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Flavio Colin era único. Seu traço era absolutamente inconfundível. Bastava bater os olhos para ter a certeza de que se tratava de uma obra sua. A maior prova de sua singularidade está no simples fato de que ele não tinha imitadores, coisa bastante comum entre os grandes mestres do desenho no mundo.
A razão para isso era óbvia: o traço que alguns, erroneamente, classificavam como "caricato" era tão cheio de minúcias que só um artista de seu gabarito poderia reproduzi-lo. E poucos alcançaram - e alcançarão - seu nível.
Tive o prazer de falar com Colin algumas vezes ao telefone. Numa delas, após pedir autorização para usar no Universo HQ as tiras de Vizunga, fiquei espantado ao notar tamanha simplicidade e simpatia no trato com um quase desconhecido. Afinal, eu estava falando com um artista que, na minha opinião, estava entre os maiores desenhistas do planeta.
Em seus trabalhos, sempre demonstrou uma característica que parecia impossível de ser alcançada: quando todos os seus leitores achavam que ele tivesse alcançado o ápice de seu talento, lá vinha Colin se superando de novo, de novo e de novo!
Evolução foi uma palavra que acompanhou suas obras desde o início de sua carreira. Por isso, sua morte deixa uma lacuna gigantesca no nosso já tão abalado mercado nacional de quadrinhos. Mas, com certeza, o "andar de cima" ganhou um grande reforço pra deixar as coisas mais alegres por lá. Viva Flavio Colin, primeiro e único!
Sidney Gusman, editor-chefe do Universo HQ e editor executivo da Conrad Editora.
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