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Hoje tem lançamento brasileiro em Buenos Aires

Por Eduardo Nasi   Siga Eduardo Nasi no Twitter   | 29-05-09

PicabuO lançamento da revista brasileira Picabu é uma das atrações de hoje do festival internacional de quadrinhos Viñetas Sueltas, realizado em Buenos Aires desde segunda-feira - e que se encerrará no próximo domingo.

A revista, no passado conhecida como Peek-a-boo, chega à sua quarta edição depois de uma interrupção que durou 17 anos.

A retomada é feita pelo Grupo Bestiário, formado por Moacir Martins, Rafael Sica, Rodrigo Rosa, Leandro da Silva Adriano, Nik Neves, Carlos Ferreira e Fabiano Gummo.

No Brasil, há dois lançamentos previstos por enquanto. Um em Porto Alegre, no dia 13 de junho, às 18h, no Museu do Trabalho; e outro em São Paulo, em 4 de julho, na Livraria Pop.

Antes disso e ainda em Buenos Aires, Ferreira conversou com a reportagem do Universo HQ, na última quarta-feira. A entrevista foi feita por comunicador instantâneo desde a capital argentina, onde o quadrinhista está há uma semana.

Universo HQ - E aí, pode dar uma entrevista?

Carlos Ferreira - Claro.

O lançamento oficial é só sexta, mas a Picabu já está circulando por aí?

A revista já está nas mãos de outros autores e editores. É que ontem foi a abertura da exposição do (artista portenho) Lucas Nine e então vazou. Muita gente já viu: italianos, argentinos, suíços, franceses e os amigos brasileiros. Os mais chegados até compraram, como (os quadrinhistas brasileiros) André Kitagawa e Jozz.

E como foi a recepção do pessoal?

Bem boa. Quando a revista passa a ser vista, abre espaço para conhecermos outros artistas. Uma dessas coisas legais que rolaram foi o contato com os italianos. Tem um cara muito foda aqui, chama-se Andrea Bruno. Conhece?

Nunca ouvi falar.

Ele faz parte da nova geração de desenhistas italianos. O trabalho dele é muito bom.

Estão pintando parcerias?

Sim, porque uma das necessidades que se discute no evento é a integração.

E os argentinos percebem que o espaço deles está aumentando no Brasil?

São poucos os que sabem o que rola no Brasil. Mas uma curiosidade é que a barreira da língua escrita, o português, começa a ser vencida. Antes, os argentinos não buscavam ler quadrinhos em português. Mas desde o evento Porto Alegre em Buenos Aires isso começou a mudar, porque lá eles começaram a fazer essa integração mais forte. Então eles conhecem Fábio Zimbres, Marcelo d'Salete, Guazzelli... Mas é engraçado que o que mais "bomba" na mídia brasileira hoje, como Grampá e os gêmeos (Fábio Moon e Gabriel Bá), ainda não deu as caras por aqui.

Além da integração, o que mais aparece?

O trabalho autoral, aqui é a terra do trabalho autoral. Isso parece ser um grito, uma necessidade. Nada disso parece ser metódico, mas, como os quadrinhos mais industriais já estabeleceram um processo de criação em que claramente o editor decide estilos e o que vende, há uma facção de desenhistas, escritores e quadrinhistas buscando outro tipo de identidade. É o "faça você mesmo", uma espécie de renascimento, o início de um novo ciclo.

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