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Última atualização: 11/03/10       

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Histórias Gerais13 de agosto de 2002 foi, definitivamente um dia muito triste para mim. O mundo perdeu Flavio Colin. O Brasil perdeu um guerreiro em prol da cultura nacional. Os quadrinhos perderam um mestre. E eu perdi mais do que um ídolo. Eu perdi um amigo.

Flavio Colin, desde que o conheci em 1997, sempre foi um exemplo. Um exemplo como pessoa, demonstrando que, por mais importante que fosse dentro do cenário nacional de HQ, ele sempre manteve a humildade de ler os trabalhos muitas vezes toscos dos novatos que publicavam fanzines ou revistas independentes.

E ia além! Colin sempre respondia, de próprio punho, nossas cartas, com críticas e elogios muito preciosos. Uma aula em cada correspondência. Era uma honra receber as suas palavras de incentivo. Cada detalhe que ele gostava do nosso trabalho fazia com que nos sentíssemos mais estimulados para melhorar e agradar ainda mais o mestre.

Era por isso que, para mim, ele era mais do que um ídolo. Colin passava a ser um amigo. Um conselheiro. Nos perguntávamos: como ele tinha tempo para isso? Como tinha paciência de ler nosso material e analisá-lo tão detalhadamente?

Ele era mais do que generoso. Colin usava as correspondências para os novatos produtores de fanzines como propagação de suas idéias nacionalistas construindo, assim, um futuro melhor para a HQ e a cultura brasileira.

FawcettColin também era um exemplo de profissional. O traço era forte, vigoroso e inigualável. Colin era um mestre para todos nós. Um mestre que está deixando um vazio imenso no coração da sua família, amigos e de todos que amam a cultura brasileira, especialmente os quadrinhos.

Ele deixa muita saudade, é verdade, mas, ao mesmo tempo, fica a certeza de que Flavio Colin continuará eterno em obras como Estórias Gerais, Fawcett, Fantasmagoriana, Boi das Aspas de Ouro, O Anjo, Morro dos Enforcados, Vizunga, A Mulher Diaba e muitos outros trabalhos que enchem os olhos de todos nós que amamos tanto os quadrinhos.

Que a história de Colin sirva de exemplo para todos nós que produzimos quadrinhos no Brasil, e para as gerações que vierem. A semente está plantada. O mestre cumpriu a sua missão. Agora, cabe a nós honrá-la, e fazer com que o futuro das HQs seja mais brasileiro.

Que esse país seja melhor, e que todas as injustiças que Flavio Colin sofreu, como a falta de recompensa financeira, por exemplo, jamais se repita com ninguém que trabalhe tão bem quanto ele. Para isso, nós temos duas armas nas mãos: o voto e o nanquim. Vamos usá-las com a sabedoria que o mestre nos ensinou. Ele se orgulharia disso.

Portanto, Colin, onde quer que você esteja, o meu muito obrigado por tudo, especialmente pelo seu exemplo.

Do seu amigo, fã e discípulo,

Daniel Brandão, desenhista.


 
Vizunga, tira de Flavio Colin


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