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Online desde: 05/01/2000       
Última atualização: 09/02/10       

Entrevista
 
Entrevista: Lourenço Mutarelli

Lourenço Mutarelli:
um artista na acepção da palavra

Numa entrevista EXCLUSIVA ao Universo HQ,
o maior nome dos quadrinhos brasileiros da atualidade,
fala de sua carreira, das dificuldades de seu início de carreira e mostra aos nossos leitores, EM PRIMEIRÍSSIMA MÃO, páginas de seu próximo álbum, A Soma de Tudo, que encerra a trilogia do Detetive Diomedes, e só deve sair no segundo semestre de 2001

Por Sidney Gusman e Marcelo Naranjo

Lourenço Mutarelli e seu filho Francisco
Lourenço Mutarelli e seu filho Francisco
Lourenço Mutarelli é um cara totalmente "na dele". Pai coruja do "elétrico" e cativante Francisco, de 5 anos, seu jeito quieto esconde um tremendo "gente boa". Extremamente atento, ele parece estar sempre observando tudo à sua volta, captando elementos, situações ou pessoas que poderão ser utilizados nos seus próximos trabalhos.

Aos 36 anos (ele nasceu em 1964), dono de um traço único, extremamente humilde, hoje, Lourenço Mutarelli é "apenas" o maior nome das histórias em quadrinhos nacionais. Seus roteiros atingiram uma maturidade notável em seus dois últimos álbuns, O Dobro de Cinco e O Rei do Ponto merecendo grande destaque na imprensa do País inteiro. Recentemente, foi lançado em Portugal, pela Devir Editora, onde foi muito bem recebido por público e crítica.

Atualmente, está trabalhando em A Soma de Tudo, o álbum que encerrará a trilogia do detetive canastrão Diomedes, mas abriu um espaço na sua agenda para uma entrevista EXCLUSIVA para o Universo HQ, onde conta detalhes de seu início de carreira, dos problemas que enfrentou, de sua relação com os quadrinhos, fala de seus ídolos e confessa, até, que acharia interessante fazer uma história de super-herói! No seu estilo, claro!

E o melhor: além de ler tudo sobre Lourenço Mutarelli, você ficará poderá conferir, EM PRIMEIRÍSSIMA MÃO, COM EXCLUSIVIDADE, duas das primeiras páginas do próximo álbum do autor, que deve ser lançado somente do segundo semestre (a previsão é agosto). Um presente do Universo HQ para os seus leitores!

Adjetivos não faltam para definir Lourenço Mutarelli: brilhante, fantástico, provocativo, talentoso, inteligente, incrível e muitos outros. Então, faça o seguinte: leia a entrevista e, ao final, acrescente você mesmo mais alguns a essa lista.

Universo HQ: Lourenço, você é formado em que?

Lourenço Mutarelli: Fiz um curso relâmpago, de dois anos, na Belas Artes, concluído em 1985. Aí, ou você encerrava ou curso, ou optava por bacharelado ou artes plásticas. Como parei por ali, me formei em educação artística. Na época, já estava trabalhando no Mauricio (de Sousa), e já não tinha muito tempo até pra continuar, nem tanto interesse.

UHQ: Lourenço, quando você decidiu que queria trabalhar com quadrinhos?

Lourenço: Isso é engraçado, porque foi uma decisão mesmo! Sabe, quando eu vi algumas coisas, falei: "Puxa, vou tentar viver de quadrinhos". Eu sempre fiz uma historinha ou outra, sem muita pretensão, coisa muito ligada às pessoas que estavam em minha volta, coisa para amigo ler. Aí, em 1986, eu comecei a tentar estruturar melhor isso.

Arte de Lourenço Mutarelli - clique para ampliar
Página de O Rei do Ponto

UHQ: Qual foi seu primeiro trabalho publicado? Em que ano foi isso?

Lourenço: Foi em 1988, tanto o fanzine que eu editei, quanto a minha primeira história na Animal, com o Rogério de Campos. Mas eles sempre deixavam bem claro que era no MAU (Nota do UHQ: um suplemento que vinha encartado na publicação), não na Animal; mas, para mim, eu estava na Animal.

Engraçado é que, antes do meu primeiro fanzine, tinha um monte de editoras de quadrinhos, como a Press e umas outras pouco conhecidas. Eu fui a todas, mas nenhuma se interessou muito pelo meu trabalho. Achavam legal, mas diziam que não tinha a ver. Alguns perguntavam onde eu já tinha publicado. "Em nenhum lugar? Então, não dá!".

Mas, assim que eu publiquei o fanzine, que o Marcatti demorou nove meses para imprimir, porque era uma coisa sem pressa, sem grana, começaram a me ligar, na farmácia onde eu trabalhava. O próprio Rogério me contatou, perguntando se eu não tinha tempo pra fazer alguma coisa, e foi isso! 1988 foi decisivo!

continua

 


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