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Homem de Ferro: 45 anos de aventuras
Herói ou vilão?
A década de 1990 começou com a promessa de excelentes
aventuras que não se concretizaram. Apesar de alguns arcos interessantes,
esse período é uma fase fraca para o personagem e um dos piores momentos
da Marvel, devido à ruptura da bolha de especulação que levou à falência
da editora e à saída de vários artistas para a formação da Image.
A primeira grande aventura dessa época, e talvez a mais interessante, foi A Guerra das Armaduras II, escrita por John Byrne e desenhada por John Romita Jr. (Iron Man # 258 a # 266).
O Homem de Ferro enfrenta o Laser Vivo, que está mais poderoso. Em seguida, Stark encara uma ameaça ainda maior, pois Kearson DeWitt toma o controle do seu corpo usando alta tecnologia ligada ao seu implante na coluna.
DeWitt
estava sendo financiado pela Marrs Corp, de Desmond e Phoebe Marrs, dois
vilões criados por John Byrne na reformulação do Namor, que foram inspirados
em dois irmãos criminosos do seriado O Homem da Máfia.
Nos bastidores dessa saga, John Byrne reformula o Mandarim, que juntamente com Fin Fan Foom enfrentariam o Homem de Ferro no arco seguinte, mas sem a arte maravilhosa de John Romita, que foi substituído por Paul Ryan.
Em Iron Man # 278-279, o personagem participa do crossover Operação Tempestade Galáctica, no qual Kang começa a influenciar Tony Stark.
Em Iron Man # 282, surge a armadura do Máquina de Combate, uma necessidade de Stark para lidar com o problema crescente de seu sistema nervoso, danificado durante a Guerra das Armaduras II, e também pelo fato de a armadura anterior não estar à altura das ameaças enfrentadas.
Daqui
em diante, o herói troca de armaduras quase com a mesma freqüência com que
troca de artistas.
Tony simula a sua própria morte e engana até mesmo seus amigos, numa tentativa de restaurar seu sistema nervoso danificado, em Iron Man # 284. Jim Rhodes assume mais uma vez a identidade do Homem de Ferro, ou melhor, de Máquina de Combate, e passa a dirigir as Indústrias Stark.
Ao descobrir que Tony Stark estava vivo e que havia sido enganado, Jim Rhodes se separa de seu patrão de muitos anos e segue em carreira solo como Máquina de Combate.
Máquina de Combate teve duas revistas mensais. A primeira, War Machine, de 1994, durou 25 edições; e U.S. War Machine, série do selo MAX, de 12 números, que não pertence à cronologia, lançada em 2001.
A
fase seguinte do Homem de Ferro é muito confusa e ruim, sem qualidades redentoras.
Kang controla Tony Stark obrigando-o a fazer coisas horríveis, que culminam na morte de Marilla, a babá da filha de Crystal e de Mercúrio; no assassinato da vilã Jaqueta Amarela (Rita DeMara) e de Amanda Chaney, relações públicas do grupo Força-Tarefa.
Para tudo ficar ainda mais confuso, a história conta ainda com a presença dos Fantasmas do Tempo, criaturas do limbo capazes de alterar sua aparência e se passar por outros seres, normalmente a serviço de Kang ou Immortus.
Originalmente, Kang era o vilão deste arco, mas na boa minissérie Avengers Forever, os eventos sofrem um retcon e Immortus é revelado como o verdadeiro maestro dos eventos.
Aliás,
Kang e Immortus são o mesmo personagem, ambos viajantes temporais, mas Immortus
é um Kang mais velho.
Em 1994, Tony Stark ajuda a criar o grupo Força-Tarefa, composto por remanescentes
dos Vingadores da Costa Oeste. Durante a maior parte das aventuras, o
milionário estava sob o domínio de Kang. Depois dessa revelação, e da
morte de Stark, a equipe se desmanchou.
Quando descobrem que Kang está envolvido com o comportamento criminoso
de Stark, os Vingadores viajam no tempo e buscam a ajuda do jovem Tony
Stark, um garoto de 19 anos, que já era um gênio científico.
A saga também modifica retroativamente a morte dos pais de Tony Stark, que agora foram mortos graças à intervenção de um agente de Kang, Tobias.
O
jovem Stark viaja no tempo com os Vingadores para vingar a morte de seus
pais. Importante: essa fase toda foi ignorada no Brasil pela Abril.
Os Vingadores e o garoto confrontam o Tony Stark original, no Ártico. No combate (Iron Man # 325), o jovem Tony sai ferido e seu oponente mais velho tem um choque ao descobrir sua versão adolescente. Isso quebra o domínio de Kang e o milionário se sacrifica para salvar seus amigos e a si mesmo.
As próximas sete edições são estreladas pelo jovem Tony Stark, que não retorna à sua vida anterior. A revista do Homem de Ferro terminaria no número 332, em setembro de 1996, quando o garoto enfrenta os Sentinelas, durante o mega-crossover Massacre (evento que reformulou temporariamente o Universo Marvel). A aventura tem arte do brasileiro Joe Bennet.
Um
ponto interessante desse período é o surgimento do grupo Fujikawa, que toma
possa das Indústrias Stark. O conglomerado voltaria a aparecer com mais
importância no segundo e terceiro volumes da série.
O Tony Stark adolescente morre junto com os outros heróis, apenas para ser recriado por Franklin Richards na Contra-Terra, num evento medonho conhecido como Heróis Renascem.
Trata-se de uma tentativa frustrada da Marvel de recuperar o brilho de seus personagens (e suas vendas), numa parceria com os artistas da recém-formada Image, Jim Lee, Rob Liefeld, Whilce Portacio e outros.
O Homem de Ferro ganhou uma versão Heróis Renascem, em novembro de 1996. A revista durou 13 edições e contou com a participação de Jim Lee, Scott Lobdell, Whilce Portacio, Scott Williams, James Robinson, Larry Stroman, Ryan Benjamin e Jeph Loeb.
Em
1998, o Homem de Ferro, juntamente com outros heróis da Marvel exilados
na Contra-Terra, voltam ao Universo Marvel tradicional, no evento
Heróis Retornam.
O Homem de Ferro recriado por Franklin Richards é uma versão do Tony Stark que o garoto conhecia, sem a influência de Kang ou Immortus. É esse personagem que ressurge na revista Iron Man # 1, de 1998, pelas mãos de Kurt Busiek e Sean Chen.
Este terceiro volume da revista teve 89 edições, e terminou em 2004, quando o atual título do personagem foi lançado.
A fase inicial da nova revista é superior ao material dos cinco anos anteriores, mas sem o brilhantismo de outros períodos.
Stark volta a ter problemas com seu coração. Entre Iron Man vol. 3 # 26 e # 30, sua armadura ganha vida e, mais tarde, "morre" para salvar seu criador. Nesta saga, o traje metálico mata o vilão Chicote Negro.
Depois,
num arco com a presença de Ultron, o vilão toma o controle da armadura de
Stark.
Tony Stark revela ao mundo que é o Homem de Ferro e acaba se metendo numa confusão legal com os direitos de suas patentes da armadura. Para impedir que o governo faça uso errado de sua tecnologia, ele se torna secretário de Defesa dos Estados Unidos (Iron Man vol. 3 # 73 a # 78), no arco A melhor defesa, publicado no Brasil em Homem de Ferro Especial.
Paralelamente, a situação dos Vingadores se deteriora durante os eventos de A Queda (Avengers Disassembled) e Stark é manipulado pela Feiticeira Escarlate e, depois de um discurso polêmico na ONU, é obrigado a se demitir.
Durante os eventos de A Queda, Tony retoma sua identidade secreta, como num passe de mágica.
A
nova revista do Homem de Ferro surge em 2005, pelas mãos de Warren Ellis
e Adi Granov, artista que fez parte da equipe do longa-metragem do herói,
como desenhista conceitual.
O primeiro arco, de seis partes, Extremis, modifica por completo a vida e os poderes de Tony Stark e o funcionamento de sua armadura. Além disso, a história desloca a origem do Homem de Ferro para os conflitos recentes no Afeganistão. É a trama mais significativa do personagem nesta década e foi publicada por aqui numa minissérie em três partes (veja aqui as resenhas: # 1, # 2 e # 3).
Nas palavras de Stark, ele se tornou "um Homem de Ferro por dentro e por fora". Essa mudança permite que faça várias coisas ao mesmo tempo. Ele pode acessar a internet mentalmente, transmitir mensagens, imagens ou o que for necessário, até controlar a armadura remotamente.
Obviamente
isso tem alguns efeitos colaterais mentais e por um tempo ele passou a ser
mais agressivo e diz que precisa se concentrar constantemente para não enlouquecer.
Outra herança de Ellis dessa série foi a nova filosofia de vida de Tony Stark. Incentivado por Sal, um antigo professor, ele se diz um futurista, um "piloto de testes do futuro". Essa filosofia, inclusive, seria a justificativa para o que veio a seguir na carreira do herói.
Stark foi o responsável pela formação de duas novas equipes, os Novos Vingadores e os Poderosos Vingadores.
Em junho de 2006, Brian Bendis mexe na cronologia mais uma vez, mostrando que no passado, depois da guerra Kree-Skrull, o Homem de Ferro, Pantera Negra, Professor X, Sr. Fantástico, Raio Negro, Doutor Estranho e Namor formaram uma sociedade secreta conhecida como Illuminati.
Este grupo estaria diretamente relacionado com os eventos da Guerra
Civil, World
War Hulk e Invasão
Secreta.
A Guerra Civil, que coloca os heróis da Marvel uns contra os outros, resulta na morte do Capitão América e transforma Tony Stark num vilão aos olhos da maioria dos leitores.
Apesar disso, o Homem de Ferro nunca vendeu tão bem. Atualmente, o personagem é o diretor da S.H.I.E.L.D. e vai ganhar uma segunda revista mensal, algo inédito em sua história, com texto de Matt Fraction e Salvador Larocca.
Resta saber se o Tony Stark que causou a Guerra Civil é o personagem original ou se foi substituído por um Skrull durante a Invasão Secreta, o que solucionaria a imagem negativa do inventor, a custo da paciência dos leitores. E isso, só o tempo dirá.
Sérgio Codespoti, que contou com a colaboração de Zé Oliboni no trecho final desta longa matéria, não sabe sequer dirigir um automóvel, mas adoraria "pilotar" uma armadura do Homem de Ferro.
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