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Título: EPILÉPTICO # 1 (Conrad
Editora) - Série em dois volumes
Autor: David B. (roteiro e arte).
Preço: R$ 44,90
Número de páginas: 176
Data de lançamento: Junho de 2007
Sinopse: O impacto da epilepsia de Jean-Christophe sobre a infância de seu irmão mais novo, Pierre. As viagens de sua família em busca de uma cura para a doença, dos especialistas da medicina normal aos gurus das dietas macrobióticas.
Positivo/Negativo: É um ótimo momento para ser leitor de quadrinhos no Brasil. Particularmente, para ser um frequentador das prateleiras das livrarias e lojas especializadas. Afinal, um número razoável de editoras está trazendo aos fãs materiais de diversas partes do mundo, com qualidade satisfatória e preços variáveis.
Embora ainda não tenhamos um mercado tão denso e frutífero quanto o europeu, ao menos (porque os dos Estados Unidos e o do Japão são praticamente inalcançáveis), o leitor brasileiro deste fim de década pode ler obras a que não teria acesso 15 anos atrás, quando quase nada era publicado em livrarias.
Epiléptico, de David B. (pseudônimo de Pierre-François Beauchard),
é uma dessas obras que os brasileiros leitores contemporâneos de quadrinhos
podem ler graças à expansão de nosso mercado.
O livro, premiado em todo o mundo, é o mais importante de um dos mais destacados quadrinhistas franceses deste século. Dividido aqui em dois volumes, em vez dos seis da versão original, ou de apenas um (como seria desejável), narra memórias da infância e da juventude do autor imersas na busca de sua família por uma cura para o mal que acometeu seu irmão mais velho.
Os Beauchard atravessam o país buscando curas alternativas. Os medos, a ansiedade, a esperança, o desespero dos pais de Pierre-François são retratados pelo autor por meio de metáforas visuais surpreendentes, precisas e arrebatadoras.
Pode-se traçar um paralelo tanto com os trabalhos de Art Spiegelman quanto com obras como Retalhos, de Craig Thompson, e Umbigo sem fundo, de Dash Shaw.
A transposição de elementos abstratos, antes restritos ao mundo das palavras, para o domínio do figurativo, das imagens antes restritas ao visível, é um dos traços mais marcantes desses autores e aponta para uma tendência contemporânea que chama para os quadrinhos uma particularidade que o distingue de outras artes narrativas. Chamar David B. de "André Breton (o mestre surrealista) dos quadrinhos", como os franceses, não é um exagero nem mais um dos jogos de linguagem que pululam vez por outra entre os críticos.
Trata-se de uma metáfora que dá uma dimensão aproximada da importância de Pierre-François Beauchard para a nona arte.
Altamente recomendado, Epiléptico é - acima de tudo - uma HQ de
persistência e esperança. Tendo como pano de fundo fatos recentes da França
e como mote central o drama da família do autor, a obra vai muito além
de um mero registro autobiográfico, ao não apenas contar uma história
densa e pesarosa com o cuidado e a delicadeza necessários, mas também
apontar caminhos para a linguagem usada para fazer isso.
Ao avançar na expansão do representável imageticamente, o livro explora novos terrenos semânticos para os quadrinhos. Àqueles interessados em ampliar sua percepção da forma de arte que adotou como leitura preferida, o trabalho de David B. apresenta-se como uma redescoberta.
De fato, esse é mais um motivo pelo qual é muito bom ser um admirador de HQs nesse início de século.
Classificação:   
- Diego Calazans

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