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Online desde: 05/01/2000 |
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Risso: É a liberdade que existe entre mim e Azzarello. É o melhor condimento da série. A possibilidade de nos retroalimentarmos. Eu agrego coisas gráficas, que ele usa posteriormente. E gosta disso! Por exemplo, no capítulo em Paris (nota do UHQ: a edição # 26 da série, que deve chegar ao Brasil em 2004), Mr. Branch fala com Echo, uma prostituta. Azzarello gostou dela, e decidiu continuar usando-a.
Isso aconteceu também em Fulù, com uma mulher (nota do UHQ: a gorda tarada Aldaba) que aparecia num só livro, mas voltou em outro, por ganhar muita força como personagem secundária, se destacando sobre os outros. UHQ: Nós já entrevistamos muitos artistas, e vários deles comentaram que, às vezes, os personagens ganham vida própria... Risso: Sim, isso acontece, sem dúvida.
Risso: Um dos segredos do êxito de 100 Balas é não ser somente uma série policial. Azzarello resgata muitos valores que foram se perdendo nestes últimos vinte anos, como amizade, respeito, e vários outros. Isso supera o que uma série policial oferece, e a enriquece com muitos personagens. Não temos apenas um. São vários, e todos com vida própria. Assim, se abre uma gama enorme para fazer uma infinidade de coisas. UHQ: Certa vez, Azzarello mencionou que, inicialmente, 100 Balas teria 12 edições. Agora, estaria planejada para terminar no número 100, algo que tem até bastante lógica. Você confirma isso?
UHQ: E você pode contar algo do que vem por ai? Risso: É muito difícil! Eu pedi a Azzarello que não me contasse, pois quero imaginar a série. E isso tem servido para fazer um bom trabalho. Muitas vezes, recebo o roteiro por partes. Ele me manda 11 páginas, e fico tentando adivinhar o resto. E o bom de Azzarello é que posso imaginar até cinco ou seis finais, mas ele sempre acaba me surpreendendo com algo novo. UHQ: Há alguma edição de 100 Balas que você particularmente gosta? Por quê?
Essa é a que mais gosto, pois ganhamos o primeiro Eisner com ela; e também porque foi nela que começou com a nova colorista, Patrícia Mulvihill. Eu não gostava do anterior (nota do UHQ: Grant Goleash). A história era muito boa, e terminou sendo graficamente interessante de se ver. UHQ: Vocês já chegaram a ter problemas com algum tipo de censura ou reclamações, pelo teor das histórias? Risso: Não. Nós supomos uma censura própria. Por exemplo: não posso mostrar partes nuas, salvo um ou outro peito, ou uma bunda. Nas cenas de sexo, prefiro "sugerir" do que mostrar algo mais explicito. UHQ: Como é o processo de trabalho entre você e Azzarello?
Agora que está trabalhando só para a DC, Azzarello tem mais tempo, mas quando estava também na Marvel, no ano passado, me mandava quatro páginas hoje, cinco dias depois mandava mais três... Meus desenhos vão direto para a DC. Azzarello geralmente não os vê. Apenas o lápis, às vezes. UHQ: 100 Balas é hoje o grande sucesso da Vertigo, depois de Sandman e Preacher. O que acha destes dois títulos? Risso: Li apenas alguns números de Preacher. Eram fortes, interessantes, mas nunca gostei dos desenhos. Sandman também li somente algumas edições, apesar de ser outra linha. O curioso é que, por causa de Sandman, custou muito para Alonso introduzir 100 Balas na Vertigo, pois o público estava acostumado a ler Neil Gaiman (Nota do UHQ: clique aqui para conferir a entrevista exclusiva com o roteirista britânico), ou obras na mesma linha. Alonso teve que batalhar muito para lançar 100 Balas. Como teve êxito, agora querem fazer tudo como 100 Balas...(risos) UHQ: Quantas edições de 100 Balas você tem prontas?
UHQ: Você gostaria de ver 100 Balas em outra mídia? Risso: Sim. Já disse a Azzarello que ele teria que fazer um roteiro especial para o cinema, pois não se poderia adaptar a série como está publicada. Talvez para um seriado de televisão. UHQ: Os prêmios que a série ganhou abrem muitas portas? Risso: No meu caso, já tinha a proposta para fazer Batman e o contrato de exclusividade, antes dos prêmios. Mais que portas, obtive respeito e reconhecimento. O que não é pouco, porque, sendo estrangeiro, sou o primeiro argentino que ganhou o Eisner. E como a série é bastante nova, tomou impulso muito rapidamente. UHQ: Por falar em Batman, como está a graphic novel de 120 páginas que você e Brian Azzarello estão desenvolvendo? Existe previsão de lançamento?
Não queria parar a série para fazer Batman. A graphic novel deve sair daqui a dois ou três anos. UHQ: Mas você falou que não gosta de super-heróis. Como está sendo fazer Batman? Risso: Desse universo, eu só acredito em Batman. Não creio em super-heróis que voam, que atiram raios... UHQ: Estamos muito curiosos para ver o Batman no seu traço. Risso: O desafio de fazer Batman não é pelo personagem em si, mas pela arte-final, que pretendo fazer diferente de 100 Balas, com uma mudança na narração, nos grafismos. Esse é meu maior desafio. Não sei se poderei fazê-lo, nem como fazê-lo, mas estou pensando nisso. Preciso ver o roteiro primeiro.
Risso: O grande problema com Batman, é que sua série regular não vende, porque tem sempre péssimos desenhistas (nota do UHQ: Risso desconhecia a entrada de Jim Lee no titulo). É um personagem muito rico, mal aproveitado na série regular. Diferente das graphic novels, que trazem artistas melhores. UHQ: Você faria uma série regular com ele? Risso: Hummm... por que não? Mas, no gênero super-herói, ele seria o único?
É difícil mudar algo, sobretudo pelos próprios editores, que são contra essas alterações, que, muitas vezes não são aceitas pelo público. Veja o exemplo do Super-Homem, que trocou de traje, mas teve que voltar ao antigo, porque os leitores não aceitaram. UHQ: Você não acha que esses erros são basicamente dos editores, que não escolhem artistas que "casam" com os títulos, optando por desenhistas que o público não gosta?
Como super-herói também são lidos por crianças, pensam que quadrinhos é coisa para tontos. Não é assim! O mangá não é feito para tontos. E algumas histórias dos super-heróis atualmente são ridículas. É impossível de acreditar no que estão escrevendo!
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