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Ação é o destaque de X-Men Origens - Wolverine
Por Sérgio
Codespoti (06/05/09)
X-Men
Origens - Wolverine, de Gavin Hood, é um bom exemplo do que os norte-americanos
chamam de "Summer blockbuster", um grande filme de ação para
o verão (que no hemisfério norte ocorre no meio do ano).
Tendo como tema central a origem do "misterioso" Wolverine, a película
deve atrair uma legião de espectadores (como
sugere o resultado de sua estreia), e vai agradar mais a quem não
conhece muito sobre a trajetória de Logan e outros personagens nos quadrinhos.
Um ponto positivo é o fato de que o filme se sustenta sozinho, sem a ajuda
da trilogia X-Men ou de algum conhecimento prévio dos personagens.
Por outro lado, quem já viu os outros longas-metragens da série X-Men,
ou conhece a história de Wolverine, vai aproveitar muito mais, desde que
não fique preso às minúcias da cronologia e às diferenças entre o filme
e as HQs.
O enredo tenta cumprir a difícil tarefa de conciliar a história cinematográfica
de Wolverine, exibida na trilogia X-Men, com os eventos publicados
nas HQs. E, de modo geral, consegue um resultado positivo.
Um dos problemas é que, neste caso, o todo não é melhor do que a soma
das partes. Para contar a vida de Logan, os roteiristas David Benioff
e Skip Woods tiveram que costurar um grande volume de histórias, algumas
delas ruins, espelhados ao longo de 35
anos de quadrinhos.
A história de Logan começa em 1845 e explora a relação entre James Howlett
(ou seja, Wolverine) e Victor Creed (Dentes-de-Sabre) desde sua infância.
Depois de uma cena de abertura extraída da minissérie Wolverine Origens
(mas modificada para fazer mais sentido no cinema), Logan (Hugh Jackman)
e Creed (Liev Schreiber), que neste momento são amigos, combatem lado
a lado nos mais diversos conflitos, como a Guerra Civil dos Estados Unidos,
a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, e a guerra do Vietnã. Tudo isso
durante os créditos.
Com aproximadamente 120 anos de história corridos em pouco tempo, o enredo
se desencadeia a partir do Vietnã, quando a amizade entre Creed e Logan
começa a se deteriorar e ambos vêm a conhecer William Stryker (Danny Huston).
O Stryker do cinema, que foi visto em X-Men 2, embora seja um
ferrenho inimigo dos mutantes, é muito diferente do personagem religioso
dos quadrinhos. Ele é um tipo simbólico, um amalgama de personagens e
conceitos, que representa a ideia do programa militar secreto e também
da manipulação proibida dos genes mutantes.
O filme explora as atividades do grupo de agentes especiais, conhecido
como Equipe X (Team X), composto pelo Agente Zero, conhecido nos quadrinhos
como Maverick (interpretado por Danniel Henney); o teleportador John Wraith
(Will.i. Am, do grupo Black Eyed Peas); Fred J. Dukes,
o Blob, que aparece antes e depois de ficar gordo (papel de Kevin Durand);
Chris Bradley (vivido pelo "Hobbit", Dominic Monaghan), indicado nos créditos
como o codinome de Bolt, personagem capaz de controlar máquinas e energia
elétrica (inicialmente havia sido divulgado que Monaghan interpretaria
o mutante Bico); Wade Wilson, o Deadpool (Ryan Reynolds), e Arma XI (papel
do artista marcial Scott Adkins).
Ao
longo de suas aventuras, Wolverine também encontrará Kayla Silverfox (Lynn
Collins), com que se envolve romanticamente; o mutante Gambit (Remy LeBeau);
e até mesmo Ciclope (Tim Pocock) e Emma Frost (Tahyna Tozzi).
A caracterização de Emma Frost no filme é bem diferente da dos quadrinhos.
A personagem, claramente uma adolescente, já possui sua pele de diamante,
algo que nas HQs só ocorreu como uma "segunda mutação", pois seu poder
principal é a telepatia.
A película cria uma relação entre Emma e Silverfox, a Raposa Prateada,
que parecerá forçada para os leitores mais fanáticos.
É fácil concluir que a inclusão de Ciclope e Emma faz parte de uma tentativa
de explorar os primórdios da formação dos X-Men, mas com um olhar nas
revistas atuais, nas quais os dois formam o casal dominante da equipe
mutante.
Com isso, o caminho está aberto para que Emma, já adulta, possa ser vista
num possível X-Men 4, uma vez que, depois de três episódios,
Jean Grey, a namorada de Ciclope, morreu.
Mas com tantos personagens no filme, e até uma minúscula participação
do professor Xavier, é difícil dizer que este é um longa-metragem solo
de Wolverine. Mesmo com Jackman, novamente, encarnando com competência
o personagem.
Por exemplo: um dos momentos cruciais da vida de Logan, quando seu corpo
recebeu o adamantium, no projeto Arma X, foi reduzido a menos de 20 minutos,
se tanto. Uma pena, pois esta HQ é, de fato, o grande clássico do personagem,
graças ao belo traço de Barry Windsor-Smith e sua habilidade como narrador.
Também é nítido que divergências nos rumos da história e no uso da violência,
entre Benioff, Jackman, o diretor Gavin Hood e Tom Rothman, o homem-forte
da Fox, tiveram algum impacto no filme.
Além disso, a película foi amenizada para que, a despeito de tantos personagens
violentos, a quantidade de sangue na tela fosse reduzida a um nível insignificante,
dando a X-Men Origens - Wolverine a abrangente classificação
etária PG-13 (proibido para menores de 14 anos no Brasil).
Apesar disso, e dos problemas do roteiro, o filme se sustenta com a ação
constante e bons efeitos visuais.
Uma sequência, cujo enredo estaria centrado nas aventuras de Wolverine
no Japão, já está sendo discutida pelos envolvidos com a produção.
     
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