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UHQ: Como se envolveu em Superman Adventures?
Manley: Eu não lembro exatamente, mas acho que foi quando telefonei e perguntei se poderia fazer uma edição, já que estava trabalhando para a Warner Bros., produzindo storyboards para o desenho animado. A primeira coisa que fiz, foi desenhar a edição #9.
UHQ: Para muitos leitores, o Super-Homem não é um dos super-heróis mais legais. Você gosta do Homem de Aço?
Manley: Ele era o meu favorito quando criança. Ele é o primeiro, um clássico, mas realmente é de um tempo onde as histórias eram mais simples. Aquela época era mais simples. Mais em preto e branco. Ele é um dos personagens mais difíceis de se escrever, porque não tem o ângulo psicológico e o aspecto de filme noir do Batman, por exemplo.
Nesse sentido, ele é menos realista. Você não pode explorar demais certas coisas, porque não fará sentido. Como ele pode voar? Por que ele tem visão de calor etc? Como ele pode ligar e desligar isso?
É uma fantasia, e é melhor tratada de uma maneira menos rígida, na minha opinião. Com o passar do tempo, ele se tornou mais poderoso, muito poderoso. Embora os quadrinhos agora estejam dando um pontapé na realidade. Ele também não tem vilões tão bons quanto o Batman. Ele não tem um Coringa. Comparando, Luthor é um inimigo chato. Super-Homem é basicamente um Deus, perfeito. E isso traz uma história chata. Ele é tão poderoso, tem tantas habilidades, que qual vilão gostaria de enfrentá-lo?
A única maneira de dramatizar mais é enfraquecê-lo, dar a ele mais fraquezas. Acho que o pessoal estava indo nesta direção no desenho animado, mas depois meio que se perderam.
UHQ: Superman Adventures foi aclamado pela crítica e indicado para vários Eisner Awards, mas considerada, por muitos fãs, uma revista para "crianças". Como você vê isso?
Manley: Eu acho que já que é feito em um estilo simples - o mesmo do desenho animado, o qual é mais difícil do que uma versão realista (acredite em mim, olhe para a revista e verá que nem todos conseguem fazer o estilo do Bruce Timm) - e porque não está dentro da continuidade, é como um peixe fora d'água para os fãs das revistas tradicionais. Entretanto, acho que era um título superior, tinha a melhor maneira de lidar com o personagem, e merece toda a glória que recebeu.
UHQ: Como foi fazer capas tão boas e cheias de ação? Como o editor solicita esse tipo de capas?
Manley: Funciona de diversas maneiras. Quando Mike MacAvennie estava editando a revista, nós conversávamos e, então, eu fazia alguns rascunhos. Iguais aos que estão na Galeria do Super-Homem (Superman gallery) do meu site. Quando ele dava o "ok" em um deles, eu desenhava, e mandava para o Terry arte-finalizar. O Joey Cavalieri, o editor atual, às vezes me mandava um rascunho com uma idéia. Em outras, faço um esboço e dou algumas idéias depois de ele me enviar alguns desenhos ou descrições da história.
UHQ: O que você acha que os editores procuram ao contratarem você para um título ou algumas capas?
Manley: Hmm. Imagino que seja o meu estilo, dinâmica e narração. Minha habilidade em desenhar. Sou bem flexível como artista. Posso fazer um estilo realista e cartoon. Depois de quase 20 anos nos quadrinhos, tenho um grande portfólio que comprova isso.
UHQ: Aluir Amâncio, desenhista de Superman Adventures, chegou a afirmar que você se diverte bastante fazendo as capas. Poderia falar um pouco mais sobre esse sentimento? Qual o motivo?
Manley: É divertido fazer uma capa ou desenhar algo excitante. É também um trabalho difícil, porque você tem que contar a história na capa, algo que prenda a atenção do leitor. Algumas histórias têm uma imagem forte; em outras, você tem que trabalhar para isso acontecer.
UHQ: Como foi seu trabalho com storyboards nos desenhos animados do Super-Homem e Batman para a Warner Bros.?
Manley: Foi divertido, difícil e desafiador. Mais difícil e com mais planejamento do que os quadrinhos. Na verdade, é como ser um diretor, porque eu era responsável por tudo que estava acontecendo, cenários, interpretação, enfim, tudo.
UHQ: Você está trabalhando no desenho animado da Liga da Justiça? O que acha desta nova série e da dos antigos Superamigos? Alguma influência?
Manley: Eu não estou envolvido com o desenho ou a revista, e tenho apenas uma vaga idéia do que está sendo planejado. Será produzida pela mesma equipe. Por isso, minha expectativa é que será legal, mesmo tendo mais trabalho, já que serão 3 vezes mais personagens.
Na verdade, eu odiava o antigo desenho dos Superamigos quando era criança, porque era muito pobre em termos de animação. Era um insulto. Tinha valores horríveis de produção.
UHQ: A DC Comics está planejando uma série em quadrinhos baseada no desenho animado da Liga da Justiça para ser lançado em novembro. Você estará envolvido em algum número?
Manley: Eu não fui convidado.
UHQ: Superman Adventures será cancelado em breve. Fale um pouco mais sobre as capas. Você sentirá falta do título? Por quê?
Manley: Vou sentir falta do desafio de tentar fazer uma imagem legal de um ícone todos os meses, mas, por outro lado, também estou um pouco feliz com esse fim. É hora de ir em frente. Mas é uma vergonha que o mercado não suporte esse tipo de revista.
UHQ: Qual será o último número?
Manley: A última será a edição 66. Estou contente por fazê-la.
UHQ: Nas histórias dos números 54 e 55, você fez referências às capas que Neal Adams fez em Superman #233 e #234. Você gosta de fazer referências às capas clássicas em seu trabalho?
Manley: Nesse caso, foi idéia do editor Joey Cavelieri,de homenagear aquelas capas clássicas e ao mesmo tempo tentar introduzir um elemento novo neste conceito.
UHQ: Como se sente reproduzindo o estilo animated? O que acha desse estilo?
Manley: O trabalho é tentar desenhar no estilo da série animada. Como todos os animadores, artistas e o pessoal que limpa os traços.É tentar fazer igual, como se a mesma pessoa estivesse produzindo tudo.
Essencialmente, o mais próximo possível do Bruce Timm. Não é um feito fácil. Pode ser divertido, mas, às vezes, também frustrante. Eu o considero um artista fantástico e aprendi muito trabalhando com ele nos desenhos, seguindo os passos de seu estilo na animação e nos quadrinhos. Sempre se pode aprender algo de outro artista, se você estiver aberto a isso. No caso de Bruce, nós também temos uma adorável influência em comum, e respeitamos os mesmos cartunistas e ilustradores.
Eu realmente tento fazer a minha versão desse estilo. Não posso desenhar sempre como Bruce. Nós ainda pensamos diferente e resolvemos problemas de um ponto de vista comum, mas diferente. Todo artista é ele próprio em alguns momentos, e isso é bom.
UHQ: Atualmente, muitos artistas estão trazendo o estilo mangá aos quadrinhos americanos. Você acha que esse é o futuro das revistas de super-heróis?
Manley: Estilos vêm e vão. Em dez anos, mangá pode ser substituído por outra coisa, ou evoluir em algo que ainda não possamos prever. Dez anos atrás, havia Liefeld e todo o estilo Image. Agora, ninguém liga muito. Aquela linha se tornou tão comum quanto grama ou pão. Comum. Penso que jovens artistas são influenciados pelo que viram enquanto cresciam.
Então, como Kirby e Buscema me influenciaram, os jovens estão sendo influenciados pelo mangá. Comigo, isso não ocorreu, exceto para coisas como Astroboy e Speed Racer. Acho que existem grandes mangás, mas também porcarias, como qualquer outro estilo. Detalhes e estilização não acobertarão desenhos e narrações ruins. Qualquer bom artista pode se adaptar a quase todo tipo de estilo.
Acho que a intensidade e os detalhes, assim como o grande alcance de histórias e elementos de fantasia, estão atraindo a audiência mundial. Parece ser também mais moderno; não uma tira americana clássica recauchutada, como Flash Gordon ou Tarzan, de onde os super-heróis vieram.
Os quadrinhos americanos serão cada vez mais influenciados pelo mangá, assim como nós, americanos, também influenciaremos alguns artistas de mangá.
Eu gosto de Battle Angel e o trabalho do Otomo, Miyazaki e outros artistas.
UHQ: Em Superman Adventures, o lendário artista Terry Austin arte-finaliza sua arte. Como é sua relação com ele? Você costuma arte-finalizar seus próprios desenhos?
Manley: Terry é um bom amigo, grande arte-finalista e um cara muito legal. Eu tento finalizar todo trabalho que posso, sempre prefiro fazer a arte-final de meus desenhos.
UHQ: O site da Action Planet Comics é um ótimo lugar para saber mais sobre seu trabalho. O que fez você perceber que precisava de um site para entrar em contato com seus fãs? O que acha da influência da Internet na indústria dos quadrinhos?
Manley: Estou na Internet desde o fim de 1995. Meu site existe desde 1996. Eu estava um pouco à frente do grupo. Mas eu senti a necessidade de estar ali. Acho que a Internet veio pra ficar, e estamos ainda bem no começo. É essencial artistas estarem conectados à rede e ter um site. Não posso imaginar não ter o meu, o qual me deu muita notoriedade e trabalho. Como artista, sou também um homem de negócios, e muitos dos negócios futuros lidarão com a Internet em algum ponto.
Acho que é cedo para prever a influência da Internet nos quadrinhos. Tantas variáveis ainda estão em aberto, e assuntos como propriedade e pagamento etc, ainda estão para ser decididos e resolvidos. Eu comparo essa época com o a do rádio, quando ele ainda tinha seis meses de vida.
Eu planejo estar lá, e o Action Planet também.
UHQ: Muito obrigado pela entrevista, e parabéns pelo seu fantástico trabalho nas capas de Superman Adventures.
Manley: Obrigado!

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