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Homem-Aranha 3 aposta mais na tecnologia do que na trama
Por Marcelo
Naranjo (27/04/07)
Bendita
tecnologia. Graças a ela, os maiores heróis dos quadrinhos puderam, nos
últimos anos, emocionar fãs de todo o mundo com a transposição de seus
personagens favoritos para a telona.
Melhor ainda, algumas sagas tiveram direito até a continuação, como o
Homem-Aranha, que chega ao seu terceiro longa-metragem, novamente
pelas mãos do competente diretor Sam Raimi. A estréia nos cinemas brasileiros
será no dia 4 de maio.
Mas o que a tecnologia tornou possível também pode propiciar uma armadilha,
caso se esqueça o fundamental numa boa adaptação dos quadrinhos para o
cinema: a trama, sempre em função dos efeitos especiais, e nunca o contrário.
Este é o único pecado de Spider-Man 3.
Não que seja um filme ruim, longe disso. É diversão pra ninguém botar
defeito. Os efeitos visuais são de se tirar o chapéu. Muitos reclamaram
que Superman - O Retorno não teve ação. Aqui, ocorre exatamente
o contrário: quase não dá para piscar os olhos.
Então, qual é o problema? É que, diferente dos dois primeiros filmes do
aracnídeo, especialmente o segundo - o melhor da série - o excesso de
situações criadas neste longa, e até o fato de serem três vilões, cada
um com sua origem e peculiaridades, acaba atrapalhando, em termos de narrativa,
o resultado final.
É pouco tempo para se desenvolver tantas tramas paralelas - tudo é rápido
demais, superficial.
Na história, a vida corre bem demais para Peter Parker (Tobey Maguire):
sua garota Mary Jane (Kirsten Dunst) é estrela de um musical, suas notas
estão ótimas e, principalmente, toda a cidade de Nova York adora o Homem-Aranha!
Quem conhece o personagem sabe que isso não podia durar muito.
Primeiro, seu ex-melhor-amigo Harry Osborn (James Franco), decidido a
vingar a morte do pai, utiliza uma versão atualizada da armadura do Duende-Verde.
Depois, um fugitivo da prisão, Flint Marko (Thomas Hadden Church), cai
numa espécie de reator em teste enquanto tenta escapar de um cerco policial.
O equipamento é ativado e nasce o Homem-Areia.
Pra piorar, o aspirante a fotógrafo Eddie Brock (Topher Grace) rouba o
trabalho de Parker.
Não bastasse isso, uma espécie de "gosma" com vida, que surgiu de um meteoro,
entra em simbiose com Peter Parker. O Amigão da Vizinhança passa a utilizar
um uniforme negro, e suas atitudes tornam-se cada vez mais violentas e
desmedidas.
Esse é um dos pontos altos do filme: Tobey Maguire arranca risadas da
platéia, como sempre ótimo no papel do nerd Peter Parker, mostrando
a drástica transformação na qual surge seu "lado negro", o que rende ótimas
gags.
Enquanto o telespectador assiste ao ótimo Homem-Areia, fielmente caracterizado,
tentando faturar uns trocados, acaba também conferindo o surgimento do
terrível Venom. E Harry Osborn continua querendo sua vingança. Pobre Aranha.
O leitor de quadrinhos vai gostar: além de alguns momentos retirados diretamente
das HQs, marcam presença o Capitão Stacy, sua filha Gwen Stacy (a linda
Bryce Dallas Howard, filha do diretor Ron Howard, de Apolo 13),
J. Jonah Jameson, Tia May, Betty Brant, Robbie Robertson e até uma divertida
ponta de Stan Lee, pra variar.
A surpresa um tanto desnecessária fica para a revelação da identidade
do assassino de Ben Parker. Enquanto o Aranha se preocupa demais em caçar
o culpado, pessoas morrem à sua volta.
Conclusão: a seqüência final (por enquanto) da saga do aracnídeo é um
espetáculo de efeitos visuais, provando que não há mais limites para a
computação gráfica.
Pode assistir sem medo. Certamente fará grande sucesso nos cinemas. Pena
que não empolga tanto quanto as histórias anteriores, ainda que esteja
anos-luz à frente de boa parte das recentes adaptações de HQs para a telona.
  
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