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WHITEOUT – MORTE NO GELO Título: WHITEOUT - MORTE NO GELO (Devir Livraria) - Edição especial

Autores: Greg Rucka (texto) e Steve Lieber (arte).

Preço: R$ 25,00

Número de páginas: 128

Data de lançamento: Outubro de 2007

Sinopse: Carrie Stetko é uma agente federal que vive em uma estação norte-americana na Antártida, cercada de gelo e homens por todos os lados.

De repente, surge um cadáver, o primeiro de vários. É ela que, ao lado da inglesa Lily Sharpe, vai desvendar a série de assassinatos.

Positivo/Negativo: Whiteout está virando filme e é no embalo da produção de Hollywood, com estréia prevista para este ano, que a Devir lançou este álbum, que saiu originalmente como uma minissérie com o selo da editora independente norte-americana Oni Press. Mas a criação de Rucka e Lieber se impõe independentemente de lançamentos cinematográficos e da atriz Kate Beckinsale.

Em sua estrutura formal, Whiteout é um thriller pra lá de convencional. Sua narrativa não tem nada de surpreendente ou inovador.

O que dá brilho à história são as boas sacadas de Rucka. A maior delas é tirar a trama de um cenário convencional. Nada de Nova York ou Londres. O palco é a Antártida, enriquecida com uma pesquisa de roteiro exaustiva. O resultado é uma trama costurada com a geografia, o clima, os hábitos e a legislação local. Há meandros que mostram que essa história só poderia ser contada ali e em nenhum outro lugar.

A escolha da protagonista também é um acerto: Carrie é uma mulher de verdade, norte-americana morena, meio baixinha, meio gordinha, de sexualidade dúbia, bem mais próxima de uma coadjuvante de Love & Rockets do que protagonista de um policial. Vive numa proporção de muitíssimos homens para pouquíssimas mulheres, característica que a exploração dos pólos gelados divide com a indústria dos comics.

Contrapõe-se a eles, claro, mas não só: a outra moça, Lily Sharpe, é loira, alta, magra e inglesa (e algo de sua "inglesice", como é inevitável nessas obras de linguajar mais cotidiano, se perde na tradução).

No tabuleiro de xadrez todo branco do gelo, é nos pólos opostos de sexo e personalidade que Carrie se transforma em uma criatura carismática, que parece real.

Daí o papel essencial de Lieber na arte: com o nanquim preto, ele dá forma ao branco e ao contorno emocional aos personagens. Suas criaturas de papel são gente de verdade.

Whiteout é um dos bons lançamentos da Devir a partir do selo da Oni Press. Em formato um pouco menor que o americano, traz como extras ilustrações de artistas como Frank Miller, Matt Wagner e Mike Mignola. Apesar de ter passado um "sopetão" (p. 70, o correto é "supetão) e de um erro de crédito na imagem de Miller, a edição brasileira está bem cuidada.

É um bom sinal, afinal, a editora deve continuar a investir na linha com a publicação da segunda minissérie, Whiteout - Melt e com a elogiada série derivada Queen & Country.

Classificação: - Eduardo Nasi


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