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Online desde: 05/01/2000 |
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UHQ: Como foi a experiência de adaptar o conto Pedro e o Lobo (a adaptação do clássico de Sergei Prokofiev, escrito em 1936, lançado no Brasil numa edição soberba, em capa dura, pela Meribérica) para os quadrinhos? Pretende fazer outros trabalhos nesta linha?
É um livro para ser lido por um adulto para uma criança. Para que o adulto explique um pouco. Foi muito prazeroso. Eu tinha decido não continuar fazendo adaptações de contos, mas começar a criar alguns nesse esquema. UHQ: E como foi, para um espanhol, ter a honra de ilustrar Carta de Lisboa (uma ode à capital portuguesa, escrita por Eric Sarner e com arte de Prado)?
Há também a proximidade da língua, que favorece. Eu conheço muito bem Lisboa, vou freqüentemente, e tenho muitos amigos por lá. Uma editora francesa me propôs fazer algo sobre alguma cidade e na lista havia várias, entre elas, Lisboa. Eu achei que era a cidade que eu podia fazer melhor. Foi bom, porque, mesmo a conhecendo como eu achava que conhecia, descobri outra Lisboa. UHQ: Quanto tempo, em média, você demora para fazer um álbum?
UHQ: Já sofreu em relação a prazo e cobranças?
UHQ: Que técnicas você utiliza na pintura de suas belas páginas? Miguelanxo: Eu uso tudo que possa ajudar. Mas praticamente tudo com acrílico. Agora estou no acrílico. Traço de Giz é assim, apesar de muitas pessoas pensarem que foi de outra maneira! Pedro e o Lobo também, apesar de acharem que é óleo. Tem gente que pensa que Carta de Lisboa é aquarela, mas é acrílico! Você pode conseguir praticamente todos os efeitos com acrílicos, e tem a vantagem que seca rápido! UHQ: Você costuma produzir tanto histórias curtas, quanto longas para seus álbuns. Qual sua preferência?
UHQ: Qual sua expectativa para a versão em quadrinhos que fará da cidade de Belo Horizonte ? O que está achando da capital de Minas Gerais? Miguelanxo: Não são bem quadrinhos! O que Jano fez foram 30 pranchas, 30 cartões postais, e cada um têm uma pequena história. Ele é genial para fazer isso. Em cada imagem, contar uma história. O Rio é uma cidade conhecida em todo o mundo, o Pão de Açúcar, Ipanema, as garotas... são coisas que todos conhecem. E é um bom ponto de partida para mostrar o Rio que nem todos conhecem! Belo Horizonte não é tão conhecida. Então, tenho que ir apresentando a cidade. Achei que um bom sistema seria utilizar a cidade como o cenário de uma história. Algo simples, porque o espaço é reduzido. Mas durante o decorrer da trama os leitores vão conhecendo a cidade. No final, vão descobrir que Belo Horizonte não é apenas o cenário, mas sim o personagem principal da história.
Miguelanxo: Não sou apaixonado pelo futebol! Se me comparar com o brasileiro, então, seria covardia, mas o Deportivo La Curuña foi campeão há dois anos e vice-campeão ano passado! Tem brasileiros lá, como Djalminha, Mauro Silva, César Sampaio (nota do UHQ: quando a entrevista foi feita o volante ainda não havia se transferido para o Corinthians). O Bebeto já jogou, e o Rivaldo também! Eu morava no centro, e depois me mudei para o campo. Lá, eles só falam do tempo e de futebol (risos)! Não havia outro jeito, a não ser falar sobre isso. Eu sigo os campeonatos, procuro saber o resultado das partidas! UHQ: Quando o álbum sobre Belo Horizonte fica pronto?
UHQ: Quais foram seus últimos trabalhos? Miguelanxo: Há quase 4 anos que não faço quadrinhos! Fiz desenhos animados, como Homens de Preto, e fiquei esse tempo trabalhando nisso. Achei que não podia combinar as duas coisas. O investimento para fazer quadrinhos é imenso! Agora, tenho a intenção de retomar com o livro de Belo Horizonte, que é meu primeiro projeto. Depois, vamos ver. UHQ: Nos seus álbuns, você quase sempre faz o roteiro e o desenho. Hoje em dia, você trabalharia desenhando o roteiro de outra pessoa? Quem seria? Miguelanxo: Eu trabalhei duas vezes. Quando fiz o personagem Manuel Furtado, um detetive português, foi com roteiro de outra pessoa (nota do UHQ: o roteirista Fernando Luna) . O livro se chamava O Manancial da Noite (nota do UHQ: este trabalho ganhou o troféu Alph'art de melhor álbum estrangeiro no renomado Festival de Angoulême, na França, em 1991) . Era um detetive poético! A outra vez foi com o livro La Ley del Amor (nota do UHQ: romance de Laura Esquivel, a autora de Como água para chocolate, em 1995). Eu não gostaria de fazer uma versão em quadrinhos de um romance de um escritor, acho que não tem muito sentido. Mas dos que eu gosto, adoraria ilustrar, se eles estivessem dispostos a fazer um roteiro! |
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