Por Sérgio Codespoti
| 01-09-09
Ontem,
31 de agosto, a Walt Disney Company (NYSE:DIS, na bolsa
de valores) anunciou que fechou um acordo para a compra da Marvel
Entertainment (NYSE:MVL, na bolsa de valores) e seu portfólio
de mais de cinco mil personagens.
Esta transação foi feita de comum acordo pelos membros dos Conselhos Deliberativos
da Marvel e da Disney.
A
Marvel Entertainment, Inc. surgiu da fusão entre a Marvel
Entertainment Group, Inc. e a Toy Biz, Inc..
A Marvel Entertainment é formada por aproximadamente 24 divisões
e subsidiárias, entre elas Marvel Publishing, Marvel Toys, Marvel
Characters, Marvel Studios e Marvel Animation.
Segundo os termos do acordo de compra da Marvel, a Disney
pagará 50 dólares por ação (um prêmio de 29% em relação aos valores de
28 de agosto) da Marvel, o que dá aproximadamente 4 bilhões
de dólares, em dinheiro. Os acionistas da Marvel receberão
um total de 30 dólares por ação em dinheiro, e mais 0,745 ações da Disney
para cada ação da Marvel que eles possuírem.
Esses valores poderão ser ajustados no fechamento do acordo, para que
pelo menos 40% do pagamento seja feito em ações da Disney.
O acordo só estará fechado e concretizado se estiver dentro da lei antitruste
Hart-Scott-Rodino e for aprovado pelo governo estadunidense. Além disso,
os acionistas da Marvel também têm que aprovar a fusão.
Tudo isto deverá estar finalizado em dezembro. Até lá, nada muda.
O anúncio da fusão fez as ações da Marvel subirem mais
de 25%. Curiosamente, a reação inicial para a Disney
foi negativa, com uma queda de 3% no valor de suas ações.
Robert A. Iger, presidente da Disney, declarou que "a
fusão combina a marca forte da Marvel e seu portfólio de personagens,
com uma estrutura de negócios que está preparada para maximizar o valor
de propriedades intelectuais em diversas plataformas no mundo inteiro".
Iger também elogiou o trabalho de Ike Perlmutter e sua equipe, que transformaram
a Marvel numa empresa de grande valor.
"Acreditamos que a adição dos portfólios de marcas da Disney
e da Marvel resultará em grandes oportunidades e crescimento
de longo prazo", disse Iger.
Ike Perlmutter, presidente da Marvel, disse que "Esta
é uma oportunidade sem precedentes para a Marvel ampliar
a força de sua marca e de seus personagens usando a infraestrutura global
da Disney".
Numa conferência com a imprensa, Robert Iger e Tom Staggs (vice-presidente
sênior da Disney) responderam a várias perguntas sobre
eventuais mudanças na Marvel.
Para começar, o nome da Marvel não vai mudar. Ike Perlmutter
continuará sendo o presidente e comandará a empresa com a mesma independência,
mas com a conveniência de poder usar a estrutura da Disney para
fazer com que seus produtos atinjam um público mais abrangente.
Por enquanto, os acordos de distribuição e licenciamento continuam como
estão.
A Disney vai honrar o contrato de distribuição da Marvel
com a Paramount (que inclui mais cinco filmes, entre
eles Iron Man 2, Thor, Capitão América e Vingadores),
antes de revisar esta situação. Apesar disso, Iger deixou claro que, a
longo prazo, a Disney pretende ser a única distribuidora
de filmes da Marvel.
Os contratos da Marvel com a Sony (referente
ao Homem-Aranha) e a Fox (filmes dos X-Men e Wolverine)
também serão cumpridos, e serão reavaliados quando chegarem ao fim de
seu prazo legal.
Os executivos da Disney fizeram questão de ressaltar
que não pretendem saber mais do que a Marvel em relação
ao uso de seus personagens. A relação da Disney com a
Pixar (que foi comprada pela Disney
por 7 bilhões de dólares em 2006), e que mantém uma grande independência,
foi usada diversas vezes como exemplo.
No momento, não haverá nenhuma mudança relativa ao Marvel Studio,
que continuará situado em Manhattan Beach, na California.
Aliás, John Lasseter, da Pixar, já esteve com o pessoal
da Marvel e saiu bastante animado de uma reunião que
ocorreu há alguns dias. Existem muitas chances de que alguns projetos
sejam desenvolvidos entre as duas empresas.
Uma área de grande potencial para crescimento para a "Casa das Ideias"
é o setor internacional, que se aproveitará fortemente da estrutura da
Disney.
Iger e Staggs disseram que, do ponto de vista de negócios, a Marvel
gerência seu acervo de maneira muito inteligente e a Disney
acredita que eles continuarão a fazer isto por muitos anos.
Segundo Iger, os personagens Marvel darão uma boa vantagem
para a Disney no mercado de DVDs.
A Disney já estava exibindo 20 horas semanais de programas
da Marvel em seu canal via cabo, Disney XD,
e o acordo trará excelentes oportunidades de expansão deste material.
Sobre o setor de videogames, os acordos de licenciamento da Marvel
foram elogiados e estes produtos serão analisados caso a caso quando chegar
a hora de renovar os contratos.
O acordo entre as duas companhias deverá beneficiar significativamente
toda a cadeia de vendas a varejo, dos mais variados tipos de produtos
da Marvel.
Staggs disse que a compra da Marvel irá diluir os lucros
da Disney em relação ao ano fiscal de 2010, mas terá
um impacto positivo para 2012.
Só para se ter uma ideia das duas companhias, a Marvel
anunciou um faturamento de 676 milhões de dólares em 2008, e a Disney
teve um faturamento de 37.843 bilhões de dólares.
A união destas duas empresas só reforça a importância dos personagens
de quadrinhos dentro do cenário atual da indústria do entretenimento.
Uma movimentação
parecida já está ocorrendo dentro da estrutura da Warner Bros.
(cujo faturamento em 2008 foi de 11 bilhões de dólares), que é proprietária
da DC Comics.
A reação do editor-chefe da Marvel, Joe Quesada, no
Twitter, foi positiva. Quesada disse que era um momento
histórico e que todos deviam relaxar. Nenhuma mudança está prevista para
a Marvel Comics.
Já Warren Ellis optou pela gozação e perguntou por que todos na Marvel
estavam grasnando. "É horrível", debochou o escritor inglês.
De modo geral, a reação na internet foi positiva. Os fãs se divertiram
imaginando crossovers bizarros entre Pato Donald e Howard The
Duck, Mickey nos X-Men e assim por diante.
Uma coisa unânime foi a vontade geral, inclusive de jornalistas, de que
a Pixar realize um filme com personagens da Marvel.
Embora nada vá mudar neste momento, a fusão da Disney
com a Marvel levanta uma questão em relação ao futuro
dos quadrinhos Marvel no Brasil, hoje publicados pela
Panini,
uma vez que a Disney historicamente sempre lançou suas revistas
pela Editora
Abril.