Reviews

OS MORTOS-VIVOS - VOLUME 5 - A MELHOR DEFESA

Por Leandro Lorusso   

OS MORTOS-VIVOS - VOLUME 5 - A MELHOR DEFESA

Editora: HQM - Edição especial

Autores: Robert Kirkman (roteiro), Charlie Adlard (arte) e Cliff Rathburn (tons de cinza).

Preço: R$ 32,90

Número de páginas: 144

Data de lançamento: Agosto de 2011



Sinopse

Após Rick Grimes e seu grupo tomarem conta do presídio, a vida parece finalmente sorrir para os sobreviventes. Mas nem tudo pode continuar tranquilo. As perdas estão no caminho de muitos deles.

Positivo/Negativo

Nas HQs de super-heróis, há pelos menos duas décadas, quando um personagem morre, a primeira ideia que vem à cabeça é "quando ele vai voltar?". Tudo fruto da banalização de megaeventos e do alto grau de fantasia irresponsável das grandes editoras norte-americanas.

Felizmente, Os Mortos-Vivos não pertence a este universo. Aqui, quem morre não apenas está realmente morto, como também, se voltar como zumbi, pode colocar toda a integridade dos outros sobreviventes em risco.

Por isso, a morte, na visão de Robert Kirkman, não é apenas o fim do indivíduo, mas sim de toda a sua civilidade. E nesse ponto reside a atitude dos outros sobreviventes. Eles devem "matá-lo" novamente com um tiro na cabeça.

Na edição anterior, o leitor vislumbrou que o maior problema do grupo de sobreviventes, até então liderados por Rick Grimes, poderia não ser os mortos que perambulam, desejosos por carne humana. E este volume confirma a linha moral em que a humanidade caminha e como alguns a ultrapassam com prazer, para o lado errado.

O Governador é um dos vilões mais carismáticos das HQs atuais. Ainda que seja capaz de feitos horríveis e desumanos, pode dar um sorriso singelo para os habitantes da cidade que lidera.

É desse personagem que parte a primeira grande perda de Rick Grimes. Para quem acompanha a série toda: no prefácio do primeiro álbum, há uma frase na qual Robert Kirkman diz que chegará um ponto que os leitores olharão para Rick e não o reconhecerão, se comparado ao início da série. Todos os personagens mudaram. Seja pelas cicatrizes no corpo e na alma, seja pela morte, que, neste caso, pode ser uma bênção.

O ponto de ebulição está justamente nas atitudes do Governador para descobrir de onde Rick, Michonne, e Glenn vieram. O desejo de possuir mais do que já tem o leva a um patamar de maldade poucas vezes visto num vilão. Mas, ainda assim, é impossível não se interessar por ele e sua história. Até suas atrocidades ganham contornos diferentes em determinados momentos.

Kirkman mantém um roteiro coeso e dinâmico, entregando o volume com mais ação até aqui. O autor mostra que o verdadeiro horror ainda não havia sido experimentado pelos sobreviventes e o fundo do poço parece estar distante. É nítido que haverá momentos piores para aqueles que não se curvarem ao Governador.

O traço de Charlie Adlard dá uma escorregada em determinados ângulos, como na página 24. Mas é uma escolha adequada para desenhar entranhas ou expressões faciais. Elas estão críveis que é quase possível sentir a dor dos personagens, ou perceber que eles estão, realmente, rindo de algo.

Os desenhos têm seus erros e não apagam da lembrança dos fãs a arte incrível de Tony Moore, mas segura bem a responsabilidade de manter o sucesso da revista. E os tons acinzentados de Cliff Rathburn dão a substância que falta ao desenho.

A HQM fez um bom trabalho. Visualmente, não há o que desgostar. As capas das edições originais continuam marcando presença e o posfácio do jornalista Paulo Ramos também está bacana. Mas nem tudo são flores...

O demérito está na demora no lançamento deste álbum, que, segundo a editora, sairia na época da estreia do seriado homônimo, em outubro de 2010. No entanto, saiu somente em agosto de 2011 - um hiato de quase dois anos entre os volumes quatro e cinco.

Todas as editoras têm seus problemas, isso é notório. Mas será o caso de se fazer tantas promessas entre setembro de 2010 e meados de 2011? Infelizmente, a HQM esqueceu de cumpri-las.

Antes tarde do que nunca, claro, mas a sensação de que os anúncios anteriores foram feitos sem planejamento é forte. Talvez por isso haja, pela internet, tantos leitores admitindo ler a série pelos scans. Não se justifica, mas se explica.

Que os próximos volumes sejam publicados com mais frequência e, assim, cumpra-se a promessa da editora de, em pouco tempo, alcançar as edições americanas. A HQM tem nas mãos grandes materiais, como Os mortos-vivos e Invencível (que há tempos não vê o raiar do Sol por essas bandas), mas tem errado demais.

O ideal é que todo o respeito editorial dado aos belos volumes lançados até agora, seja também repassado aos leitores. Afinal, todos merecem esse tratamento.

Classificação: