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MATERIAL IMPORTADO
Título: A PIOR BANDA DO MUNDO # 1 A 6 (Devir
Livraria) - Edições especiais
Autor: José Carlos Fernandes (roteiro e desenhos).
Preço: 10 euros cada volume
Número de páginas: 56 a 72
Data de lançamento: 1998 a 2007
Sinopse:
A série retrata o cotidiano melancólico de uma cidade sem nome onde as
pessoas cultivam hábitos pouco ortodoxos.
Movidos por manias, medos, neuroses, paranóias ou pela simples excentricidade,
os moradores de um lugar sem localização exata e aparentemente estagnado
entre as décadas de 1940 e 1950 tocam suas vidinhas vazias sem grandes
sobressaltos.
Em meio a esse populacho urbano nada comum, um quarteto de jazz ensaia
três horas por dia no porão de uma alfaiataria (desativada em 1958) buscando
um entrosamento improvável.
Positivo/Negativo:
A série A Pior Banda do Mundo tem seis títulos publicados: O
Quiosque da Utopia, O Museu Nacional do Acessório e do Irrelevante
(ambos em 1998), As Ruínas de Babel (2003), A Grande Enciclopédia
do Conhecimento Obsoleto (2004), O Depósito de Refugos Postais
(2005) e Os Arquivos do Prodigioso e do Paranormal (2007).
Sarcástico, o texto explora a psicologia e o comportamento humanos em
caráter individual e coletivo, reforçando a crença popular segundo a qual
de perto ninguém é normal.
Nos álbuns, enquanto os burocratas do Ministério da Ergonomia aferem pesos
e medidas de produtos inúteis, bibliófilos deleitam-se com versões ultracondensadas
de romances obscuros e um crítico gastronômico com aversão a comida tece
comentários barrocos sobre quitutes que jamais provará.
Alheio a tudo isso, o líder do Partido Idiossincrático discursa para as
moscas, na esperança de que sua retórica distorcida afastará os potenciais
eleitores. E um astrônomo amador concentra seu desespero na inevitabilidade
do apocalipse cósmico - que deve ocorrer daqui a alguns bilhões de anos
- sem perceber que, no próprio entorno, seu mundo particular desaba.
Em meio a isso, a formação da Pior Banda do Mundo ajuda o leitor a compreender
sua má-fama: Sebastian Zorn, serrilhador de selos, sopra o sax; Idálio
Alzheimer, verificador meteorológico, dedilha o piano; Ignácio Kagel,
fiscal municipal de isqueiros, arranha o contrabaixo; e Anatole Kopek,
criptógrafo de segunda classe, castiga a bateria.
Desprovido de swing, ritmo e carisma, o conjunto fez uma única
apresentação pública, num restaurante - com resultados catastróficos,
claro. E agora estuda uma proposta para tocar num parque de perversões
sadomasoquistas.
José Carlos Fernandes, nascido em 1964 na região do Algarves e diplomado
em engenharia ambiental, despontou nos fanzines lusitanos no fim dos anos
1980, com uma paródia cômica de Alix, quadrinho épico de Jacques
Martin.
Em A Pior Banda do Mundo, lançada simultaneamente pela Devir
em Portugal e na Espanha, o autor exercita sua capacidade de síntese em
episódios de duas páginas cada um. Lidos isoladamente, eles apresentam
narrativas autônomas com início, meio e fim bem definidos. Somados, porém,
os enredos ganham força de um conjunto intrincado, complexo e profundo.
E divertidíssimo.
O vocabulário esdrúxulo do quadrinhista funciona como uma faca de dois
gumes. Para quem está disposto a ampliar o próprio repertório, os recordatórios
e diálogos repletos de expressões como nefelibata, psicotroponauta, hipnopedia,
gravítico, inflectir e ictiofauna são um convite a um mergulho num universo
fantástico digno de Julio Cortázar em dias inspirados.
Para aqueles que não têm familiaridade com a etimologia da língua nem
costumam consultar dicionários, no entanto, o texto se torna um obstáculo
quase intransponível.
O desenho, caricato e colorido por tons de sépia, reforça a noção de que
as ações transcorrem num passado recente. A indumentária dos personagens,
seus veículos, a arquitetura e os objetos do dia-a-dia têm um ar nostálgico
que remete ao período imediatamente posterior à Segunda Guerra. Mas os
calendários mostrados em cena confirmam: as histórias são atuais. Mais
uma contradição que faz pensar.
Classificação:   
- Marcelo Alencar, jornalista e responsável pelos textos complementares da coleção O Melhor da Disney - As Obras Completas de Carl Barks
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