Notícias

Marvel comprou direitos de Marvelman

Por Sérgio Codespoti   Siga Sérgio Codespoti no Twitter   | 27-07-09

MiraclemanJoe Quesada, editor-chefe da Marvel, fez uma grande revelação durante a conferência Cup O Joe, na San Diego Comic-Con: a Marvel comprou os direitos de Marvelman.

A "Casa das Ideias" comprou os direitos do desenhista inglês Mick Anglo, criador de Marvelman, que tem atualmente 94 anos de idade. O contrato foi assinado com a empresa escocesa Emotiv, que representa Anglo.

MiraclemanAnglo, que sempre afirmou ser o detentor dos direitos do personagem, está aliviado. "Eu achava que isso nunca aconteceria. É maravilhoso ver que minha criação de volta", disse Anglo, num comunicado oficial.

Inicialmente, serão republicadas as aventuras de Marvelman das décadas de 1950 e 1960. Em setembro, a Marvel vai vender camisetas de Miracleman e um cartaz do personagem criado por Joe Quesada, que custará 8,99 dólares. Quesada mostrou passo a passo, na coluna Cup O Doodle, como foi criado o cartaz.

Segundo Joe Quesada e Dan Buckley (diretor-executivo da Marvel), isso só foi possível graças a informações fornecidas por Neil Gaiman, que durante anos batalhou pelos direitos de Miracleman.

Miracleman e Marvelman são, para quem não sabe, basicamente o mesmo personagem.

MiraclemanSerá que a Marvel vai reimprimir o material de Marvelman/Miracleman publicado pela Warrior e pela Eclipse comics? Esta é a pergunta que está na cabeça de todos, neste momento.

A Marvel está conversando sobre seus planos com outros autores envolvidos com Marvelman/Miracleman, como Alan Moore, Neil Gaiman, Alan Davis e Mark Buckingham.

Buckingham, o último desenhista a trabalhar oficialmente em Miracleman, estava na plateia da conferência durante o anúncio, pois lhe haviam dito que seria de seu interesse assistir.

Posteriormente, Buckingham declarou que esta é uma ótima oportunidade para ele e para Gaiman de terminarem seu trabalho com Miracleman, da década de 1990, no arco Silver Age e quem sabe realizar a saga final, Dark Age.

MiraclemanGaiman comentou em seu twitter que achou a notícia fantástica e que está feliz de ver a volta das histórias de Mick Anglo. E está esperançoso de que seu trabalho, e o de Buckingham, venha a ser republicado.

Segundo o jornalista inglês Rich Johnston (do site Bleeding Cool), a Marvel está trabalhando ativamente para conseguir autorização para publicar o material mencionado acima, que envolve autores como Alan Moore, Garry Leach, Dez Skinn, Alan Davis, Chuck Austen, Rick Veitch, John Totleben, Neil Gaiman e Mark Buckingham.

A editora está em contato com todos estes autores, negociando a possibilidade e resolvendo todo o tipo de empecilhos. Há rumores - por enquanto sem muita substância - de que o acordo envolve milhões de dólares e o licenciamento de brinquedos, filmes e quadrinhos.

MiraclemanAlan Moore já havia se pronunciado sobre a volta de Miracleman, em maio de 2009. Na época ele explicou que todo dinheiro da primeira impressão do primeiro livro de Miracleman seria dado a Anglo, e falou sobre a possibilidade da realização de um desenho animado com o personagem. Moore teria concordado com tudo, desde que seu nome não seja incluído nos créditos e que todo o dinheiro seja direcionado a Anglo.

Para entender o caso Marvelman/Miracleman é preciso voltar ao passado. Em 1954, a editora norte-americana Fawcett Comics cancelou as aventuras do Capitão Marvel (Shazam), depois de perder uma batalha legal com a DC Comics (que na época ainda era a National Comics Publications) relativa às semelhanças do personagem com o Super-Homem.

Na Inglaterra, as aventuras de Shazam eram republicadas em preto e branco pela editora L. Miller and Son. Ao invés de cancelar a revista, Len Miller pediu ao artista inglês que criasse um personagem para dar continuidade a ela.

MiraclemanFoi assim que surgiu, em 1954, Micky Moran, o Marvelman, que ao pronunciar a palavra Kimota (o reverso de Atomic, com o K substituindo a letra C) se transformava num super-herói. O personagem ganhou imensa popularidade ao longo das décadas.

Marvelman é considerado por muitos como o primeiro super-herói inglês.

Em 1972, a Marvel criou uma subdivisão, a Marvel UK, para republicar suas histórias na Grã-Bretanha. Inicialmente eram apenas republicações dos materiais originais, mas em preto e branco. Em 1976 a situação muda com o lançamento de Captain Britain Weekly que trazia histórias inéditas do Capitão Bretanha, criadas por Chris Claremont e Herb Trimpe.

Depois de alguns anos, a Marvel UK estava enfraquecida, e Stan Lee contratou o experiente editor Dez Skinn para revitalizar o selo.

Miracleman Em 1981, insatisfeito com alguns problemas, incluindo a maneira como a Marvel tratava a questão dos direitos dos artistas sobre suas criações, naquela época, Skinn abandona o cargo para criar a Quality Communications.

Em 1982, a Quality Communications lança a revista Warrior, que teve 26 edições. Skinn publica uma versão modernizada de Marvelman, recriada por Alan Moore e Alan Davis. Também foi na Warrior que surgiu V de Vingança e Miracleman foi inicialmente publicado em preto e branco.

Na época, os direitos do personagem foram divididos em quatro: 30% para Alan Moore, 30% para Alan Davis (que depois cedeu sua parte a Gary Leach), 30% para Dez Skinn e 10% para a Quality Communications. Na época, Moore e Leach acreditavam que Skinn havia comprado os direitos de Mick Anglo.

Miracleman Mais tarde, Skinn revelou, no livro Kimota!, que ele pegou o personagem, que estava abandonado e esquecido e havia sido publicado por uma editora extinta. Achando que não existia nenhum interesse nele, assumiu que os direitos eram de domínio público.

Mas como a Marvel Comics possuía a marca registrada do termo "Marvel", a publicação do nome Marvelman nas revistas das editoras norte-americanas Pacific Comics e Eclipse Comics só foi possível com a alteração do título (e do nome do personagem) para Miracleman.

Aliás, o acordo com a Eclipse, de 1985, foi assinado com Dez Skinn e os outros autores de Marvelman, exceto Alan Davis, que não queria mais saber de confusões com Moore e com outras editoras e cedeu seus direitos a Gary Leach.

O problema com o nome do personagem foi uma das causas do feudo de Alan Moore com a Marvel Comics, durante muitos anos. Outras razões incluem a republicação das histórias do Capitão Bretanha e Dr. Who, escritas por Moore, sem sua permissão. E, por fim, no começo da década de 1990 a editora usou o slogan "Marvel tem Moore", quando contratou o escritor John Francis Moore.

Miracleman Os primeiro contatos para reatar as relações com Moore partiram de Joe Quesada, em 2001, mas não foram muito bem-sucedidos. A situação só melhorou graças à insistência de Joe Quesada, apesar das turbulências do processo.

Quando a Eclipse Comics quebrou, os direitos de todos os envolvidos acabaram nas mãos de Alan Moore, que os repassou para Neil Gaiman. Todd McFarlane, da Image Comics, comprou o que sobrara da Eclipse e foi assim que surgiu a batalha entre McFarlane e Gaiman pelos direitos de Miracleman.

Em 2001, ainda brigando com McFarlane quanto a Miracleman, Angela e outras coisas, Gaiman se considerava detentor de 85% dos direitos. Os outros 15% ainda eram de Mark Buckingham.

Ainda em 2001, numa entrevista concedida ao UHQ, Gaiman falou sobre os direitos de Miracleman e também sobre os rumores da época de que ele e Joe Quesada estavam discutindo a possibilidade da Marvel publicar Miracleman #25 (a última edição da Eclipse foi Miracleman #24).

Neil Gaiman ganhou a batalha com McFarlane em 2004. O irônico é que, após a vitória de Gaiman, se descobriu que o verdadeiro detentor dos direitos ainda era Mick Anglo, pois Skinn não havia resolvido esta questão. E com isso chegamos ao ponto em que os direitos pertencem à Marvel.

Links Relacionados: HQ Americana