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![]() Um mito do mundo dos quadrinhos Aos 75 anos, Joe Kubert é um dos mais cultuados desenhistas do mundo. Depois de tanto encantar seus leitores, hoje ele divide seu tempo entre as pranchetas e sua escola, onde vários alunos descobrem os segredos da 9ª arte
Por Sérgio Cariello e Equipe UHQ
Aos 75 anos, esse fantástico desenhista (cujo nome verdadeiro é Joseph Kubert), que fez gerações e mais gerações de fãs vibrarem com as aventuras de Tarzan, Gavião Negro, Ás Inimigo, Sargento Rock, Sr. Destino, Joel Ciclone e muitos outros, ainda hoje é destaque em toda convenção de quadrinhos onde aparece.
Durante meses, o Universo HQ tentou viabilizar essa entrevista (uma vez que Kubert não usa internet). Para nossa alegria, o amigo e ótimo desenhista Sérgio Cariello (que é professor da Joe Kubert School) se prontificou para ser o nosso "porta-voz", o que nos honrou demais. Nas próximas linhas, você descobrirá coisas incríveis sobre este mestre das HQs. Desde seus ídolos até os projetos atuais, passando, inclusive, por algumas curiosidades, como o fato de Joe Kubert ter sido o autor da primeira HQ americana em 3D e ter trabalhado no estúdio de Will Eisner, com apenas 12 anos de idade! Boa leitura! Universo HQ: Com quantos anos você começou a trabalhar com quadrinhos? Joe Kubert: Sempre adorei os quadrinhos. Meu primeiro trabalho foi publicado quando eu tinha 11 anos e meio. Foi o primeiro trabalho pago que tive.
Kubert: Foi algo chamado Volton. Recebi 5 dólares por página. Foi o primeiro trabalho que fiz. E foi publicado. UHQ: Quais são seus ídolos? Atualmente, o senhor acompanha algum artista em especial? Kubert: Tenho muitos. Os três mais importantes são: Hal Foster, que fez Príncipe Valente; Alex Raymond, de Flash Gordon; e Milton Canniff, autor de Terry e os Piratas. Quando eu era jovem e comecei a me interessar por quadrinhos, eles eram os melhores. Todos os conheciam, e continuam sendo meus favoritos, mesmo hoje em dia. UHQ: Quando o senhor assumiu Tarzan, o título vinha de uma linhagem de artistas de renome (Hal Foster, Burne Hogarth, Russ Maning). O que representou dar seqüência a essa missão?
UHQ: Falando em Tarzan, o senhor desenhava os animais do título (leões, gorilas etc) de maneira surpreendentemente dinâmica. Isso foi sempre talento puro, ou exigiu muita pesquisa? Kubert: (Risos) Obrigado pelo elogio. Tento pesquisar tudo que faço, o quanto puder. Muitas fotos, visitas ao zoológico e ao Museu de História Natural. Colecionei fotos de diferentes animais, leões, gorilas, chimpanzés, árvores, tudo que tinha que desenhar, eu precisava ver primeiro. É vital para qualquer artista desenhar estas coisas com credibilidade e veracidade. As histórias são tão incrivelmente imaginativas, que, se os desenhos não forem reconhecíveis, não haverá nada de acreditável na historia. Será uma perda de tempo. Portanto, a pesquisa é muito importante!
Kubert: Ótimo! (risos) UHQ: O primeiro quadrinho em 3D (Might Mouse) publicado nos EUA foi realmente idéia sua? Kubert: Sim! (rindo) UHQ: Como isso ocorreu? Qual foi a repercussão na época? A tiragem foi expressiva? Kubert: Bem, me possibilitou construir minha primeira casa! Vendeu muito! (risos) Foi quando voltei do exército, em 1952. Muitas revistas estavam sendo publicadas. Muita competição... Então, eu e Norman Maurer (ótimo artista e um maravilhoso talento criativo) decidimos fazer algo diferente de tudo que estava saindo.
Daí, começamos a trabalhar nisso e desenvolvemos o primeiro Might Mouse. Essa primeira revista foi difícil, não só por causa do trabalho ser em 3D, mas porque tínhamos que bolar algo que valesse a pena cobrar barato o suficiente. Os quadrinhos da época custavam 10 centavos. Sabíamos que se fizéssemos mais caro que 25 centavos, ninguém compraria. E conseguimos montar tudo, com óculos, por 25 centavos. O primeiro exemplar vendeu mais um milhão e duzentas mil cópias! UHQ: De tantos e tantos trabalhos que o senhor fez, qual o seu favorito em especial? Tem algum personagem predileto?
UHQ: Nas suas mãos, o Gavião Negro, Enemy Ace e o Sargento Rock viveram grandes momentos e tornaram-se marcos nos quadrinhos de super-heróis e de guerra, respectivamente. Por que o senhor acha que esses personagens passaram tanto tempo sumidos, quase sempre esquecidos pelos leitores e editores? Kubert: Não tenho a mínima idéia, mas eles estão sendo publicados hoje! Lieber acabou de fazer Gavião Negro, e fez um excelente trabalho! Rags Morales, um ex-aluno nosso, fez o lápis. Tenho uma cópia aqui. Fico muito feliz, porque ele é formado na escola. O letrista também saiu daqui. Para mim, é emocionante ver pessoas que cursaram esta escola, como você (nota do UHQ: Sérgio Cariello foi aluno da Joe Kubert School e hoje leciona no local), se saírem bem no mercado. Fico tão feliz de ver isso, quanto se eu tivesse fazendo!
Kubert: Sim, eu estou fazendo Sargento Rock, escrito por Brian Azzarello. Terá entre 120 e 130 páginas. Farei a arte e a capa. UHQ: Então, afinal de contas, os editores não perderam o interesse no personagem? Kubert: Não, não. Estão publicando também histórias antigas do Sargento Rock, e Tor, em formato de luxo.Os quadrinhos nunca morrem! Sempre são publicados de novo! (risos) |
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