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Resenha: Novo Batman é muito mais que uma "adaptação de quadrinhos"
Por Sidney Gusman
(18/07/08)
Batman
- O Cavaleiro das Trevas, que estréia hoje nos cinemas do mundo inteiro
(em São Paulo haverá até 15 bat-sinais espalhados pela cidade), rompe
uma barreira que serve para classificar - e limitar, por que não? - dezenas
de outras películas baseadas em personagens de HQs: o longa-metragem dirigido
por Christopher Nolan não pode ser meramente colocado na "categoria" que
se convencionou chamar de adaptação de quadrinhos. É muito mais do que
isso. É um grande filme!
O roteiro é tão bem construído que, em determinados momentos, tem-se a
impressão de que o filme funcionaria mesmo se não fosse focado num dos
super-heróis mais famosos do planeta. É absolutamente fiel aos quadrinhos
do Homem-Morcego? Não. Alguns fãs xiitas podem espernear por conta disso?
Certamente. Mas, ainda assim, Nolan construiu um longa que agrada ao espectador
comum e ao leitor das HQs do personagem.
Todas
as situações mais tensas na trama são muito bem desenvolvidas durante
os 142 minutos de filme: a corrupção que assola a polícia de Gotham City,
exatamente como ocorre em tantas metrópoles do mundo real; a construção
do relacionamento entre Jim Gordon (Gary Oldman), Batman (Christian Bale)
e Harvey Dent (Aaron Eckhart); o triângulo amoroso do promotor de justiça,
sua assistente e namorada Rachel Dawes (Maggie Gyllenhall) e Bruce Wayne;
a desconfiança da população em relação ao Homem-Morcego; o sentimento
insano que move o Coringa (Heath Ledger); a maldade que pode advir do
medo (ou vice-versa) e outras.
Ledger, morto
em janeiro de 2008, é realmente a presença mais marcante do longa-metragem.
Seu Coringa é cruel ao extremo, e sempre com um senso de humor, no mínimo,
macabro. Chega a assustar. E ele só quer provar que todo ser humano pode
ser mau. Ou, até, tornar-se um assassino.
Nesse
aspecto, especialmente em dois marcantes diálogos do vilão com o Batman,
os fãs de quadrinhos identificarão similaridades do filme com a clássica
graphic novel A
Piada Mortal, escrita por Alan Moore e desenhada por Brian Bolland.
Mas isso é inserido dentro de uma trama maior.
Mas Ledger brilha sem ofuscar os outros atores. Ao contrário do Batman
de 1989, em que Jack Nicholson anulou por completo Michael Keaton, neste
longa o Cavaleiro das Trevas é representativo. Bale tem uma ótima atuação,
tanto na pele do playboy Bruce Wayne, quanto na do defensor de
Gotham City. O único senão, que certamente desagradará a alguns fãs, é
que o herói continua falando aos sussurros.
Também merecem destaque as atuações de Gary Oldman, Aaron Eckhart, Morgan
Freeman e Michael Caine, os dois últimos nos papéis de Lucius Fox e Alfred
Pennyworth, respectivamente. Cabe ao diretor das Indústrias Wayne e ao
mordomo do milionário a missão de criar piadas que arrancam risadas do
público.
Realmente,
o elenco recheado de talentos foi usado em Batman - O Cavaleiro das
Trevas com extrema competência. Todos os principais atores têm seu
momento de destaque no filme. E tudo muito bem dosado no desenvolver da
história.
O clima quase permanente de tensão e terror psicológico, assim que o Coringa
começa a ameaçar Gotham City, é permeado por muita ação (para quem reclamou
que "pouco se enxergava das batalhas corporais em Batman Begins",
há muita pancadaria "às claras"), suspense, cenas espetaculares e até
pitadas de romance e humor. Junte-se a isso o fato de que maquiagem, efeitos
especiais e trilha sonora são todos de primeiro nível, e fica evidente
por que este Batman é tão superior às versões anteriores do personagem
para a telona.
Ao final de quase duas horas e meia, é fácil concluir que o personagem
Batman nunca teve um tratamento tão digno no cinema quanto o que lhe foi
destinado em O Cavaleiro das Trevas. Este longa-metragem certamente
se tornará um modelo a ser seguido. Não só na franquia do Morcego, mas
em todas as adaptações de quadrinhos que almejam ser mais do que isso.
                
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