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TOUTE LA POUSSIÈRE DU CHEMIN

Por Sérgio Codespoti   Siga Sérgio Codespoti no Twitter

TOUTE LA POUSSIÈRE DU CHEMIN

Editora: Aire Libre - Edição especial

Autores: Wander Antunes (roteiro) e Jaime Martin (arte) - Tradução para o francês de Jean-Louis Floc'h.

Preço: 15,50 euros

Número de páginas: 80

Data de lançamento: março de 2010



Sinopse

Tom é um sujeito desempregado durante a Grande Depressão, na década de 1930, viajando pelos Estados Unidos. Como muitos outros norte-americanos, está em busca de trabalho.

Numa de suas jornadas, tem um breve contato com o garoto Buck, um jovem migrante como ele, que adora os livros de Jack London.

A dura realidade da depressão no meio-oeste dos EUA levará Tom por um caminho tortuoso até que, por uma ironia do destino, ele sairá à procura de Buck, a pedido do pai do menino, o Sr. Hammond.

Positivo/Negativo

O escritor brasileiro Wander Antunes aborda o tema da Grande Depressão nos Estados Unidos sem piedade de seus personagens. Tom é um sujeito que perdeu tudo. Sua vida foi destruída pela crise econômica e pelas tempestades de areia que assolaram o meio-oeste norte-americano por alguns anos.

Como Tom, milhares de outros estadunidenses perderam suas famílias, seus empregos, suas propriedades. Muitos se transformaram em migrantes, percorrendo o país clandestinamente em vagões de trem, em busca de trabalho.

É nessa situação que Tom e Buck se encontram. Um encontro fortuito e marcante, que terá consequências na vida de Tom.

Antunes mostra uma fatia do cotidiano da camada da sociedade que foi levada pelo vento, sempre à margem da normalidade, perseguida e com poucas chances de retornar à vida anterior. O autor não se limita a retratar apenas o problema financeiro, que fez com que os banqueiros fossem odiados, mas também a miséria e o sofrimento causado pelas tempestades de areia, que destruíram fazendas, plantações e rebanhos e levou milhares de pessoas a abandonar o celeiro da América em busca de uma oportunidade melhor na Califórnia e outros estados mais prósperos.

Lendo o álbum, é impossível não lembrar da imagem tocante de Dorothea Lange, Migrant Mother (Mãe Migrante).

A realidade de Tom é constituída de arrependimentos, lembranças sofridas, poucas amizades e muita incerteza. Nos Estados Unidos da década de 1930, o racismo ainda era forte, linchamentos e enforcamentos eram frequentes e a polícia, condescendente (e até conivente) com este tipo de crime.

Muitas viagens terminavam na cadeia ou na fuga desesperada, quando os migrantes eram perseguidos pelos seguranças da ferrovia. Diante de tudo isso, a amizade repentina com Hammond é uma pequena benção; e a busca pelo menino Buck é a procura da redenção, a esperança de um futuro possível.

O premiado desenhista espanhol Jaime Martin retrata tudo isso de maneira muito expressiva, com linhas fortes e distintas e um colorido pálido e empoeirado. A narrativa é direta, com poucas firulas e perfeitamente adaptada ao texto de Antunes.

O resultado é uma história forte, sem gorduras, que prende o leitor até o final.

Classificação: