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I'M NOT AN ARTIST - THE DAILY ODYSSEY OF THE CREATIVE PROCESS Título: I'M NOT AN ARTIST - THE DAILY ODYSSEY OF THE CREATIVE PROCESS (Elisava - Escola Superior de Disseny) - Quadrinho institucional nos formatos digital, pôster, anúncio de revista e revista

Autores: Agência de propaganda Soon in Tokyo (criação), Serge Seidlitz (desenhos), El Miku (trilha sonora) e Jesús Gollonet (programação).

Preço: acesso gratuito

Número de páginas: variável de acordo com o formato

Data de lançamento: Março de 2009

Sinopse: Um jovem artista com bloqueio criativo entra em pânico ao não conseguir se inspirar.

Positivo/Negativo: I'm not an artist começou a circular pelo microblog Twitter ao lado de uma afirmação do quadrinhista Leandro Robles (de Macaco albino). "Uma nova forma de se ler quadrinhos. Vale à pena!", dizia.

O entusiasmo de Robles não tinha nada de exagerado. A versão digital de I'm not an artist (das outras, fala-se mais adiante) é de fato uma HQ cativante.

I'M NOT AN ARTIST - THE DAILY ODYSSEY OF THE CREATIVE PROCESSUm dos motivos é a sua simplicidade despudorada.

Não no sentido de ser simplória, claro. Trata-se do sentido que o artista e pesquisador John Maeda emprega: a de que simplicidade é sinal de inteligência - contraposta à ideia de que a complexidade demonstra confusão mental (para se aprofundar no conceito, o autor tem um livrinho delicioso chamado As leis da simplicidade, editado há poucos anos no Brasil).

I'm not an artist é profundamente simples e, portanto, inteligente. É um trabalho de design fabuloso, que começa no traço do artista africano Serge Seidlitz, lúdico e sem frescura, mas que não para na arte.

A trilha sonora de El Miku, por exemplo, é onipresente, mas contida. Não tem nenhuma palavra. Limita-se apenas a dar um clima ao que está desenhado, usando vez ou outra uma sutil onomatopeia sonora.

Outra demonstração de simplicidade é a navegação. Nada de mouse, de percorrer páginas simuladas, de fazer quadros se mexer. Basta apertar a tecla de espaço para ler a história toda.

Não há um único talento que se sobreponha aos demais. Como nas HQs convencionais, a força está na articulação de roteiro, arte e narrativa. Para a história engrenar bem, todo o conjunto deve estar articulado

A rigor, claro, não há nada de novo na forma como a história foi contada. Tudo que se vê está previsto nos livros que se debruçam sobre a linguagem dos quadrinhos. E é justamente por essa falta de novidades que a HQ chama a atenção. Seus autores não quiseram reinventar a roda. Eles se limitaram a usar criativamente uma linguagem centenária, com poucas concessões, como a trilha sonora.

Ao mesmo tempo, I'm not an artist dá a sua resposta para um tema recorrente na discussão das HQs digitais, que é o limite com a animação. Nela, a animação não está dentro dos quadros. Apenas a navegação é animada - de certa forma, como o próprio olhar do leitor, que usualmente percorre um trajeto no papel.

O resultado é que um tema complexo e abstrato como o branco criativo ganhou uma interpretação viva, intensa e divertida.

Para completar, a HQ consegue, ao final, passar uma mensagem publicitária a respeito de uma escola de design de Barcelona de uma forma instigante - e dá vontade de saber que escola é essa que opta por falar assim com o seu público.

Além disso, não se limita a um formato só. Além da versão digital, a HQ foi reproduzida em pôsteres (mostrados nesta página), anúncios e até numa revista.

Muito além de uma peça publicitária, I'm not an artist acaba se tornando uma profissão de fé da força da linguagem dos quadrinhos - e é leitura obrigatória para quem duvida que as HQs possam se impor no mundo digital.

Classificação: - Eduardo Nasi

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