![]() |
|
|
|
|
|
|
||
Online desde: 05/01/2000 |
![]() New York, a Grande Cidade, um dos grandes trabalhos do mestre ![]() No Coração da Tempestade: mais uma obra na qual o autor demonstra todo seu conhecimento sobre o ser humano |
![]() A maior "lenda viva" dos quadrinhos No final do mês de maio, Will Eisner, o "pai" do Spirit, uma autêntica "lenda-viva" dos quadrinhos, esteve no Brasil, para participar do III Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco. O Universo HQ esteve lá e, pra não perder o costume, fez uma ENTREVISTA EXCLUSIVA com o mestre da arte seqüencial
Por Fernando Lima, J. J. Marreiro e Equipe UHQ
Afinal, quem estaria chegando ao Brasil era ninguém menos que o criador do Spirit; o homem que inventou os termos graphic novel e arte seqüencial; o autor de obras como Um Contrato com Deus, New York, O Edifício, No Coração da Tempestade e o recente O Último Dia no Vietnã; o artista que batiza o principal prêmio do mercado norte-americano - o Eisner Award - e, principalmente, a maior "lenda-vida" das histórias em quadrinhos.
Como desistir é um verbo que não consta do nosso vocabulário, resolvemos criar alternativas. Depois que obtivemos "sinal verde" do organizador do evento, o cartunista Laílson Cavalcanti, para a entrevista, elaboramos uma pauta repleta de perguntas e começamos a contatar nossos colaboradores da Região Nordeste do Brasil. Para nossa imensa satisfação (e gratidão), dois deles toparam: o jornalista Fernando Lima e o desenhista (e colaborador oficial do Universo HQ) J. J. Marreiro. Depois de horas de viagem de ônibus desde Fortaleza (onde residem), os nossos "enviados especiais" chegaram a Recife e realizaram uma belíssima entrevista, na qual Will Eisner fala da carreira, dos artistas que o inspiraram, dos seus próximos trabalhos, de Spirit, do mercado de quadrinhos e muito mais! E você confere tudo isso agora! Bom divertimento!
Eisner: Meu primeiro trabalho publicado foi no jornal da minha escola, há muito tempo. UHQ: No início de sua carreira quais foram suas maiores influências? Eisner: Minhas maiores influências foram Milton Canniff, de Terry e os Piratas; George Herriman, autor de Krazy Kat; e o cara que fazia Popeye, E. C. Segar. Canniff me ensinou a contar uma história, Herriman me mostrou com envolver o leitor, como construir uma relação com o leitor, através da fluência de imagens. Com Segar, eu aprendi a desenhar personagens em ação. UHQ: O Spirit Foi criado há 61 anos. De tempos em tempos ele é republicado, e continua sempre sendo um trabalho moderno e atual. Qual o segredo disso?Eisner: Eu não sei. Estou tão surpreso quanto você. UHQ: Sempre que fazem uma lista com os melhores quadrinhos de todos os tempos, o Spirit está sempre entre eles, apesar de o Sr. nunca mais tê-lo produzido. Isso nunca o motivou a criar novas histórias do personagem? Eisner: Na verdade, não. Eu fiz o que tinha que fazer com o personagem. Não há sentido em voltar atrás. Quando a Kitchen Sink Press me chamou e perguntou se eu faria o Spirit de novo, eu disse: "Não, mas se vocês conseguirem os melhores profissionais do ramo, eu deixarei que vocês façam."
UHQ: E qual sua opinião sobre o resultado final desse projeto? Eisner: Fiquei muito satisfeito com o trabalho. Fiquei fascinado com o que vi esse pessoal fazer. UHQ: Muitas vezes comparam o Spirit ao filme Cidadão Kane, de Orson Wells. O que o Sr. acha dessa eterna comparação? Eisner: Acho que o motivo dessa comparação é que são obras criadas em um mesmo período. UHQ: Qual sua opinião sobre os quadrinhos de super-heróis? Como foi a criação de Doll Man?
O único problema com os super-heróis, a razão pela qual não me interesso em trabalhar com eles, é que eles são unidimensionais. Eles não têm problemas reais. Torna-se difícil construir uma história. Afinal, histórias são construídas através da solução de problemas. UHQ: As enciclopédias de quadrinhos são um pouco confusas quanto à criação do Falcão Negro (nota do UHQ: uma série sobre aviadores, que chegou, inclusive, a ganhar uma mini-série em 1990, por Howard Chaikyn, que foi publicada no Brasil pela Editora Abril). Afinal foi o Sr. quem criou o Falcão Negro ou foi Chuck Cuidera? Ou foi uma criação em conjunto?
UHQ: Sabemos que o Sr. tem forte laços com o International Museum of Cartoon Art, em Boca Raton, nos Estados Unidos, que está tendo problemas financeiros, a ponto de leiloar originais. Não há investidores para esse tipo de projeto nos Estados Unidos? Eisner: O problema é que os americanos preferem investir no que eles chamam de "Belas Artes". Eu não me sinto muito confortável com esse termo, porque, para mim, arte seqüencial é uma das belas artes. Mas não estamos precisando de tanto dinheiro assim. Por isso, creio que logo estará tudo bem. UHQ: Por que não existem mais mestres completos dos quadrinhos como o Sr., Alex Raymond, Al Capp, Hal Foster e tantos outros que fizeram história? Eisner: Mas existem. Eles estão por ai. UHQ: O Sr. ainda lê quadrinhos? Quais? Eisner: Não leio nenhum em especial. Eu recebo de 30 a 40 revistas em quadrinhos no escritório, por mês. Eu dou uma olhada para ver o que está acontecendo no mercado, mas realmente não sou mais um fã do meio. Eu leio muito. Leio livros de vários autores. UHQ: Há alguma artista atual que o Sr. admire? Eisner: Eu prefiro não responder. Na verdade, eu evito enumerar, porque acho contraproducente apontar e dizer: esse autor é o melhor, e aquele é o pior. UHQ: O Sr. viveu a melhor época da indústria dos quadrinhos, o Sr. acha que os quadrinhos sobreviverão à atual crise?
UHQ: Atualmente, tem se falado muito sobre o Comics Code (nota do UHQ: uma espécie de órgão de censura dos quadrinhos), especialmente depois da saída da Marvel? O que o Sr. acha disso tudo? Eisner: Acho que demorou muito. Não há mais utilidade para o Comics Code. Ele cumpriu sua função, mas eu acho que a saída da Marvel é apenas um golpe de mercado. UHQ: Em alguns de seus trabalhos, quase podemos ouvir o som saindo das páginas. Qual é o papel da música no seu trabalho? Eisner: Música e sentimento estão muito próximos. Uma coisa que devemos prestar muita atenção é o que eu chamo de "internalização", a habilidade de desenhar uma figura capaz de comunicar o que ela está sentindo por dentro. Seus sentimentos. Suas emoções. Emoções e sons são muito difíceis de transmitir. Não há uma fórmula pronta, infelizmente. Por isso, você tem que aprender como fazê-lo, observando as pessoas, aprendendo que tipo de linguagem corporal elas estão utilizando. A emoção não é transmitida só pelo rosto. É necessário o corpo todo para transmitir uma emoção. UHQ: O Sr. está trabalhando em algum novo projeto? Será publicado pela DC ou pela Dark Horse? Eisner: Estou trabalhando em algo agora (ele sorri sem dar mais detalhes). Deverá publicado pela DC. Na verdade, o acordo que tenho com a DC é o de deixar que examinem o livro primeiro. Se sua oferta não for satisfatória, eu vou para a Dark Horse. |
|| QUADRINHOS | CINEMA | E-MAIL | BOLETIM | LOJA | PUBLICIDADE ||