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Título: BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS - EDIÇÃO DEFINITIVA
(Panini
Comics) - Edição especial
Autores: Frank Miller (roteiro e desenhos), Klaus Janson (arte-final,
apenas da primeira parte) e Linn Varley (cores).
Preço: R$ 95,90 (versão capa dura) e R$ 69,90 (capa cartonada)
Número de páginas: 512
Data de lançamento: Fevereiro de 2007
Sinopse: Edição compilando as minisséries Batman - O Cavaleiro
das Trevas e Batman - O Cavaleiro das Trevas 2.
Em Batman - O Cavaleiro das Trevas, Bruce Wayne, aos 55 anos, está
aposentado e tenta levar o que mais se aproxima de uma vida comum, mas
a onda de crimes em Gotham City não deixa.
Inconformado, ele passa a impedir um crime aqui e outro ali, sempre em
meio às trevas. Mas não adianta, em pouco tempo a notícia se espalha:
o Batman voltou à ativa!
O problema é que os super-heróis estão há dez anos proibidos de agir em
público pelo governo norte-americano. E o mundo vive sob o medo de uma
guerra nuclear entre Estados Unidos e União Soviética (a obra é de 1986).
Agora, o Morcego terá de lidar com o problema que arrumou - e ele adora
isso.
Já Batman - O Cavaleiro das Trevas 2 (lançado em 2002) se passa
três anos depois da morte aparente do Batman, na primeira minissérie.
Os Estados Unidos são governados pelo presidente Rickard, um fantoche
digital de Lex Luthor. Por isso, o país vive num regime praticamente fascista.
Os antigos super-heróis permanecem afastados, impassíveis. Até que a trupe
liderada pela Moça-Gato (que comanda os batboys) resgata dos seus diferentes
cativeiros duas lendas do passado: Átomo e Flash.
Esse ressurgimento de aventureiros mascarados desperta velhas rixas, obrigando
o Superman a se reunir com seus companheiros Capitão Marvel e Mulher-Maravilha,
o que resultará numa intervenção direta nos planos do único responsável
possível: Batman.
O Homem de Aço está sendo chantageado por Lex Luthor e Brainiac, que mantêm
a cidade engarrafada de Kandor (o último resquício de Krypton) sob seu
domínio, obrigando o herói a obedecê-lo.
Positivo/Negativo:
Analisar este álbum da Panini é quase como resenhar uma revista
mix. Afinal, a qualidade das duas minisséries é tão díspar, que chega
a ser covardia.
O Cavaleiro das Trevas original é para muitos (inclusive este resenhista)
a melhor história do Batman em todos os tempos. Frank Miller pegou um
personagem que há mais de dez anos andava sem-graça, esquecido, ridicularizado,
até, e o transformou - de novo - num ícone da cultura pop.
Com um roteiro envolvente, reconduziu o Morcego às origens, deixando-o
soturno, sombrio, anárquico e muito violento, sempre com o contraponto
da falta de agilidade de um quase sexagenário.
Miller fez mais do que isso: ele definiu como o Batman passaria
a ser a partir dali. E o fez com tanta competência que, até hoje, mais
de duas décadas depois, o "modelo" do Cavaleiro das Trevas é o resgatado
por ele, com apenas um pequeno retoque aqui ou ali.
Não bastasse isso, o autor "sugere" a morte de Jason Todd, o segundo Robin,
três anos antes de ela ocorrer; dá um enfoque diferente à relação do herói
com o Duas-Caras; retrata com muita felicidade os efeitos do tempo sobre
o Arqueiro Verde e a Mulher-Gato; cria um novo parâmetro (que seria muito
copiado posteriormente) para o relacionamento do Morcego com o Superman;
e, principalmente, tem peito para matar o Coringa.
E tudo com uma arte ágil e uma narrativa sensacional (o recurso das televisões
foi outra coisa que virou "moda" nas HQs). E tudo muito bem complementado
pelas cores sóbrias, na medida certa, de Linn Varley.
Resumindo, nunca é possível dar menos do que a nota máxima para Batman
- O Cavaleiro das Trevas. A não ser quando ela não é publicada sozinha...
E aí vem o problema.
O Cavaleiro das Trevas 2 é muito, mas muito inferior ao original.
Para alguns, a história paga o preço de carregar o peso de um título tão
emblemático, mas o buraco é mais embaixo. Ela tem falhas que vão da concepção
do roteiro à cor.
Durante quase duas décadas, Miller se recusou veementemente a criar uma
continuação para a minissérie original. Mas a DC o encheu tanto
(inclusive seus bolsos, claro), que ele cedeu. No entanto, a impressão
que passa é que o autor construiu a obra de forma tão fraca de propósito.
Algo do gênero: "Ah, não queriam isso? Então, toma!".
O roteiro é baseado num argumento pueril, tolo. Ora, quantas vezes o Superman
foi chantageado por seus inimigos e jamais se rendeu? O personagem é retratado
como um "pau mandado que não pensa, só obedece" - e a despeito de alguns
de seus detratores acharem isso mesmo a seu respeito, ele está bem distante
disso.
A sacada genial do final da primeira minissérie envolvendo o Superman
e o Batman, é praticamente descartada. Uma pena.
Além disso, há alguns momentos constrangedores. É verdade que a Mulher-Maravilha
é extremamente bela e sensual, mas daí a fazer um quase defunto levantar
(por favor, esta referência é ao Superman), relembrar toda sua virilidade
e dar uma "bimbada nas estrelas" é forçar a barra. Deprimente! E o mesmo
adjetivo vale para o que Miller faz no desfecho da obra com Dick Grayson.
Para não dizer que só há coisas ruins, os retornos do Flash e do Átomo
são frutos de sacadas criativas. Mas é pouco para segurar o roteiro.
Na arte, Frank Miller deixa no ar outro quê de provocação. Que traço horrendo!
A minissérie poderia se chamar "No Reino dos Pés-Grandes", devido à desproporção
exagerada que adotou. Ele nunca fez algo tão feio.
Pior: nem sua sempre excelente narrativa se sobressai. A passagem das
cenas é truncada e até o antigo recurso das televisões é banalizado. Em
determinado momento, o autor usa Alfred E. Newman, o símbolo da revista
Mad, numa das TVs. Parecia piada mesmo.
E a pá de cal é a cor de Linn Varley, que deve ter descoberto o Photoshop
naquela época e resolveu "brincar", com a anuência do marido, lógico.
O resultado é triste, para dizer o mínimo. Um festival de borrões e tons
berrantes, anos-luz do bom trabalho que ela executou no Cavaleiro das
Trevas original.
Mas as duas minisséries foram publicadas num só volume, uma jogada muito
inteligente da Panini - afinal, pouca gente compraria um encadernado
de O Cavaleiro das Trevas 2 apenas. Ou seja, comercialmente, uma
decisão acertadíssima.
A editora colocou no mercado, com um atraso de dois meses (a edição foi
anunciada para dezembro de 2006), duas versões: uma em capa dura (com
fundo prateado) e outra cartonada (vermelho). Ambas estão caprichadas
graficamente e trazem extras interessantes, como esboços das artes.
Na parte editorial, há pequenos vacilos, como um "obessivo" (obsessivo)
logo no prefácio de Frank Miller; e a expressão "uma satélite", na primeira
aparição da Mulher-Maravilha (as páginas não estão numeradas, o que dificulta
a localização) na segunda mini. Mas, no geral, foi um bom trabalho.
Resumindo, O Cavaleiro das Trevas é uma obra para ser lembrada
e relembrada sempre; O Cavaleiro das Trevas 2, é digna de esquecimento.
Mas, no final das contas, não deixa de ser interessante ter as duas obras
compiladas, até para facilitar as comparações.
Classificação:  
- Sidney Gusman
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