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DIMENSÃO DC - LANTERNA VERDE # 1 Título: DIMENSÃO DC - LANTERNA VERDE # 1 (Panini Comics) - Revista mensal

Autores: O segundo renascimento - Geoff Johns (texto), Ethan Van Sciver (arte) e Moose Baumann (cores);

Medo & desprezo - Geoff Johns (texto), Ivan Reis (desenhos), Oclair Albert (arte-final) e Moose Baumann (cores);

Tempestade no horizonte - Dave Gibbons (texto), Patrick Gleason, Angel Unzueta, (desenhos), Prentis Rollins (arte-final) e Guy Major (cores);

Preço: R$ 6,90

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Setembro de 2008

Sinopse: Durante meses, Sinestro vem se preparando: fomentou o pavor, distribuiu anéis com a energia amarela (derivada pelo próprio medo) e arregimentou aliados.

Agora, o vilão está pronto para atacar a Tropa dos Lanternas Verdes.

As primeiras batalhas são devastadoras para os guerreiros de Oa. Mas o resultado da guerra pode ser bem pior: os Guardiões estão escondendo de seu time uma velha profecia segundo a qual a Tropa será extinta em uma situação muito semelhante a essa.

Positivo/Negativo: Chaveirinho de brinde (bem bacana, por sinal), cor especial na capa e uma chamada no alto da revista deixam claro: esta revista integra a leva de novidades da reforma editorial por que a linha DC, da Panini, passou em setembro.

Mas há uma coisa que todos esses chamarizes não dão conta de revelar: é que, de fato, Dimensão DC - Lanterna Verde é a revista que merece o maior destaque no pacote de mudanças.

Na prática, os outros títulos da linha foram apenas reorganizados. Alguns até se tornaram, de fato, um bom ponto de partida para arregimentar velhos fãs dispersos - até porque a DC não está em uma fase muito amigável para novos leitores. A outra publicação nova, Prelúdio para a Crise Final, foi concebida a partir da colagem de minisséries diversas. Mas, no fim das contas, há pouca novidade além da própria repaginação - e do chaveiro!

Dimensão DC vai bem além: é uma revista totalmente nova, que estréia publicando apenas A guerra dos anéis, uma das séries mais aguardadas desta temporada das HQs de super-herói, e focando no Lanterna Verde, um herói em evidência nos últimos meses, cuja revista própria os leitores reivindicam há anos.

Há bons motivos para a expectativa criada em cima da série. E não são poucos.

O maior deles é que a série foi bem recebida por parte da crítica norte-americana - e também dos leitores. Isso não chega a ser uma novidade por si só - afinal, a DC publica materiais elogiadíssimos todos os meses. A diferença, aqui, é que A guerra dos anéis não é uma graphic novel elaborada (uma A nova fronteira, digamos) nem uma minissérie especialíssima (que tal o Shazam de Jeff Smith?) ou uma série de autores estrelados (o melhor exemplo: Grandes Astros - Superman).

O arco é forjado dentro do Universo DC. Integra a continuidade. Relaciona-se brutalmente com materiais gritantemente fracos, como Contagem regressiva e Crise infinita. Foi contada originalmente na revista de linha do Lanterna Verde, com alguns especiais de apoio. E é justamente nessa seara - a dos genuínos gibis de super-heróis - que os elogios da crítica e dos leitores andam escassos.

Pois, a julgar por seu primeiro número brasileiro, A guerra dos anéis merece mesmo elogios.

O roteiro de Geoff Johns tem os clichês inevitáveis do gênero: as transformações lentas e sofridas, as falas melodramáticas, uma boa dose de incongruência científica (que beira a inverossimilhança) e certa grandiosidade exagerada. Mas tudo bem: isso faz parte.

Em compensação, a trama é muito, muito empolgante. Tem bastante ação, boas reviravoltas, batalhas bem orquestradas e seres esquisitos aos montes, tudo isso em volume suficiente para atiçar qualquer fã.

Também é curioso ver a amplitude geográfica que Johns concede à trama: da Terra a Oa, do Universo de Antimatéria a Mogo, o roteiro não ignora que os Lanternas Verdes estão espalhados pelo cosmo. Isso rende uma belíssima cena (página 55): depois do fim do ataque de Sinestro, a contagem de Lanternas mortos não pára. Hal Jordan, de joelhos, estranha. É informado, então, de que seus aliados estão sendo caçados em todo o universo.

Mas o maior mérito do roteiro é o de engendrar habilmente vários fragmentos do Universo DC.

O primeiro, que serve como base para a história, é uma velha HQ de Alan Moore e Kevin O'Neill (A Liga Extraordinária) chamada Tigre e publicada recentemente no Brasil em Grandes Clássicos DC # 9. Nela, o Lanterna Verde Abin Sur (que, ao morrer, deu seu anel a Hal Jordan) confronta o medo da morte e descobre a profecia que decreta o fim da Tropa e dos Guardiões.

Há também relação com a série que mostrou a morte de Superman, com Crise infinita, com 52 e com a minissérie Lanterna Verde - Renascimento.

Apesar de tudo isso, a revista abre com uma história que dá conta de situar um leitor que eventualmente não vinha acompanhando as séries ligadas à Tropa - espalhadas até recentemente em Liga da Justiça, Os melhores do mundo e Superman & Batman.

O time de artistas da série também tem seu papel em tornar A guerra dos anéis um expoente na DC. O brasileiro Ivan Reis (escolhido o melhor ilustrador de 2007 pelos leitores da revista Wizard graças a esse trabalho) e o norte-americano Ethan Van Sciver estão inspiradíssimos. Suas cenas são grandiosas e cheias de detalhes. Ao mesmo tempo, não descuidam da narrativa. As batalhas estão cuidadosamente coreografadas - e, se não fosse pelo time de arte, o roteiro competente se perderia.

Diante da boa qualidade das histórias de Johns, o capítulo escrito por Dave Gibbons fica aquém do resto da série. O texto é mais confuso - e caminha paralelamente à trama principal. A arte não tem o mesmo brilho. Mas, de qualquer forma, a HQ funciona.

A equipe editorial da Panini tem um bom punhado de méritos em Dimensão DC - a começar pelo título arejado e versátil escolhido para a publicação. Além disso, há facilitadores para situar perdidos e desgarrados: um resumo de eventos recentes na segunda capa e algumas notas espalhadas pela edição.

Já há até uma seção de cartas, que mostra o nível de expectativa dos leitores em relação a uma revista do Lanterna Verde. Nela, aliás, está o único erro gritante da revista: a palavra "cartras", em letras garrafais, em vez de cartas.

Mas tudo bem: o chaveirinho compensa.

Classificação: - Eduardo Nasi

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