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Mangá Death Note provoca polêmica na China

Por Pablo Casado (28/03/07)

Death Note"Um caderno de notas que mata todo aquele que tiver seu nome escrito nele". Esta é a definição conhecida pelos fãs do popular mangá - e que também tem uma versão animada de enorme sucesso - Death Note, escrito por Tsugumi Ohba e ilustrado Takeshi Obata, publicado pela editora Shueisha na revista Weekly Shonen Jump de dezembro de 2003 a maio de 2006.

A trama tem como protagonista o estudante Yagami Raito que, ao descobrir o misterioso caderno que dá nome a série, começa a utilizar suas habilidades sobrenaturais para matar bandidos e fazer justiça. No entanto, na China, a popularidade de um souvenir específico do mangá tem preocupado pais e professores.

O primeiro caso envolvendo cadernos grafados com o nome "Death Note" e recheados de anotações dos próprios proprietários adolescentes ocorreu no início de 2005, na escola de Shenyang. Famílias e docentes, preocupados que a idéia central do mangá pudesse macular a mente dos jovens, proibiram o uso dos "cadernos do mal".

Neste mês de março, o assunto voltou a ser discutido quando cadernos personalizados contendo as instruções de uso encontrados na trama da história em quadrinhos começaram a ser vendidos em lojas de Shenzhen, transformando-se num item colecionável bastante consumido pelos jovens fãs. Matérias publicadas em jornais e websites sobre o fato levaram o departamento de Administração do Mercado Cultural da cidade a recolher os cadernos comercializados nas papelarias.

Death Note

"Encontrei por acaso um bloco de notas preto embaixo do travesseiro do meu filho. Se chamava 'Death Note' e estava repleto de horríveis anotações", declarou um dos preocupados pais. "Eu realmente acho que esse tipo de coisa é ruim para o meu filho". Os estudantes, por outro lado, discordam desse ponto de vista.

"Death Note soa um pouco assustador, mas isso é o que é legal nele", afirmou um rapaz entrevistado pela mídia local, que destacou o fato de que o caderno é adquirido apenas como item de coleção, nada mais. Alguns, inclusive, o utilizam para realizar atividades escolares. "Todo esse lance de morte é falso, todo mundo sabe que não é real", afirmou outro estudante.

A venda do caderno foi proibida nas lojas especializadas em material escolar, não só pelo conteúdo quanto por questões de legalidade: o produto não continha informações referentes aos produtores responsáveis pela obra e outros itens de registro, o que o tornou um item ilegal. A discussão entre pais e filhos sobre a questão, ainda assim, continua.

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