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Uma atualização especial para os 60 anos de Tex
Por Sidney Gusman
(30/09/08)
Exatos
60 anos atrás, no dia 30 de setembro de 1948, os leitores italianos conheceram
Il totem misterioso, a primeira aventura daquele que viria a se
tornar (ao lado de Lucky Luke) o caubói mais famoso dos quadrinhos mundiais:
Tex.
Nascido sob o texto de Giovanni Luigi Bonelli e a arte de Aurelio Galleppini,
o personagem nasceu como fora-da-lei, mas não tardou para se estabelecer
do lado da justiça - até ranger (integrante de uma tropa de elite
do exército dos Estados Unidos) ele foi nomeado.
E suas aventuras foram conquistando os leitores não apenas da Itália,
mas mundo afora. Hoje, suas revistas saem em diversos países. E o Brasil
é um dos mercados em que o personagem é mais querido. Prova disso é que
está há 37 anos ininterruptos (sem falhar um mês sequer) presente nas
bancas.
Depois
de passar por Vecchi, RGE e Globo,
foi na Mythos,
sua editora atual, que seus títulos mais proliferaram. Atualmente, são
nove regulares, com diferentes periodicidades: Tex, Tex Coleção, Tex
- Edição de Ouro, Tex Gigante, Tex Anual, Almanaque Tex, Os Grandes Clássicos
de Tex, Tex Edição Histórica e Tex - Especial de Férias.
Simplesmente nenhum personagem de quadrinhos possui tantas revistas
no Brasil! Isso sem contar os especiais, como o colorido Tex Especial
60 Anos, escrito por Claudio Nizzi e desenhado por Fabio Civitelli,
prometido pela Mythos para este mês. A trama mostra Tex durante
a juventude, ao lado de sua falecida esposa Lilith.
Durante todos esses anos, os leitores do Águia da Noite, como é conhecido
entre os índios navajos, aprenderam a se afeiçoar não apenas com roteiristas
e desenhistas, mas também a personagens como Kit Carson, Jack Tigre, Kit
Willer, Lilith, Gros-Jean, o irlandês Pat Mac Ryan, Bruxo Mouro, Jim Brandon
e outros. Além, é claro, de conhecer os inimigos Mefisto, Yama (filho
do primeiro), El Muerto, Tigre Negro etc.
Há
quem desdenhe dos quadrinhos de Tex, mas certamente não se pode ignorar
que um personagem não permanece na ativa tanto tempo se não tiver qualidade.
E isso não falta às histórias do ranger. Sua força editorial na
Itália é tamanha, que toda vez que o jornal La Repubblica lança
uma coleção
de clássicos dos quadrinhos, adivinhe quem é escolhido para inaugurá-la
ou estar entre os primeiros personagens publicados?
Mais do que isso, está em andamento na "bota" Tex Collezione Storica
a Colori, pelo mesmo La Repubblica. Trata-se simplesmente da
republicação em ordem cronológica das primeiras histórias do personagem.
A princípio, seriam 50 números, mas o sucesso foi tamanho que o
jornal estendeu o contrato com a Sergio Bonelli Editore
e a coleção já está no 88º volume - e sem data definida para acabar (aliás,
vale visitar o site
que o jornal montou para propagandear esta excelente promoção). Os álbuns,
coloridos, trazem sempre uma capa inédita assinada por Claudio Villa e
artigos escritos pelo crítico Luca Raffaelli e pelo próprio Sergio Bonelli.
Basta uma visita à Itália para ver que Tex consegue, sim, renovar
seus leitores - durante muito tempo se falou que o personagem era escrito
apenas para leitores que estavam envelhecendo e que, certamente, seu público
sumiria com o tempo. Negativo! E esse mérito é dos criadores
e do excelente Sergio Bonelli, um editor com uma rara sensibilidade para
adequar seus materiais ao mercado.
Vale lembrar que Tex também já foi adaptado para o cinema, em Tex e
il signore degli abissi (Tex e o senhor do abismo), em 1985,
com Giuliano Gemma no papel do protagonista. Não é a versão dos sonhos
dos fãs, é verdade, mas entrou para a história do personagem.
Também demonstram a força do ranger os sites a seu respeito na
internet. Três deles são parceiros informais do UHQ: o italiano
UBC Fumetti,
que hoje fala sobre diversos quadrinhos, mas possui um acervo respeitável
sobre Tex; o brasileiro TexBR,
que tem até fórum para discussões bonellianas; e o português Blog
do Tex, comandado pelo moçambicano José Carlos Francisco, o Zeca.
Por tantas razões, nada mais merecido que o Universo HQ prestasse
sua homenagem a este que está no rol dos maiores personagens de quadrinhos
de todos os tempos.
Por isso, a equipe do UHQ preparou uma atualização especial, composta
por uma matéria assinada por G.G. Carsan,
um depoimento emocionante da leitora Adriana
Couto Pereira (quem disse que mulheres não lêem o ranger?) e mais
13 reviews. Confira:
Tex - Edição comemorativa de meio século
de aventuras no Brasil (Opera Graphica), Tex
- Edição de Ouro # 6 (Mythos) e Tex
- Edição de Ouro # 26 (Mythos), por G.G. Carsan;
Tex
Gigante # 21 (Mythos), por Eduardo Nasi;
Almanaque Tex # 1 (Mythos),
por Marcelo Naranjo;
Tex Anual # 1 (Mythos),
por este jornalista;
Tex # 1 (Vecchi), por Toni
Rodrigues;
L'arte dell'avventura
(Ikon), por Nobu Chinen;
Tex # 71 (Vecchi), por Yudae
Costa;
Tex Coleção # 260 (Mythos),
por Cassius Medauar;
Tex - Tra due bandiere (Mondadori),
por Delfin;
Tex Especial de Férias # 1
(Mythos), por Rodrigo Bratz;
Tex # 39 (Vecchi), por Jesus
Nabor Ferreira;
Você também pode conferir a charge
que J.J. Marreiro fez especialmente para homenagear esse valente sessentão.
Por fim, para comemorar essa data tão marcante do ranger
não poderiam faltar as imprecações tão marcantes de suas histórias. Peste!
Raios e Trovões! Tição do inferno! Por todos os diabos! Sangue de búfalo!
Danação! Chifres de cem bisontes!... Parabéns, Tex! Longa vida
às suas aventuras!
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