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Última atualização: 17/05/08       

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Página de FawcettEm 1979, nem imaginando que seria editor ou jornalista, conheci Flavio Colin. Isto é, conhecer pessoalmente, não conheci, não. Trocávamos idéias por telefone e, pasme, leitor informatizado, por carta. Ele ainda morava em Saquarema quando lho escrevi pela primeira vez.

Era um período próspero para o quadrinho nacional e para o País como um todo. Timidamente, apresentava uma meia dúzia de roteiros meus, mal datilografados numa velha Remington Ipanema (alguém aí se lembra?), e pedia sua opinião a respeito.

Menos de duas semanas depois, eu recebia em casa duas missivas: uma pessoal, onde o mestre agradecia o epíteto que eu lhe conferira de "monstro sagrado dos quadrinhos", e discorria de forma genial sobre o mercado editorial brasileiro. A outra, era uma carta de apresentação para Otacílio D'Assunção Barros, o Ota, da extinta editora Vecchi, que cuidava da Mad, Spektro, Pesadelo, Histórias do Além...

Fascinado, me armei de malas e bagagens, isto é, uma pasta de cartolina com meia dúzia de roteiros, e corri para a rua do Rezende, nº 144, no centro do Rio de Janeiro, sede da Vecchi. Na carta, Colin, generoso, dizia que gostara de meus textos, e que eu era um jovem promissor (palavras dele).

Depois de muito aguardar, fui recebido por Ota e foi assim que tive meu primeiro roteiro para quadrinhos aprovado. Os Amigos de Billie. Corta! Rápida passagem do tempo. Transcorrem mais de vinte anos... a crise da nona arte, assim como no restante do País, é notória. Em junho deste, resolvi ligar para o mestre por algum motivo que desconheço, talvez por sonhar com desenhos seus num roteiro de minha autoria, sei lá.

Novamente tímido, me apresentei e agradeci tardia e encarecidamente, ressalvando que ele de mim não se recordaria. E qual não foi a minha surpresa ao constatar que ele lembrava, sim. "Antero, aquele garoto da carta de apresentação, que enviava seus roteiros para Saquarema", comentou. Putz, quase fui às lágrimas! Falamos de Julio Shimamoto, de Watson Portela, de Mozart Couto, de Olendino Mendes e, é claro, do primor de seu traço em obras tão originais quanto variadas como Fawcett, O Boi das Aspas de Ouro, Os Monstros do Hotel Nicanor, Estórias Gerais... ou seja, falamos de feras.

Despedimo-nos com a promessa de que, qualquer dia, iríamos nos encontrar. A promessa continua de pé, Mestre Colin. Só uma coisa me preocupa: quem vai preencher tal lacuna? Quem?

Descanse em paz, inovador sagrado dos quadrinhos nacionais.

Antero Leivas, jornalista.



 


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