplanetárias, de piratas e punks - e como desenhar tudo que quiséssemos. Dessa forma, começamos a fazer quadrinhos copiando tudo que víamos, fazendo releituras das histórias, imitando os estilos, criando novos personagens para a turma ou para a equipe. O que mais nos maravilhou nos quadrinhos é que podíamos criar qualquer coisa, tudo era possível.

10 Pãezinhos: FanzineOs grandes leitores de quadrinhos são, na sua maioria, grandes fãs. Quem gosta de fazer quadrinhos também é, antes de mais nada, um grande fã e acaba, dessa forma, querendo fazer o tipo de história que mais gosta. É uma questão de osmose, pois o que você consome acaba influenciando a sua produção. Já quisemos desenhar o Garfield, o Calvin, o Bob Cuspe e até o Pedro Bala. Mas por mais eclética que fosse a nossa formação naquela época, o que mais se encontrava nas bancas e o que nós mais líamos eram os super-heróis.

Conseqüentemente, durante muito tempo o nosso maior sonho foi fazer histórias do Batman e do Homem-Aranha. Foi somente depois de muitos anos, muitas tentativas e erros e de conhecer novas pessoas e novos tipos de revistas que nós finalmente vimos que pode existir uma diferença enorme entre os quadrinhos que você gosta de ler e as histórias que você quer contar.

10 Pãezinhos: FanzineTudo começou em 1991, no Estúdio Pinheiros, do Domingos Takeshita (TAK), um lugar que parecia um playground onde os pais deixavam os filhos durante a tarde, um curso que não ensinava ninguém a desenhar, mas a pensar. Todos os exercícios tratavam de como contar melhor a história, o que tal desenho queria dizer, qual a melhor forma de retratar esta cena e assim por diante. É importante notar que a variedade era o maior atributo do Estúdio Pinheiros, tanto de livros, como de professores, quanto de alunos. Foi vendo aquele bando de gente diferente fazendo uns desenhos e umas histórias malucas que a gente começou a perceber que existia algo além do mundo dos super-heróis, algo mais humano e imperfeito, que nos agradava mais.

Esta coletânea que você tem em mãos tem três histórias que fizemos muito antes de existir 10 Pãezinhos, mas que já apontavam para o tipo de história que acabaríamos contando e se tornando o nosso estilo no fanzine. A primeira chama-se Marcela, e foi a primeira história que um de nós escreveu e o outro desenhou. É uma história que o Fábio escreveu em 93, quando estávamos no 3º colegial. Ela foi feita para o jornal do colégio, que naquele mesmo ano parou de ser produzido. Empolgados com o ambiente de produção e distribuição adquirido no jornal, criamos nosso primeiro fanzine, o Vez em Quando, com o apoio de outro amigo do nosso ano. A outra história presente aqui neste livro é a história de abertura dessa revista, uma típica introdução, onde os personagens se apresentam pro leitor e abrem as portas para as páginas que se seguirão, uma fórmula que existe desde a tragédia grega.

10 Pãezinhos: FanzineA última história que colocamos aqui era um exercício no Estúdio Pinheiros, uma história de 3 páginas que o Fábio fez. Foi um sonho que ele teve, onde um casal refém de um "vilão" é guiado por um desfiladeiro. O mais interessante sobre esta história é que ela acabou virando uma seqüência do Girassol e a Lua muitos anos depois. A narrativa é muito semelhante, muitos enquadramentos são os mesmos. Foi uma semente que ficou esperando sua hora de brotar.

Nós queríamos participar de tudo que tinha relação com quadrinhos. Nos inscrevemos num curso com o Luiz Gê em 1993, na Oficina Amácio Mazarope, loucos pra desenhar mil histórias cheias de aventuras. Chegando lá, ninguém tinha que desenhar nada, o curso era todo voltado pra narrativa, uso do espaço e nós tínhamos que contar histórias de bolinhas de papel contact preto pelas páginas sulfite dobradas ao meio. Na época, ficamos meio frustrados, mas hoje sabemos a importância que aquelas aulas tiveram nas nossas páginas. No final do colegial, veio a dúvida sobre o que fazer na faculdade. Sabíamos o que queríamos fazer da vida - quadrinhos - mas ainda faltava um curso mais especializado. Pensamos em ir pra Espanha, cogitamos estudar na Kubert School, mas no final, escolhemos prestar Artes Plásticas no vestibular pra ver no que dava. Foi a melhor coisa que podíamos ter feito e aconteceu da melhor forma possível. O Fábio entrou na FAAP e eu entrei na ECA. O mesmo curso, mas com abordagens completamente diferentes e, o mais importante, com um público completamente diferente.

10 Pãezinhos: FanzineA faculdade ampliou nosso mundo e conhecemos mais gente interessada em Quadrinhos, com vontade de produzir. Fizemos então nosso segundo fanzine, o Ícones, com mais 3 amigos - João Prado, Daniel Vardi e Thiago Micalopolus - e cada um contava a sua história. Na maioria, super-heróis, um reflexo do que a gente gostava de ler e do que fazia sucesso no início da década de 90. Era a época da Image, do Akira, Spawn e Jim Lee. A minha história era de ficção científica, a do Fábio era de fantasia, mas não tinha como fugir da força avassaladora das mudanças dos tempos. Pra nossa sorte, também era a época em que surgiu o Sin City e o Hellboy e vimos que nem tudo precisava brilhar metalizado e ter a melhor cor feita no computador. Foi aí também que descobrimos como é difícil manter o ritmo de produção de uma revista e o Ícones durou apenas 3 edições.

Em 1994 e 1995, aconteceram dois eventos que nos aproximaram muito do sonho de fazer quadrinhos, pois envolviam profissionais do ramo, nomes que conhecíamos, ídolos da nossa infância. O primeiro evento na Escola Panamericana de Artes. Assistimos uma palestra com Laerte, Angeli e Glauco, los três amigos ali na nossa frente, em carne e osso. E oficinas com os americanos Jules Feifer e Howard Chaykin. Vimos o trabalho de muitos outros jovens, vários estilos, muita gente boa, mas o que mais marcou é que aquela foi a primeira vez que alguém apontou defeitos reais nas nossas páginas, coisas que precisávamos melhorar.

10 Pãezinhos: FanzineO segundo evento foi na FAU, em 95, organizado pelo estúdio ArtComics, responsável por agenciar artistas que trabalham para o mercado americano de quadrinhos. Ali estava a porta de entrada que todo moleque sonha em ter. Os desenhistas de sucesso que admirávamos e víamos nas revistas que comprávamos na banca - como o Roger Cruz e o Deodato - estavam ali pra nos dar dicas e conselhos. Além disso, o Hélcio de Carvalho e o David Campiti estavam analisando o trabalho de cada um, falando o que precisava melhorar, o que era preciso pra que nós pudéssemos desenhar um gibi de super-heróis. Mais uma vez, pessoas estavam apontando defeitos, mostrando o que não funcionava e o que estava inconsistente no nosso trabalho.

Fizemos várias páginas de testes, copiamos os estilos que estavam na moda, queríamos de qualquer jeito desenhar super-heróis, mas fracassamos. Nunca ficava bom o suficiente, as nossas páginas eram vazias de conteúdo e isso refletia na arte sem personalidade. Fomos perdendo a energia e acabamos sendo consumidos pelos compromissos da faculdade e de trabalho.

10 Pãezinhos: FanzineEm 1996, trabalhamos na Bienal de Arte de São Paulo e, mais uma vez, conhecemos muita gente diferente, mais velhos e mais novos, com interesses diversos e, por mais incrível que pudesse parecer, tinha gente que gostava de quadrinhos no meio daquele povo sério que queria estudar e discutir arte. Não desenhamos nada durante um ano, mas conversamos sobre muitas coisas, estudamos artistas de vários países e épocas diferentes. Demos monitorias para crianças, velhinhos e executivos e tínhamos que contar as mesmas histórias para públicos totalmente diferentes. Foi também em 1996 que, numa viagem de férias para a Califórnia, conhecemos por acaso um moleque que gostava de quadrinhos e tinha um roteiro de uma história medieval. Seu nome era Shane Amaya e a história se chamava Roland (Rolando, em português). Começamos a produzir o Rolando naquele mesmo ano, mas em seis meses o Fábio só desenhou 6 páginas e eu colori 3 (eu era o colorista original da série). Com a faculdade, Bienal, aulas e todas as outras coisas que estavam acontecendo, o nosso tempo e nossa energia voltada para os Quadrinhos eram muito escassos, mas isso estava prestes a mudar.

Quando o ano acabou, a Bienal acabou, pedi demissão de um emprego e fui despedido de outro e nós decidimos não pegar mais trabalhos e nos concentrar na produção do Rolando, que era a nossa porta de entrada para o mercado norte-americano. Mas toda essa vontade e determinação acabaram não cabendo em uma só produção, principalmente na história de outra pessoa. Queríamos contar histórias, nossas histórias e queríamos mostrar nosso trabalho para os amigos. Precisávamos de alguma válvula de escape, uma forma de alimentar essa nossa vontade de contar histórias, algo pequeno que desse pra fazer conjuntamente com o Roland. Não precisávamos de uma refeição completa, de um almoço ou um jantar. Queríamos somente um café da manhã.

Gabriel Bá

10 Pãezinhos: Fanzine10 Pãezinhos: Fanzine

TENHA NA SUA COLEÇÃO!
Persépolis - Completo As Aventuras de Tintim - Tintim no País do Ouro Negro DVD - Box Os Jetsons - 1ª Temporada- 4 DVDs - Hanna-Barbera Antes do Incal 2 - Croot & Anarquistas Psicóticos Folheteen
















Links Relacionados: HQ Nacional


Morreu Mauro Martinez dos Prazeres, um dos fundadores da Devir (08/02/12)
Devir lança edição encadernado de O Incal (27/01/12)
Devir lança quarto volume de Rex Mundi (12/12/11)
Níquel Náusea em nova coletânea de tiras (05/12/11)
Lançamento dos álbuns EP e Oeste Vermelho na Quanta (02/12/11)


Índice Notícias

© 2007, Universo HQ