Por Leandro Lorusso

Editora: HQM - Edição especial
Autores: Robert Kirkman (texto), Charlie Adlard (arte) e Cliff Rathburn (tons de cinza) - Publicado originalmente em The Walking Dead #31 a # 36.
Número de páginas: 144
Data de lançamento: Outubro de 2011
Sinopse
Após serem capturados pelo Governador, Rick Grimmes, Gleen e Michonne descobrem que, para sobreviver, terão de ultrapassar a linha que os separa dos seus captores.
Enquanto isso, na prisão, os moradores tentam continuar com suas vidas sem três de seus membros.
Positivo/Negativo
Após uma edição anterior cheia de tensão e um prelúdio, nas entrelinhas, do que viria, o leitor chega ao melhor volume de Os mortos-vivos até o momento.
Robert Kirkman eleva ainda mais o tom da violência. Quem se chocou com as atitudes do Governador, no álbum anterior, vai se surpreender ainda mais com o que os sobreviventes são capazes de fazer para continuarem vivos, ou se vingarem.
Para não estragar a surpresa do leitor, apenas uma menção digna de nota: o "troco" dado por Michonne é doloroso até de ver. O que ela faz chega às raias do cruel. Até para um vilão sórdido.
E, nesta sequência, vale ressaltar Charlie Adlard, que, mesmo com seus erros habituais no traço, captou bem - até demais - a ideia de Kirkman. O ódio de Michonne é palpável e chega perto do desumano. A própria personagem se surpreende com suas atitudes.
Mas o que mais "tortura" é que Robert Kirkman esfrega na cara do leitor uma verdade inconveniente: por mais grotescos que sejam os atos de Michonne, o leitor a compreende e, pior, até torce por ela.
O mesmo acontece quando Rick Grimmes toma uma decisão radical (matar) para guardar em segredo o local do presídio, conquistado à custa de tanto sangue. Afinal, quem seria capaz de, após passar situações traumatizantes, manter a sanidade a ponto de não ultrapassar a linha do separa o ser humano dos animais irracionais?
Há, também, o questionamento dos próprios personagens sobre o que se tornaram e o que ainda podem virar. Sem parecer piegas com a ideia, já bastante explorada, de que o problema maior de uma possível praga zumbi seriam os humanos, ao término da edição, o leitor percebe que isso faz todo o sentido.
E não há dúvida: mesmo depois de tantos anos abordando essa questão, ainda é assustador pensar nisso.
O roteiro de Kirkman equilibra bem os momentos ociosos e de ação. Até mesmo as longas e maçantes explicações dos personagens sobre o que já se passou foram reduzidas, deixando a leitura mais agradável.
A HQM faz um belo trabalho e parece disposta a tentar apagar a má imagem que deixou junto aos leitores pela falta de publicações dos últimos tempos. Este volume saiu menos de dois meses depois do quinto álbum. Que continue assim.
O posfácio é de Danilo Beyruth, excelente desenhista que ficou famoso com seu personagem Necronauta.
Esta é uma edição que começa tensa, fica mais carregada no meio e termina com um peso ainda maior, pois é evidente que a contagem dos mortos nem sequer começou.
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