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Os melhores quadrinhos de 2008
Mesmo num ano que terminou repleto de incertezas para os leitores de quadrinhos, houve grandes lançamentos, excelentes republicações e uma ótima safra de HQs nacionais
Por Sidney Gusman,
com a colaboração de Eduardo Nasi
nos títulos regulares (21/01/09)
O mercado brasileiro de quadrinhos terminou 2008 cheio de incertezas.
E as editoras optaram pelo silêncio, deixando os leitores sem informações,
mesmo com a insistência da imprensa em obtê-las.
A Conrad
teve, sem dúvida, o pior ano de sua história. Vários atrasos em lançamentos
de livros, mangás "interrompidos", sem sinal de que serão retomados, e
o conturbado processo de venda da editora, que quase
foi adquirida pela Ediouro, mas deve terminar 2009 como um
selo da Ibep/Companhia Editora Nacional.
A Pixel
Media, que ganhou o HQ Mix de melhor
editora de 2007, parece ter perdido o fôlego. Com a demissão de
seu editor-chefe, Cassius Medauar, as informações sobre o prosseguimento
do trabalho rarearam. A Ediouro, que é dona da Pixel, se
restringiu apenas a um vago comunicado oficial dizendo que nada mudaria,
mas o fato é que os leitores não sabem, por exemplo, se as revistas mix
Pixel Magazine e Fábulas Pixel sairão das bancas; ou se
álbuns de séries como Preacher e Sandman continuarão sendo
produzidos.
A Panini Comics
deu menos sustos em seus leitores. Mesmo assim, diminuiu o número de lançamentos
para livrarias, não retomou (como havia prometido) sua linha de HQs europeias,
não deu qualquer satisfação sobre a não continuidade dos títulos da Top
Cow e da Virgin e enfrentou diversos atrasos - quem acompanhou
o mangá Seton - Um naturalista viajante, por exemplo, está há mais
de oito meses esperando pelo segundo volume.
A promissora Desiderata
teve o ritmo de lançamentos (sempre de quadrinhos nacionais) diminuído
após ser adquirida pela Ediouro. E a Multi Editores, após
estrear com a série O Terceiro Testamento, deu uma sumida e também
não responde as questões sobre a continuidade do trabalho.
Mas, mesmo assim, não se pode dizer que o mercado foi drasticamente afetado.
Afinal, a média mensal de lançamentos - contando os independentes - continuou
acima dos 100 títulos. E saiu muito material bom, com destaque para o
número cada vez maior de republicações, tanto de obras consagradas quanto
de HQs de qualidade duvidosa.
Além disso, houve burburinhos interessantes nos lançamentos de Dimensão
DC - Lanterna Verde, da minissérie Hulk contra o mundo e, principalmente,
de Turma da Mônica Jovem, que chegou a ter tiragens acima de 400
mil exemplares e se tornou - ao menos em termos numéricos - o maior lançamento
de quadrinhos das últimas três décadas. A revista ainda se tornou habitué
das principais listas das obras mais vendidas em livrarias.
E, na contramão das editoras especializadas em quadrinhos, que se mostravam
receosas ao fim de 2008, a Companhia
das Letras anunciou a criação
de um selo especializado em HQs, que publicará excelentes materiais
estrangeiros e também álbuns brasileiros.
Por falar nisso, 2008 foi marcado também por ótimos quadrinhos nacionais.
Mais uma vez, não fosse o UHQ contrário a esse tipo de segmentação,
seria fácil montar um ranking só de materiais brasileiros, como
será visto nas listas abaixo.
Um fato que merece elogios, especialmente porque em 2007 foi um ponto
negativo apontado pelo Universo HQ, foi o cuidado com a língua
portuguesa. As editoras Panini e Pixel passaram a ter revisão
mais apurada e o número de erros caiu bastante, elevando a qualidade dos
produtos.
Após esse rápido resumo, é hora de conhecer os melhores de 2008. Selecionamos
20 obras dentre edições especiais e minisséries, 20 relançamentos e dez
títulos de periodicidade regular. Os critérios na escolha foram: ser,
literalmente, uma história em quadrinhos (livro ilustrado não vale) e
ter sua publicação iniciada ou concluída durante o ano passado.
Um critério que trazia bastante confusão em nossas listas anteriores era
o de considerar como inéditas obras que tivessem parte de histórias republicada
e parte de material que nunca havia sido publicado por aqui. Para tentar
"arrumar a casa", passam a ser consideradas inéditas apenas obras que
tiverem mais da metade de suas páginas de HQs nunca lançadas no Brasil
em formato de revista ou álbum.
Um caso à parte são algumas coletâneas de tiras. As que já haviam sido
lançadas em álbum, caso de Calvin & Haroldo, entram no time das
republicações. Mas as que haviam saído em jornais, mas cujo material ainda
não tinha sido completamente compilado em livro ou revista, casos de As
Tiras Clássicas da Turma da Mônica, Níquel Náusea - Em boca fechada
não entra mosca e de algumas compilações da L&PM.
Por fim, títulos regulares, além das revistas mensais, são os que, mesmo
com duração limitada, não foram concebidos como minissérie.
Então, confira abaixo, em ordem decrescente, os melhores lançamentos de
2008.
Edições
especiais e minisséries
20) Clara
da Noite (Zarabatana) - Este álbum, só de histórias de
duas páginas em preto e branco, sobre o dia-a-dia de uma prostituta é
uma leitura despretensiosa, leve e, por isso mesmo, deliciosa. Com piadas
envolvendo sexo, Carlos Trillo faz rir mesmo quando aborda temas que poderiam
não ter graça, como estupro, gravidez e cegueira. A protagonista encanta
pela leveza com que toca sua vida. E há os desenhos de Jordi Bernet -
ele deixa Clara da Noite simplesmente irresistível. Fica a torcida para
que a Zarabatana publique os demais álbuns da série - lá fora há,
pelo menos, mais quatro.
19) Violent
Cases (HQM) - Esta é primeira história em quadrinhos escrita
por Neil Gaiman e desenhada por Dave McKean. Está longe de ser um clássico,
mas é uma boa HQ. A trama é sobre um homem que relembra um fato marcante
de sua infância, quando, aos quatro anos, após ter deslocado o braço,
foi levado pelo pai a um osteopata que alegava ter trabalhado para Al
Capone. A maneira como passado e presente se mesclam mostram um quase
embrião do que se tornaria uma das marcas registradas de Gaiman em Sandman.
A edição vale também para mostrar o traço "puro" de McKean, sem pintura,
que foi pouco visto por aqui, mas é tão competente quanto.
18) Supremo
- A Era Moderna (Devir) - Quando publicou Supremo
no Brasil, anos atrás, a Brainstore não incluiu diversas histórias
do personagem, que permaneceram inéditas por aqui. Sorte da Devir,
que relançou esta grande homenagem de Alan Moore ao Superman de maneira
integral, com uma tradução melhor; e do leitor, que enfim pôde ler todas
as aventuras do super-herói. Os desenhos são de Jim Starlin, Rob Liefeld,
Matt Smith, Ian Churchill e Jim Baikie. A edição traz ainda um extra bacana:
uma matéria sobre a vida e a carreira de Jack Kirby, homenageado na última
HQ do Supremo.
17) Asterix
e seus amigos (Record) - Esta linda lembrança ao octogésimo
aniversário de Albert Uderzo não poderia ser esquecida. A edição traz
convidados do naipe de Milo Manara, David Lloyd, Stuart Immonen, Vicar
(chileno famoso por suas HQs Disney), Jean Van Hamme, François
Boucq, William Vance, Zep, Jacques de Loustal e grandes nomes do mercado
franco-belga, todos contando histórias dos irredutíveis gauleses. Como
bem escreveu Eduardo Nasi em sua resenha: "de repente, por gratidão a
uma HQ canônica, vários criadores se unem e constroem uma homenagem feita
de histórias simples, gostosas de ler, cheias de bom humor - e isso basta
para fazer um álbum memorável".
16) Local
- Ponto de Partida (Devir) - Muito interessante a sacada
do roteirista Brian Wood (de DMZ) de produzir uma série na qual
a protagonista Megan McKeenan vive cada capítulo em uma cidade diferente
dos Estados Unidos - e nem sempre ela é a personagem principal. Todas
as tramas são autocontidas e cada uma delas representa um ano na vida
da jovem. As histórias enfocam o dia-a-dia de pessoas comuns diante de
situações e escolhas que não são tão simples quanto parecem. Os desenhos
de Ryan Kelly estão longe de ser brilhantes, mas dão conta do recado.
15) Hellboy
- O Clamor das Trevas (Mythos) - Depois de quase uma década
de publicações esparsas, em 2008 a Mythos deu a Hellboy
o tratamento que a série merecia, com álbuns inéditos e republicações.
Nesta aventura, após passar dois anos preso no fundo do oceano, o demônio
vermelho retorna da morte numa ilha sinistra. O problema é que logo se
mete em outra encrenca, desta vez com a poderosa feiticeira Baba Yaga.
E tome mistério e pancadaria! Com roteiro de Mike Mignola e a bela arte
de Duncan Fegredo, que segura muito bem a onda de substituir o criador
do personagem.
14) Predadores
(Devir) - Quando perdeu os direitos de publicação dos materiais
da Vertigo e da Wildstorm, a Devir tratou de buscar
em outros nichos opções que satisfizessem seus leitores. E achou várias.
Predadores, escrita por Jean Dufaux e desenhada pelo magnífico
Enrico Marini, é uma delas. A saga dos vampiros Drago e Camilla, que cometem
vários assassinatos e deixam uma inscrição nas paredes, corpos completamente
esvaídos de sangue e uma agulha espetada atrás da orelha direita é envolvente.
E cresce ainda mais quando entra em cena a policial Lenore. Que a Devir
publique logo os dois tomos restantes.
13) Mortos-Vivos
- Volume 3 - Segurança atrás das grades (HQM) - Neste terceiro
volume da série, Robert Kirkman, agora acompanhado por Charlie Adlard
nos desenhos, deixa o leitor ansioso da primeira à última página. Os sobreviventes
comandados pelo policial Rick Grimes se refugiam no prédio de uma antiga
prisão de segurança máxima, onde encontram ex-detentos. Mesmo com um bom
estoque de alimentos, as desconfianças mútuas deixam a trama carregada
de tensão. Pela primeira vez, os humanos descobrem que podem ser mais
perigosos para si mesmos do que os zumbis comedores de carne que estão
do lado de fora.
12) Macanudo
# 1 (Zarabatana) - Enfim o argentino Liniers, que virou
cult mundo afora, estreou no mercado brasileiro. Os nossos jornais
ainda não publicam sua tira Macanudo, que desde 2002 é sucesso
no La Nación, de Buenos Aires, mas a Zarabatana tratou de
lançar sua primeira coletânea. Com influência declarada de clássicos como
Calvin, Mafalda e Peanuts, Macanudo prima por sacadas
sutis, mesmo sem fazer piada sempre. Este primeiro álbum ainda mostra
o autor inconstante, com vários altos e baixos, mas dá mostras de que
sua criação deve ocupar postos mais altos em próximas listas.
11) Surfista
Prateado - Réquiem (Panini) - O Surfista Prateado está
prestes a morrer e vem à Terra em busca de uma ajuda que não virá. Diante
do fim inevitável, o ex-arauto de Galactus percorre nosso planeta antes
de encontrar seu fim. Pelas palavras acima, tinha tudo para ser mais uma
HQ fajuta de morte de super-heróis, mas J. Michael Straczynski construiu
uma trama emocionante, bonita até - especialmente na participação do Homem-Aranha.
E sua missão foi ajudada pelos competentes desenhos de Esad Ribic. Uma
leitura bastante agradável, desde que se tenha em mente que morte
de super-herói sempre é reversível ou acontece "fora
da cronologia".
10) O
Fotógrafo # 2 - Uma história no Afeganistão (Conrad) -
Continuando sua missão no Afeganistão, o fotógrafo Didier Lefèvre chega
a Zaragandara, cidadezinha em que vai registrar o trabalho da organização
Médicos Sem Fronteira em um hospital que não é mais do que uma
pequena cabana sem equipamentos. A mescla de fotos e quadrinhos (desenhados
por Emmanuel Guibert, que também assina o roteiro) mostra uma realidade
que os ocidentais pouco conhecem e as grandes mídias não exibem. Com imagens
fortes, trata-se de uma obra literalmente verdadeira, em que finais felizes
são a ficção. Os fãs esperam que a Conrad traga logo ao Brasil
o terceiro e último volume da série.
9) Che
- Os últimos dias de um herói (Conrad) - Esta biografia
em quadrinhos do médico e guerrilheiro Ernesto "Che" Guevara, um dos líderes
da Revolução Cubana, reúne três grandes nomes das HQs argentinas: o roteirista
Hector Oesterheld e os desenhistas Alberto Breccia e Enrique Breccia.
É uma obra para ser lida e vista com atenção, com um texto bem trabalhado,
mas que claramente não é para o leitor de quadrinhos "comum". Apesar de
carecerem de uma narrativa mais fluida, os desenhos dos Breccia são belíssimos.
Enfim, independentemente das preferências ideológicas e políticas dos
autores, Che é uma boa história em quadrinhos.
8) Antes
do Incal 03 - Vhisky, SPV e Homeo-Prostitutas & O Beco do Suicídio
(Devir) - Apesar do nome, a série de seis álbuns (aqui publicados
em três) Antes do Incal foi criada depois de Incal. E o
roteirista Alejandro Jodorowsky conseguiu fazer uma obra digna de sua
antecessora. Zoran Janjetov não é Moebius, mas dá conta da arte com sobras.
Neste tomo especificamente, a grande sacada é que, apesar de ser ficcional,
futurista, cheia de naves, robôs e alienígenas, a história lida com a
essência do ser humano. A começar pela cutucada que dá na idolatria idiota
aos programas de televisão. Uma boa pedida é emendar a leitura desta saga
com Incal e ver a naturalidade com que a trama flui.
7) Mesmo
Delivery (Desiderata) - Rafael Grampá (vencedor
do Eisner Award na categoria Melhor Antologia, com a
revista independente 5,
ao lado dos gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon) estreou em grande estilo em
seu primeiro álbum solo - lançado primeiro nos Estados Unidos, pela AdHouse
Books. O ex-boxeador Rufo é contratado pela companhia Mesmo Delivery
para levar uma carga misteriosa a um determinado lugar sem abrir o contêiner
do caminhão e na companhia do velho Sangrecco. Pode não ser uma trama
primorosa, mas é muito bem amarrada e traz desenhos primorosos e detalhistas,
além de uma narrativa digna do cinema, com tomadas variadas e ângulos
quase inimagináveis.
6) Prontuário
666 (Conrad) - Como enalteceu em sua resenha o jornalista
Eduardo Nasi, Prontuário 666 foi um dos grandes lançamentos de
2008: não só pela HQ fantástica que é, mas pelo papel fundamental que
tem em revigorar nos quadrinhos um dos mais importantes personagens da
cultura brasileira. Na história, passada em 1988, dentro da Casa de Detenção
de São Paulo, os autores Samuel Casal (roteiro e arte) e Adriana Brunstein
(texto) retratam o encarcerado Zé do Caixão como um homem em busca da
mulher perfeita para criar uma linhagem de seres humanos superiores, num
lugar onde pode matar à vontade. Uma HQ que faz jus ao mito criado por
José Mojica Marins.
5) Fell
- A cidade brutal - Volume 1 (Landscape) - O detetive de
polícia Rich é transferido para a tenebrosa Snowtown, um lugar onde andar
fora da lei parece ser o correto. O plot não tem nada extraordinariamente
inovador, mas o roteirista Warren Ellis se encarrega de deixar a trama
instigante, sempre com histórias autocontidas. E os desenhos "nervosos"
de Ben Templesmith dão à história o necessário tom de mistério. O álbum
compila as oito primeiras edições originais norte-americanas. Agora, espera-se que Ellis e Templesmith dêem continuidade ao projeto - e a Landscape, que estreou no mercado de quadrinhos com Fell (e o horrendo Sam
Noir - Detetive Samurai), possa continuar a série.
4) Chibata!
- João Cândido e a revolta que abalou o Brasil (Conrad)
- Eis (mais) um exemplo de quanto o quadrinho nacional pode ter qualidade,
mesmo abordando assuntos da nossa História que permaneciam esquecidos
ou até desconhecidos. Ao resgatarem a epopeia de João Cândido, o Almirante
Negro, que em 1910 comandou uma rebelião de marujos brasileiros (quase
todos negros) cansados de serem tratados como escravos, o roteirista Olinto
Gadelha e o desenhista Hemeterio construíram uma grande HQ e prestaram
um serviço ao País. Afinal, trata-se de uma passagem vergonhosamente escondida
pela Marinha brasileira durante décadas.
3) O
Cabeleira (Desiderata) - Este foi um dos grandes álbuns
de quadrinhos nacionais de 2008. Com um roteiro envolvente e cheio de
flashbacks, Leandro Assis e Hiroshi Maeda mostram ao leitor como
foi forjado o bandoleiro José Gomes, mais conhecido como Cabeleira. E
com desenhos inspirados do veterano Allan Alex, que dá um show na diagramação
das páginas e nos enquadramentos. Enfim, uma obra que faz jus ao livro
de Franklin Távora, que a inspirou, publicado em 1876 e considerado o
primeiro romance regionalista ambientado no Nordeste do Brasil.
2) O
Pequeno Príncipe (Agir) - Esta belíssima HQ chegou às livrarias
quase no final do ano, o que a deixou fora de algumas listas elaboradas
antes de 2008 chegar ao fim. Uma pena. Mais que adaptar o clássico livro
de Antoine de Saint-Exupéry, o premiado quadrinhista Joann Sfar (autor
da série O Gato do Rabino) imprimiu à obra seu toque pessoal, deixando-a
tão marcante quanto a original, mas com um quê diferente e encantador.
Não à toa, a conceituada revista literária francesa Lire
o elegeu como o melhor álbum de quadrinhos da França em 2008.
Ponto para a Agir, selo da Ediouro, pela rapidez em trazer
a obra para o Brasil.
1) Os
Leões de Bagdá (Panini) - Apesar do grande número de lançamentos,
2008 não teve, nas listas de melhores que pipocaram pelo mercado, um título
considerado unanimidade. No Universo HQ não foi diferente. Aqui,
o primeiro lugar ficou com a bela graphic novel Os Leões de Bagdá,
que narra as desventuras de um bando de leões que perambulam por Bagdá
após os bombardeios norte-americanos ao Iraque destruírem o zoológico
onde viviam. Esta foi a única obra que esteve na lista de melhores do
mês de todos os integrantes do site, no Blog do UHQ. E há
razões para isso. A metáfora que o roteirista Brian K. Vaughan faz dos
leões Zill, Noor, Safa e Ali - todos com características humanas - representando
o povo iraquiano é tocante. E os desenhos de Niko Henrichon dão à obra
um tom de uma fábula moderna. A Panini valorizou isso com um tratamento
gráfico diferenciado e até um hotsite.
E ainda merecem "menções honrosas": Revelações,
Níquel
Náusea - Em boca fechada não entra mosca, A
Força da Vida, O
Circo de Lucca e Usagi
Yojimbo - Daisho, da Devir; O
garoto verme, Dr.
Bubbles & Tilt - Volume 1 - Sideral, Underworld
e Cicca
Dum-Dum, da Zarabatana; Vida
Louca, Jornada
ao Oeste - O Nascimento do Rei dos Macacos, Desista!
E Outras Histórias de Franz Kafka e Os
Pequenos Guardiões, da Conrad; Tom
Strong - A Invasão das Formigas Gigantes, da Pixel; Menina
Infinito e Malvados,
da Desiderata; Aú,
o capoeirista, da Papel A2; Estúpidas,
estúpidas caudas-de-ratazana, Como
Coelhos, Pés
de Pato - Love & Rockets Volume 2 e Bone
# 11 - A Caverna do Ancião, da Via Lettera; O
Terceiro Testamento, da Multi Editores; Hellboy
- A Feiticeira Troll & outras histórias, Tex
Especial 60 anos e Groo
- 25 anos de desastres, da Mythos; Radicci
- Tem outro por dentro, da L± Turma
da Mônica em O Mágico de Oz, Seton
- Um Naturalista Viajante # 1 - Lobo, o rei de Currumpaw e As
Tiras Clássicas da Turma da Mônica - Volume 3, da Panini;
Diário
de um Banana (apesar de ser mais um livro ilustrado do que uma
HQ) e Gaturro,
da V&R; A
casa ao lado e Quadrinhofilia,
da HQM; No
divã com Adão, da Planeta; a independente Mariazinha
em verso & prosa; os álbuns "mudos" de Ken Parker, A
lua de Magnólia em flor, Soleado
e Pálidas
Sombras, do CLUQ; Frango
com Ameixas e As
aventuras de Tintim - Repórter do "Petit Vingtième" no país dos sovietes,
da Companhia das Letras; O
Alienista, da Ática; e O
catador de batatas e o filho da costureira, da JBC.
Republicações
20) Justiceiro
- Bem-vindo de volta, Frank (Panini) - Frank Castle vinha
sofrendo nas mãos de roteiristas pífios até que Garth Ennis assumiu suas
histórias e deu um novo ânimo à sua carreira de combate, ou melhor, de
extermínio ao crime. E como os desenhos ficaram sob a batuta de Steve
Dillon, velho parceiro de Ennis em Preacher, o resultado não poderia
ser outro: sangue jorrando pelas páginas e o Justiceiro de volta ao que
faz melhor. Ninguém quer histórias "cabeça" dele; o leitor quer é vê-lo
fazendo justiça com as próprias mãos. Azar da família de mafiosos
chefiada pela matriarca Mama Gnucci.
19) O
Melhor da Disney - As Obras Completas de Carl Barks (Abril)
- Quando cancelou quase todos os seus títulos Disney, houve quem
duvidasse que a Abril terminasse essa magnífica coleção. Felizmente,
os incautos estavam errados e em outubro, com o número # 41, a editora
concluiu a publicação da série, compilando todas as histórias em quadrinhos
produzidas pelo genial Carl Barks. E com o mesmo padrão gráfico e editorial
que esteve presente desde a estreia. Na última edição, o destaque fica
para os Escoteiros Mirins, com os últimos scripts preparados pelo
"homem dos patos".
18) Biblioteca Histórica Marvel - O Surfista Prateado # 1 (Panini) - As
primeiras histórias do ex-arauto de Galactus não são novidade nem mesmo
em compilação, já que a Mythos já as havia publicado em Surfista
Prateado - Edição Histórica. Mas desta vez elas ganharam um acabamento
luxuoso, digno do tom clássico que as HQs Stan Lee e John Buscema inspiram.
Mas cabe um puxão de orelhas na Panini, pois comparando o álbum
com o volume da Mythos é fácil notar que foi utilizado o mesmo
texto - até as notas editoriais são iguais.
17) Os
Maiores Super-Heróis do Mundo (Panini) - Este álbum gigante
- talvez a mais bela edição de super-heróis publicada no Brasil em todos
os tempos - compila as parcerias de Paul Dini e Alex Ross: os ótimos Superman
- Paz na Terra, Batman - Guerra ao crime e LJA - Liberdade
e Justiça; e os apenas razoáveis Shazam - O poder da esperança,
Mulher-Maravilha - O espírito da verdade e LJA - Origens secretas.
Os autores procuram levar os super-heróis de volta às suas raízes, em
histórias com um tempero com o qual não estão acostumados: o fracasso.
E com a arte belíssima de Ross, a leitura fica ainda mais prazerosa.
16) Corto
Maltese - As Etiópicas (Pixel) - Este é o álbum da série
com menos ação até o momento. As etiópicas (que já havia saído,
com arte reduzida, como Corto Maltese na Etiópia, no já fora de
catálogo 211º volume da Coleção L&PM Pocket) traça um retrato fascinante
de uma região da África com características muito particulares, marcada
por uma multiplicidade de povos e etnias, desde tribos ancestrais até
muçulmanos - incluindo os enviados de nações europeias com desejos coloniais.
Ainda assim, a passagem de Corto Maltese por lá em plena I Guerra Mundial
rende uma grande história. Duro é saber se a Pixel continuará publicando
os álbuns da criação máxima de Hugo Pratt.
15) Biblioteca
Histórica - Capitão América # 1 (Panini) - Para os fãs
veteranos, é quase impossível ler este belo álbum sem cantarolar mentalmente
"Quando o Capitão América lança o seu escudo...", o tema de seu desenho
(des)animado dos anos 1960. E, apesar de as histórias serem datadas, é
um grande barato acompanhar o Sentinela da Liberdade (tão castigado na
minissérie recente Guerra Civil) sendo resgatado pelos Vingadores
após passar duas décadas em animação suspensa dentro do gelo. A adaptação
de Steve Rogers aos dias atuais é inesquecível, bem como o combate contra
os Hibernantes. Cortesia de Stan Lee (texto) e Jack Kirby (arte).
14) Os
Invisíveis - Revolução (Pixel) - Talvez Os Invisíveis
seja o mais autoral dos trabalhos de Grant Morrison - alguns até consideram
a série "semiautobiográfica". Este primeiro tomo, que reúne as oito primeiras
edições da revista, mostra o recrutamento de um jovem para a célula integrante
de uma organização anarquista e terrorista cujo objetivo é lutar contra
a opressão física e psíquica causada pelos alienígenas Arcontes, que influenciam
o destino da humanidade por intermédio de agentes plantados em nossa realidade
que aguardam o momento certo de rasgarem as paredes da realidade e dominarem
nosso universo. Tudo permeado com dezenas de referências culturais e científicas,
como a Teoria do Caos, Mitologia Asteca, sociedades secretas, metafísica,
literatura medieval, viagem no tempo e muito mais.
13) Piratas
do Tietê - A Saga Completa - Volume 3 - Fazia tempo que os fãs
de Laerte sonhavam com compilação bacana de Os Piratas do Tietê,
os personagens mais famosos do autor. E a Devir e a Jacaranda
mandaram muito bem com esta coleção em três volumes graficamente caprichados
(com direito a capa dura) e com extras bem interessantes, que reúne o
material anteriormente publicado na revista dos personagens (as tiras
de jornais não estão presentes). Este álbum traz aventuras clássicas,
como Balada do lobisomem, Destino da sereia, Motim
e outras; além de um pôster incrível dos personagens.
12) Coleção
DC 70 Anos (Panini) - No ano em que a DC comemorou
seu septuagésimo aniversário, esta bela sacada da Panini não poderia
ficar de fora. Baseada na norte-americana The greatest stories ever
told, esta coleção apresenta aventuras clássicas, de todas as épocas,
de (pela ordem de publicação) Superman, Lanterna Verde, Mulher-Maravilha,
Flash, Liga da Justiça e Batman. Além disso, a editora criou um site
para a obra, com extras como papéis de parede com arte de Alex Ross, ícones
variados de MSN Messenger e banners. A iniciativa deu tão
certo, que foi repetida em Superman - 70 Anos.
11) Fábulas
- Lendas no Exílio (Pixel) - A ideia de Bill Willingham
de mudar a personalidade de personagens que povoaram a infância de várias
gerações é divertidíssima. E os bonitos desenhos de Lan Medina contribuem
para o sucesso de Fábulas. Como a primeira edição deste álbum (com
o arco ganhador do Eisner Award de melhor história em capítulos
de 2002), da Devir, estava esgotada, esta é uma oportunidade para
que novos leitores conheçam a série. Agora é torcer para que a Pixel
continue a publicá-la, como vinha fazendo na revista Fábulas Pixel.
10) Batman
- O longo dia das bruxas (Panini) - Este é um trabalho
que, ao lado de Demolidor: Amarelo e Superman
- As quatro estações, mostra que nem sempre as HQs escritas por
Jeph Loeb são dignas do esquecimento. A trama com Batman em início de
carreira perseguindo o assassino serial que ataca apenas em feriados é
envolvente e bem desenvolvida. E conta com o desenho competente de Tim
Sale e num álbum caprichado, que traz ainda entrevistas com os autores
da minissérie original, e conversas com Christopher Nolan e David Goyer,
respectivamente diretor e roteirista de Batman - O Cavaleiro das Trevas,
que tem cenas inspiradas nesta trama.
9) As
Aventuras de Tintim - Tintim no Tibete (Companhia das Letras)
- No ano em que a Companhia das Letras concluiu a publicação de
Tintim, o álbum presente nesta lista poderia ser também Vôo
714 para Sydney ou Perdidos no mar. Afinal, todos trazem tramas
que prendem a atenção do leitor, numa gostosa mistura de ação e humor.
Mas esta aventura no Tibete, na qual o jovem repórter, na companhia de
Milu e do capitão Haddock, tenta resgatar seu amigo Tchang, que estava
num avião que cai no Himalaia, tem um tempero especial pelo fato de Tchang
ter sido inspirado no amigo de Hergé, o chinês Chang Chong-jen.
8) Preacher
- Guerra ao Sol (Pixel) - Neste arco de Preacher,
só falta jorrar sangue das páginas. E é justamente por isso que os leitores
curtem tanto essa fase. A perseguição de Herr Starr (com direito a participação
do exército) a Jesse Custer, que acaba de chegar ao Texas devidamente
acompanhado do vampiro Cassidy e Tulipa, termina numa verdadeira batalha
campal que acontece em Monument Valley, com o Santo dos Assassinos matando
todos que aparecem em seu caminho. E o destino de Herr Starr, com direito
até a cenas de canibalismo, deixam a trama ainda mais instigante.
7) John
Constantine - Hellblazer - Hábitos Perigosos (Pixel) -
Um resgate bem oportuno. Afinal, trata-se da saga que muitos consideram
a melhor de Hellblazer em todos os tempos. John Constantine está
enrascado, pois um câncer terminal está, literalmente, o dizimando aos
poucos. Mas seguindo o ditado "perdido por um, perdido por dez", o mago
inglês encara o problema do seu jeito: botando pra arregaçar. O pacto
que faz com o diabo e as consequências disso deixam sua vida, que já era
uma zona, mais conturbada ainda. Para sempre. Cortesia de Garth Ennis.
Pena que a arte de Will Simpson não seja das mais brilhantes.
6) Surpreendentes
X-Men # 1 (Panini) - Joss Whedon, criador das séries de
TV Buffy, a Caça-Vampiros e Angel, fez os entusiastas de
X-Men lembrarem que os personagens ainda podem histórias marcantes.
O roteiro fisga tanto fãs veteranos quanto leitores novos de maneira simples,
com muita pancadaria, humor, clichês bem trabalhados e momentos emocionantes,
como o reencontro de Colossus e Kitty Pride. E com a arte fantástica de
John Cassaday. Não é um clássico, mas para quem acompanha os títulos "X"
mensalmente, Surpreendentes X-Men, é um alívio e tanto - nosso
resenhista Zé Oliboni que o diga.
5) Promethea
- Livro 1 (Pixel) - Em termos de séries regulares, esta
talvez seja a principal criação de Alan Moore em toda a sua carreira.
O processo que mostra a estudante Sophie Bangs, numa Nova York futurista,
se transformando em Promethea, que até então a jovem achava que era uma
lenda urbana, já é encantador por si só. Mas o roteirista inglês não se
contenta com pouco, e permeia as aventuras com dezenas de referências,
que tornam a leitura ainda mais saborosa. Além disso, J.H. Williams III
faz um trabalho primoroso na diagramação das páginas. Este álbum, em que
a trama está apenas "esquentando", reúne as seis primeiras histórias da
personagem. Resta saber se a Pixel continuará a publicação, seja
em formato livro ou na revista Fábulas Pixel, na qual a série estreou
na edição # 4.
4) Starman
- Volume 1 (Panini) - Este arco de Starman, com
o começo do que se tornaria uma das melhores HQs de super-heróis dos anos
1990, é um grande barato. A "briga" de Jack Knight com si mesmo para saber
se assume o posto de super-herói de Opal City (até então ocupado por seu
irmão David, que é assassinado) é o principal atrativo da trama elaborada
por James Robinson. Afinal, Jack é um comerciante de coisas antigas, não
é forte e detesta uniformes colantes e coloridos. Ainda assim, na essência,
é um herói. E a maneira como são inseridos na trama o Sombra e os antigos
Starmen só deixa o leitor mais ansioso pelas próximas edições. Tomara
que a Panini as publique, levando a série até o fim.
3) Calvin
& Haroldo - Yukon Ho! (Conrad) - É muito, muito difícil
encontrar em quadrinhos algum material que praticamente todos os leitores
gostam. Calvin & Haroldo talvez seja o que mais se aproxima da
unanimidade. E não é pra menos. Bill Watterson deu vida a uma das melhores
tiras de todos os tempos, um clássico, mesmo tendo sido publicada por
apenas dez anos - o autor cessou a produção em 1996. Quando lidas assim,
em forma de coletânea, as tiras ganham ainda mais graça e não é raro o
leitor dar sonoras gargalhadas enquanto "devora" o álbum. Em 2008, a Conrad
publicou ainda Tem alguma coisa babando debaixo da cama e Criaturas
bizarras de outro planeta!, que também poderiam estar nesta terceira
posição. Vai do gosto do freguês.
2) Planetary
- Deixando o Século 20 (Pixel) - Em termos de séries regulares,
Planetary é uma das melhores HQs de super-heróis de todos os tempos
e deu novo gás ao gênero. Este álbum, que compila as edições # 13 a #
18, publicadas anteriormente na Pixel Magazine, é uma aula de narrativa.
Tanto de Warren Ellis no roteiro, quanto de John Cassaday nos desenhos.
Na trama, Elijah Snow, o líder da organização internacional que desvenda
a História secreta do mundo, contracena com Sherlock Holmes, Drácula e
Anna Hark, além de visitar a cidade perdida de Opak-re. Tudo com muita
ação e diversas referências e a participação de Jakita e do Baterista,
preparando o terreno para o aguardado "posfácio" da série, no ainda inédito
Planetary # 27. Segundo Ellis, o roteiro foi concluído no final
de 2007 e estaria com Cassaday. Portanto, 2009 tem tudo para ser o ano
do desfecho das aventuras dos Arqueólogos do Impossível.
1) Sandman
- Despertar (Conrad) - A Conrad concluiu a publicação
de Sandman com o mesmo apuro gráfico e capricho de toda a coleção,
que teve também Entes
Queridos em 2008. Esta, com certeza, não é a melhor saga do título,
mas a maneira como Neil Gaiman amarra todas as pontas soltas que foi deixando
durante o decorrer das edições é de uma competência extrema. Desde os
depoimentos de sonhadores de toda a existência, prestando suas derradeiras
homenagens a Lorde Morpheus, até a "posse" de Daniel como novo regente
do Sonhar, passando pelos últimos vislumbres de Hob Gadling e William
Shakespeare, tudo é muito bem orquestrado. E, mesmo parecendo paradoxal,
o nome Despertar cai como uma luva para encerrar a série, que se
tornou a mais cultuada HQ regular das últimas décadas. Tanto é que a Pixel
já a recomeçou
novamente, agora num novo formato.
Outras republicações que merecem ser citadas: Biblioteca Histórica
Marvel - Homem-Aranha # 2, Os
Maiores Clássicos do Homem de Ferro # 1, Superman Crônicas
- Volume 2, Turma da Mônica - Coleção Histórica, O
Evangelho segundo Lobo, Os
Maiores Clássicos do Poderoso Thor # 3 e Legião
dos Super-Heróis - A Saga das Trevas Eternas, da Panini;
Ex Machina - Símbolo - Completo, Fábulas 1001 Noites - Completo,
Emmanuelle
- Volume 1, os volumes Dia,
Hora, Minute... Man e Pequenos
Vigaristas, Grandes Negócios, da série 100 Balas, Authority
- Transferência de Poder Completo, Preacher Memórias e Astro
City - Samaritano Especial e outras histórias, da Pixel; a
coleção Hellboy
- Edição Histórica, da Mythos; Leão
Negro - Série Origens - Volume 1 - Gardo, da HQM; Hard
Boiled - À Queima-Roupa, Luluzinha - Uma dupla do barulho
e Chiclete
com Banana - Antologia, da Devir; e Delírios
Cotidianos, as séries Snoopy, Garfield e as coletâneas
de Laerte e Angeli, pela L± e as independentes Muertos
e F.D.P.
- Se não morrer ninguém não é notícia.
Títulos regulares
10) Gantz
(Panini) - Gantz é bem interessante: pessoas que morreram
vão parar num quarto misterioso, onde ganham, de uma enigmática bola negra,
armas potentes e trajes para eliminar alienígenas monstruosos e ganhar
pontos por isso - quem completar 100, escolhe um prêmio especial. Hiroya
Oku fez do jovem Kei Kurono um bom protagonista e encheu as páginas de
ação, violência e pitadas de erotismo (as aberturas de capítulos trazem
beldades seminuas, mesmo não tendo nada a ver com a história). Mas, neste
ano, ficou nítido que o autor passou a "enrolar", criando novos elementos
para ampliar o escopo da trama original. A razão, possivelmente, é o sucesso
do mangá. É comum os editores japoneses esticarem a história o máximo
que puderem.
9) Os
Novos Vingadores (Panini) - Eis uma revista que manteve
um mix equilibrado durante o ano. A volta de Thor, pelas mãos do escritor
J. Michael Straczynski, foi o grande destaque em 2008. Além disso, o título
que nomeia a publicação passou por bons momentos, sempre criados pelo
competente, porém verborrágico, Brian Bendis. E houve o Capitão América
de Ed Brubaker, que, gostem ou não os fãs mais radicais, é bem escrito.
E foi na edição
# 49 de Os Novos Vingadores que os leitores brasileiros puderam
conferir a morte do Sentinela da Liberdade, que foi notícia em todo o
mundo, inclusive em veículos de imprensa que raramente divulgar quadrinhos.
8) Dimensão
DC - Lanterna Verde (Panini) - Esta foi uma revista efetivamente
bem planejada. Mérito da Panini, que agrupou na mesma publicação
toda a elogiada saga A guerra dos anéis, que se passa dentro do
Universo DC e envolve especialmente os Lanternas Verdes. A história
não passa nem perto de um futuro clássico, porém é competente. Tem clichês
à vontade, mas compensa pela ação das batalhas, principalmente as desenhadas
por Ivan Reis e Ethan Van Sciver. A série principal, é verdade, leva as
demais do mix nas costas, no entanto, a estratégia deu certo especialmente
por conseguir cativar os leitores.
7) Turma
da Mônica Jovem (Panini) - É impossível ficar alheio ao
que Turma da Jovem Jovem gerou de "barulho" em 2008. Desde o lançamento
na Bienal do Livro de São Paulo, a revista não parou de crescer
em tiragem, ganhou destaque na imprensa de todo o Brasil e vendeu muito.
O primeiro arco de histórias não é, e nem pretendia ser, algo inovador.
A ideia era continuar fazendo uma HQ iminentemente de humor (são muitas
as paródias na trama, algo que já acontecia nos gibis da Turminha),
com pitadas de aventura e romance. Pela chacoalhada que deu no mercado
e por coroar as renovações recentes da Mauricio de Sousa Produções,
não poderia ficar fora desta lista.
6) Marvel
Action (Panini) - Se Marvel Action fosse um time
de futebol, o Demolidor, escrito por Ed Brubaker e desenhado por
Michael Lark e Stefano Gaudiano, com certeza seria o craque. Continua
dando gosto ler a série. Assim como já foi na "temporada" passada. Entretanto,
em 2008 teve outro bom jogador para "compor o meio de campo": o Justiceiro,
de Matt Fraction (texto) e Ariel Olivetti (arte), apesar daquela patacoada
de Frank Castle com uniforme em homenagem ao Capitão América. Juntos,
esses dois materiais levaram a equipe nas costas e até abriram espaço
para Pantera Negra e Cavaleiro da Lua marcarem alguns "golzinhos"
durante o ano.
5) Mágico
Vento (Mythos) - Este continua sendo um dos títulos mais
bem escritos publicados no Brasil. Os roteiros de Gianfranco
Manfredi são de tirar o chapéu. Tramas permeadas de pesquisa histórica,
ação e mistério na dose certa, personagens bem delineados e marcantes.
Assim é Mágico Vento, fumetto para o qual muitos leitores
de outros gêneros torcem o nariz por um tolo preconceito. A não ser que
alguém tenha algo contra grandes HQs, vale a pena acompanhar a saga do
xamã Ned Ellis e seu amigo Poe. E em 2008 ainda houve uma edição, a #
70, desenhada pelo magnífico Ivo
Milazzo, de Ken Parker.
4) Homunculus
(Panini) - Como escreveu Eduardo Nasi para este jornalista, durante
nosso brainstorm eletrônico, "em 2008, esta foi a única série que
trouxe cheiro de novo para um mercado que vive de reciclagem". É verdade,
mesmo com um desenho no máximo correto. O roteiro de Hideo Yamamoto vai
numa crescente impressionante desde o primeiro número; e as ideias do
autor, em determinados momentos, chegam a assustar de tão inusitadas.
Susumu Nakoshi passa por uma trepanação (cirurgia antiga em que é feito
um furo na caixa craniana do paciente, para liberar o seu "sexto sentido"),
feita pelo bizarro médico Manabu Ito. A partir de então, começa a ter
visões que podem ser classificadas, no mínimo, como perturbadoras.
3) Pixel
Magazine (Pixel) - Pra simplificar, esta é a melhor revista
mix do mercado brasileiro de quadrinhos. De longe. Com materiais de qualidade
à mão, a editora conseguiu sempre compor a publicação de maneira equilibrada,
mesmo com as saídas das excelentes Planetary e Promethea.
Isso porque contava com séries como Frequencia Global, Hellblazer,
Ex Machina, DMZ (que enfim engrenou) e Y - O último homem.
Sem ter contra si as amarras da cronologia, pôde trabalhar de modo a oferecer
ao público uma baita leitura. O único - e grande - senão é saber se, com
os problemas da Pixel, a Pixel Magazine continuará nas bancas.
2) Grandes
Astros - Superman (Panini) - Mesmo tendo tido apenas quatro
edições publicadas, 2008 foi o grande ano de Grandes Astros - Superman.
O roteirista Grant Morrison continuou sua quase ode à Era de Prata, é
verdade, mas encheu as histórias de menções que vão muito além dos quadrinhos.
E a trama principal - que lida com a morte do Superman - se desenvolve
de maneira harmoniosa tanto no texto quanto na arte excepcional de Frank
Quitely. Especialmente o número
10, em que o Homem de Aço recria a nossa Terra num laboratório é "apenas"
fabuloso. E a Panini merece elogios pela agilidade em lançar as
edições no Brasil logo após a edição norte-americana sair nos Estados
Unidos.
1) J.
Kendall - Aventuras de uma criminóloga (Mythos) - Desde
que começou a ser publicada no Brasil, pela Mythos, J. Kendall
- Aventuras de uma criminóloga (que nasceu Júlia, mas mudou
de nome) esteve dentre os melhores títulos regulares do mercado. Mas
em 2008, enfim, chegou ao topo do ranking, graças aos roteiros
extremamente bem escritos do italiano Giancarlo Berardi, que conseguem
algo raro - agradar tanto aos homens quanto às mulheres. Como bem lembrou
Marcelo Naranjo em sua matéria
sobre as 50 edições da revista, o autor, na entrevista
concedida ao Universo HQ, explicou a razão: "Não escrevo sobre
uma heroína, mas sobre uma mulher de hoje, inteligente, sensível, bem-sucedida
profissionalmente, intuitiva, independente. Uma mulher normal. E como
o que me interessa é contar a vida...". Isso tudo aliado a desenhos sempre
ótimos, de nomes como Laura Zuccheri, Mario Jannì, Enio, Roberto Zaghi,
Thomas Campi, Federico Antinori e outros. Portanto, se você é um daqueles
que não leu este sensacional fumetto, ainda é tempo.
Merecem "menções honrosas": Naruto (manteve uma média razoável,
com algumas edições de destaque), Superman (irregular, mas com
alguns bons momentos), Batman (nos números em que contou com a
presença de Paul Dini, Grant Morrison e J.H. Williams), o surpreendente
mangá MPD Psycho e Marvel Max (Justiceiro, Nova
Onda e Barracuda foram uma diversão legal), da Panini;
Fábulas Pixel (prejudicada pela falta de periodicidade), da Pixel;
e as independentes Tempestade
Cerebral, Depois
da meia-noite, Grafitti
76% Quadrinhos, Quadrinhópole
e Avenida.
Sidney Gusman continua lendo muitos, muitos quadrinhos. De todos os gêneros, sem distinção. Mas no ano que passou, felizmente, teve a colaboração de Eduardo Nasi na parte dos títulos periódicos, pois admite: não tem mais saco para alguns materiais, especialmente de super-heróis. E você, o que achou desta lista? Poste seus comentários no Blog do Universo HQ
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