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UHQ: Você leu a história Retorno a Krypton (Nota do UHQ: publicada no Brasil em Superman Premium #19, onde os leitores foram apresentados para um novo planeta Krypton)?
UHQ: Você aceitou o convite de Paul Levitz? Byrne: Eu fiz um esboço. Paul criou um título, por brincadeira, chamado James Michener's Krypton, desses romances que se arrastam por várias gerações, como Michener costumava escrever (Nota do UHQ: famoso novelista americano que escreveu livros como Saga do Colorado). Eu percebi que seria uma chance de explorar alguns gêneros interessantes que não fossem super-heróis e, ainda assim, contribuir com outras famílias que não fossem as dos ancestrais do Super-Homem. Esse esboço foi aprovado há mais ou menos um ano, mas meu horário não tem me permitido continuar com a idéia e criar mais detalhes. Então, não espere isso para tão cedo! UHQ: Como você vê o mito Super-Homem? Byrne: Ser o encarregado da reformulação do Super-Homem foi uma das coisas mais assustadoras que fiz, profissionalmente falando. O personagem tinha mudado tanto e tantas vezes desde a sua introdução, em 1938, que eu tinha que achar uma maneira de fazer o trabalho. Se o Super-Homem fosse um mito constante e consistente, não poderia fazer isso. Claro, se ele fosse um mito constante e consistente, ninguém seria encarregado de fazer isso! UHQ: Depois da sua reformulação do Super-Homem, muitos leitores acharam que a era pré-Crise não o atraía muito. Mas isso não parece ser verdade, ao vermos outros trabalhos seus, como sua fase com a Mulher-Maravilha e as minisséries Gerações I e II (publicadas no Brasil pela Opera Graphica). Você era fã do Universo DC pré-crise? Qual a sua opinião sobre esse período?
UHQ: Por falar em Gerações, a quantidade de referências sobre a DC pré-Crise é enorme. Como foi o trabalho de pesquisa dessa minissérie? Byrne: A maioria das coisas veio da minha lembrança daqueles tempos, embora tenha sorte de possuir os três volumes da Enciclopédia dos Super-Heróis, de Michael Fleisher: Super-Homem, Batman e Mulher-Maravilha. Muitas partes das duas minisséries Gerações vieram depois de dar uma olhada nesses volumes. UHQ: Existe a possibilidade de uma terceira minissérie?
UHQ: E o que você pretende mostrar nessa terceira minissérie? Quais as suas idéias? Byrne: Vamos apenas dizer que cobrirá um território bem diferente do que foi visto em Gerações 1 e Gerações 2... se realmente for lançada! UHQ: Depois do Super-Homem, você ficou marcado como o autor a ser chamado para reformular personagens. Como você encara isso? Byrne: É algo que eu nunca quis! Infelizmente, isso ainda parece acontecer, e me encontro pensando "Se eu não fizer, vão escolher outra pessoa. E se escolherem alguém ruim??" Eu me preocupo muito com esses personagens, vocês sabem! Eles têm sido meus amigos por muito, muito tempo.
Byrne: Nem um pouco. Gênese foi um projeto totalmente diferente. Não era um recomeço; no máximo, uma nova olhada na origem. As principais situações ficaram inalteradas. Com o Super-Homem, uma parte inteira de sua história foi varrida. Muitas histórias do Super-Homem desapareceram retroativamente, devido à minissérie Homem de Aço. Eu acho que apenas uma história de Homem-Aranha deixou de ser referência, devido à série Gênese.
Byrne: A idéia era criar uma revista que providenciasse uma fácil acesso ao personagem para novos leitores. No início, nem era pra virar referência. Por mais estranho que pareça, foi em reação às críticas negativas - e não houve tantas quanto as pessoas pensam - que os poderosos da Marvel começaram a tratar a revista como se fosse oficialmente o início do personagem. Alguns outros títulos da época - Demolidor, por exemplo - fizeram referências à Gênese. Não havia nenhuma "negociação" real. Howard Mackie, que escrevia Amazing Spider-Man, me disse, num belo dia, que Ralph Macchio, o editor das revistas do Aranha, havia comentado que adoraria contar comigo para fazer uma espécie de Heróis Renascem com o personagem. Eu liguei para o Ralph e disse "Fechado!". Foi assim. Fiquei imensamente feliz com a minha parte do resultado final, mas parece ter havido alguma confusão na M*rv*l sobre se Gênese realmente passaria a contar ou não. Agora, com o Ultimate Spider-Man, eles parecem estar se encaminhando para uma "Crise nas Infinitas Teias"!! UHQ: E o que você achou de Ultimate Spider-Man e a linha Ultimate Marvel em geral?
A palavra "masturbação" me vêm à mente - especialmente em Ultimate Spider-Man. Uma pena. Como disse, tinha grandes esperanças, no começo, quando tudo era apenas um brilho nos olhos de Bob Harras. UHQ: Seus trabalhos na DC também têm um forte vínculo com personagens que foram anteriormente desenhados por Jack Kirby, como por exemplo, a série OMAC, de 1991, e mais recentemente em Jack Kirby's Fourth World, Órion e New Gods. O que lhe atrai nestes personagens?
UHQ: Você acha que seus trabalhos na DC são menos valorizados que os realizados na Marvel? Byrne: Certamente não tive na DC o mesmo impacto que tive na Marvel, onde trabalhei por um longo e contínuo período, numa época em que era possível causar grandes impactos.
UHQ: Qual a diferença de trabalhar com a DC e a Marvel? Byrne: Sob as melhores circunstâncias, não muitas. A primeira vez que visitei os escritórios, em 1971, a DC parecia muito mais incorporada - parecia uma companhia de seguros -; e a Marvel era bem menos estruturada - escritórios amontoados em uma grande sala com pequenas "celas" de um lado. Mas houve tantos talentos de lá para cá, que é difícil de diferenciar um do outro. Embora os escritórios da DC ainda sejam maiores. E mais limpos! UHQ: O que aconteceu com Next Men? Existe uma chance de a série retornar? Byrne: Eu parei com Next Man com a intenção de retornar ao título em, no máximo, seis meses. E isso foi há mais de seis anos! Infelizmente, o que não podia prever era que a indústria escolheria justamente aquele momento para entrar em colapso. A revista foi elogiada e tinha boas vendas, mas temo que, se voltasse com ela no mercado de hoje em dia, seria rapidamente varrida.
UHQ: Você fez o roteiro da primeira história de Hellboy, de Mike Mignola. Foi nostálgico voltar a trabalhar com ele, depois do trabalho que fizeram em O Mundo de Krypton? E o crossover entre Hellboy e Next Men? Foi só para promover os personagens, ou existiam outros planos? Byrne: Mike é um artista fenomenal, e foi uma honra quando ele me pediu para fazer o roteiro da primeira história do Hellboy - para encontrar o tom certo do título. O crossover - que é, na verdade, uma participação especial - aconteceu numa história onde personagens dos quadrinhos ganhavam vida no mundo dos Next Men. Também tive permissão de usar Monkeyman e O'Brien, Concreto e os personagens de ElfQuest (eu me diverti com Paul Chadwick, ao fazer o Concreto se comportar completamente fora de seus padrões). Hellboy era parte disso. Já que eu e Mike "trabalhamos juntos" em Hellboy, parecia natural tê-lo naquela rápida sequência onde esses personagens apareciam. ![]() Spider-Man: Chapter One #10 Entrevista John Byrne - parte 2 | Entrevista John Byrne - parte 4 |
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