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HUMANOS NASCEMOS

Por Sidney Gusman   Siga Sidney Gusman no Twitter

HUMANOS NASCEMOS

Editora: WMF Martins Fontes - Edição especial

Autor: Quino (roteiro e arte) - Publicado originalmente em Humano se hace.

Preço: R$ 45,00

Número de páginas: 128

Data de lançamento: Abril de 2010



Sinopse

Coletânea de cartuns e histórias em quadrinhos curtas, geralmente de uma página, do argentino Quino (pseudônimo de Joaquín Salvador Lavado) sobre diversas situações envolvendo o tal "ser humano".

Positivo/Negativo

São raríssimos os quadrinhistas que, após abandonar (por vontade própria) uma série de sucesso de sua autoria conseguem repetir o mesmo êxito em outros trabalhos. Will Eisner fez isso, ao deixar de produzir histórias do Spirit e se mostrar tão ou mais genial em dezenas de obras subsequentes. Quino também integra esse seletíssimo time.

Quando o autor argentino decidiu interromper as tiras da inesquecível Mafalda, no já longínquo ano de 1973, passou a dedicar-se somente aos cartuns e às HQs curtas, mas sem personagens fixos. E a qualidade de seu trabalho continuou mostrando porque o adjetivo gênio se aplica a ele.

Quino é bom demais. Um daqueles casos em que o leitor pode comprar o livro sem nem folheá-lo, por saber que, ao chegar à última página, estará satisfeito.

E, apesar de ser uma leitura rápida, é difícil não ficar pensando, depois, nas sacadas geniais de Quino, que estão longe de serem "piadas", pois o autor mesmo diz que os temas abordados em sua obra nada têm de engraçado.

É assim também em Humanos nascemos, ótima novidade que chegou às livrarias neste mês, na companhia de Que presente inapresentável!, pela WMF Martins Fontes, depois de quase cinco anos sem nada do "pai" da Mafalda em nosso mercado.

Aliás, é necessária uma explicação: em 2005, com a decisão dos irmãos Alexandre e Evandro Martins Fontes de transformar a editora criada por seu pai (em 1960) em duas, a Martins e WMF Martins Fontes, o catálogo de Quino foi dividido.

A Martins, de Evandro, ficou com todos os livros de Mafalda, Potentes, prepotentes e impotentes, Que gente má! e Quanta bondade!. E o acervo da WMF, de Alexandre, incorporou Cada um no seu lugar, Deixem-me inventar, Quinoterapia e Sim, amor, além dos dois novos álbuns.

Neste Humanos nascemos, Quino deita e rola por lidar com um tema que explora com mestria: a humanidade. Ou a falta de! Há lugar para Deus, anjos, solitários, larápios, políticos, patrões, empregados, animais, piratas, esportistas, médicos e até para heróis famosos, como Tarzan, Batman e Robin.

Sempre com pouco ou nenhum texto. Afinal, o desenho de Quino "fala" por si. Ora por meio de traços econômicos, em páginas claras; ora em desenhos rebuscados, cheios de detalhes, que só reforçam a qualidade do artista.

No aspecto editorial, graficamente o livro é caprichado e a tradução de Eduardo Brandão é competente. No entanto, como nos álbuns anteriores, faz falta uma biografia (pequena que fosse) do autor - ainda mais por haver páginas em branco no miolo. Desta vez, pelo menos, a quarta capa menciona que Quino fazia as tiras de Mafalda.

Por fim, vale ressaltar que este livro foi publicado originalmente em 1987 e todos os temas que enfoca continuam atualíssimos. Sinal de que a humanidade muda pouco. E Quino sabe disso faz tempo.

Classificação: