
Editora: Barba Negra - Edição especial
Autor:Rafael Coutinho (roteiro e arte).
Preço: R$ 10,00
Número de páginas: 20
Data de lançamento: Novembro de 2010
Sinopse
Ninguém sabe o que pode acontecer quando se vai tomar um drinque.
Positivo/Negativo
A ideia é boa: uma revista de poucas páginas, toda em preto e branco, com um quadrinhista criando uma história em 20 páginas, tiragem limitada de mil exemplares, para ser vendida em eventos, com toda a renda revertida para a milenar causa do autor.
É assim a revista 1000, cuja primeira edição foi lançada durante a Rio Comicon. O autor escolhido para a empreitada? Rafael Coutinho.
Se muitos o conhecem hoje por conta de Cachalote ou por ser filho do cartunista Laerte, poucos são os que se lembram de sua colaboração em Irmãos Grimm em Quadrinhos. Sua história no álbum, que reconta a fábula de Branca de Neve, é a mais inusitada de todas, por ser uma narrativa curta, completamente fragmentada e algo abstrata, que exige a participação do leitor para preencher vazios e conectar quadros que aparentemente não se relacionam.
Histórias curtas, como boa parte dos autores de quadrinhos concordará, são mais complexas de serem bem resolvidas do que narrativas mais longas. Mas Coutinho já havia dado provas de que conseguia se dar bem com o formato. Em Drink, ele reafirma seu potencial para essas narrativas gráficas sucintas.
Editada pelo autor e pelo mesmo S. Lobo que coordenou Irmãos Grimm, Drink navega por um universo boêmio em que palavras são pouco necessárias. Por isso, Rafael Coutinho não utiliza nenhuma. Os balões de fala existentes são icônicos, o que torna a narrativa universal.
Em 15 páginas, o autor conta uma história de amor, decadência e redenção que é sincera e bela. A singeleza dos personagens convive com o descontrole bêbado que leva à violência e ao imprevisto. É, ao mesmo tempo, uma narrativa poderosa por ser contada de modo intenso e por ter personagens marcantes.
A grade de 12 quadros utilizada por Rafael Coutinho é a mesma utilizada em Branca de Neve e se mostra, novamente, eficiente para ditar o ritmo da história e conter a grande quantidade de informações e sutilezas inseridas em Drink.
Esse é um início de projeto com pé direito da Barba Negra, que teve a visão de emprestar o melhor do espírito dos quadrinhos independentes para criar uma publicação que, se tiver continuidade, fará com que os leitores esperem por histórias do mesmo nível que a de sua edição inicial.
Edição que, aliás, mostra de novo que Rafael Coutinho tem tudo para produzir grandes histórias no futuro. Mesmo que elas tenham poucas páginas, como é o caso de Drink.
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