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MATERIAL IMPORTADO
Título: THREE SHADOWS (First
Second) - Edição especial
Autores: Cyril Pedrosa (texto e arte) e Edward Gauvin (tradução
para o inglês). Publicado originalmente no álbum francês Trois Ombres.
Preço: US$ 15,95
Número de páginas: 272
Data de lançamento: Abril de 2008
Sinopse: O menino Joachim é assombrado por três sombras. No começo,
seus pais fingem que está tudo bem, que não tem nada acontecendo.
Mas as sombras continuam lá. E então os pais são obrigados a agir para
proteger o garoto.
Joachim e seu pai partem mundo afora, iniciando uma jornada cheia de sacrifícios
em busca da sobrevivência.
Positivo/Negativo: Um casal de amigos muito próximo do francês
Cyril Pedrosa perdeu o filho ainda bem jovem. Acompanhar a agonia dos
dois deu subsídio para a realização de Three Shadows (Três sombras),
um belíssimo réquiem em quadrinhos.
Vencedor
de vários prêmios, inclusive no respeitado Festival de Angoulême,
trata-se de um álbum de fantasia. E se filia a escritores como J.R.R.
Tolkien, Jorge Luis Borges e Gabriel García Márquez, como a própria orelha
da edição sugere. Mas também a HQs, como os momentos mais inspirados de
Bone, de Jeff Smith.
O lugar e o tempo em que a história se passa, como em Bone, são
desconhecidos. É um cenário rural, bruto, com grandes pinheiros, cidades
feitas de casas baixas, grandes barcos - poderia ser o passado europeu
ou uma terra imaginária; isso não fica claro.
Por isso, o leitor já entra na história tateando pra tentar ver o que
é real e o que é fantasia. Nem mesmo as três sombras se mostram concretas.
São pessoas, espíritos, feitiços, delírios? De cara, não dá pra saber.
O que Pedrosa está construindo é a sensação de estranheza, comum na literatura,
mas menos usual nos quadrinhos - arte mais acostumada com o fantástico.
Para soar esquisito, o autor puxa o tapete do leitor, deixa-o sem chão,
obriga-o a seguir em frente com poucas referências, sem ter muito lugar
para se apoiar.
Egresso dos estúdios Disney, nos quais trabalhou em longas como
Hércules e O corcunda de Notre Dame, Pedrosa usa como linha
mestra uma arte bastante cartunesca em preto e branco. Em outras palavras:
parece um desenho animado.
Mas, de novo, ele surpreende o leitor: de repente, a arte iluminada é
tomada por sombras, os traços simples ficam marcados por grafites e pincéis
pesados e agressivos, o nanquim fica selvagem.
É assim, página após página, que Pedrosa constrói sua realidade fantástica.
Quando o leitor percebe, já está dentro, seguindo a jornada de Joachim
e seu pai por um mundo estranho, mas que, aos poucos, revela uma HQ emocionante.
Classificação:   
- Eduardo Nasi
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