Universo HQ   Quadrinhos Cinema email uhq@universohq.com boletim UHQ Loja   Universo HQ

Online desde: 05/01/2000       
Última atualização: 16/05/08       

Entrevista
 100 Bullets #26

Graves

Cole

Dizzy

Lono

100 Balas #2
100 Balas #2
UHQ: 100 Balas é um estrondoso sucesso. Mesmo não alcançando vendas como as dos quadrinhos mainstream, é hoje o principal título da Vertigo, tornou você e Azzarello conhecidos na indústria internacionalmente, e é a mais premiada série da atualidade. Somente este ano, foram três prêmios no Harvey Award e mais três no Eisner Award. Qual o segredo?

Risso: É a liberdade que existe entre mim e Azzarello. É o melhor condimento da série. A possibilidade de nos retroalimentarmos. Eu agrego coisas gráficas, que ele usa posteriormente. E gosta disso!

Por exemplo, no capítulo em Paris (nota do UHQ: a edição # 26 da série, que deve chegar ao Brasil em 2004), Mr. Branch fala com Echo, uma prostituta. Azzarello gostou dela, e decidiu continuar usando-a.

Mr. Branch e Echo
Mr. Branch e Echo
Vamos somando coisas, e personagens que eram secundários acabam ganhando força e voltando a aparecer.

Isso aconteceu também em Fulù, com uma mulher (nota do UHQ: a gorda tarada Aldaba) que aparecia num só livro, mas voltou em outro, por ganhar muita força como personagem secundária, se destacando sobre os outros.


UHQ: Nós já entrevistamos muitos artistas, e vários deles comentaram que, às vezes, os personagens ganham vida própria...

Risso: Sim, isso acontece, sem dúvida.

100 Balas #3
100 Balas #3, da Opera Graphica
UHQ: Você acha que o fato de 100 Balas ser uma série policial, num mercado tão saturado de séries que não se renovam (o dos super-heróis), é um dos segredos desse êxito?

Risso: Um dos segredos do êxito de 100 Balas é não ser somente uma série policial. Azzarello resgata muitos valores que foram se perdendo nestes últimos vinte anos, como amizade, respeito, e vários outros.

Isso supera o que uma série policial oferece, e a enriquece com muitos personagens. Não temos apenas um. São vários, e todos com vida própria. Assim, se abre uma gama enorme para fazer uma infinidade de coisas.


UHQ: Certa vez, Azzarello mencionou que, inicialmente, 100 Balas teria 12 edições. Agora, estaria planejada para terminar no número 100, algo que tem até bastante lógica. Você confirma isso?

100 Balas #4
100 Balas #4, da Opera Graphica
Risso: Isso aconteceu, porque era uma imposição, um requisito editorial. Faríamos a série por um ano, se não vendesse, o titulo terminava; e produziríamos outra coisa. Agora serão mesmo 100 edições.

UHQ: E você pode contar algo do que vem por ai?

Risso: É muito difícil! Eu pedi a Azzarello que não me contasse, pois quero imaginar a série. E isso tem servido para fazer um bom trabalho.

Muitas vezes, recebo o roteiro por partes. Ele me manda 11 páginas, e fico tentando adivinhar o resto. E o bom de Azzarello é que posso imaginar até cinco ou seis finais, mas ele sempre acaba me surpreendendo com algo novo.


UHQ: Há alguma edição de 100 Balas que você particularmente gosta? Por quê?

Terceiro encadernado de 100 Bullets
Terceiro encadernado de 100 Bullets, da DC, que engloba os números 15 a 19 da série
Risso: Sim, a número 15, que inicia um arco de quatro capítulos com um personagem novo chamado Loop, que vai se transformar num minute-man; e o pai, que foi um minute-man.

Essa é a que mais gosto, pois ganhamos o primeiro Eisner com ela; e também porque foi nela que começou com a nova colorista, Patrícia Mulvihill. Eu não gostava do anterior (nota do UHQ: Grant Goleash).

A história era muito boa, e terminou sendo graficamente interessante de se ver.


UHQ: Vocês já chegaram a ter problemas com algum tipo de censura ou reclamações, pelo teor das histórias?

Risso: Não. Nós supomos uma censura própria. Por exemplo: não posso mostrar partes nuas, salvo um ou outro peito, ou uma bunda. Nas cenas de sexo, prefiro "sugerir" do que mostrar algo mais explicito.

UHQ: Como é o processo de trabalho entre você e Azzarello?

100 Balas #5
100 Balas #5, da Opera Graphica
Risso: Ele envia tudo por e-mail. Nem sempre vem o roteiro inteiro, depende do tempo dele.

Agora que está trabalhando só para a DC, Azzarello tem mais tempo, mas quando estava também na Marvel, no ano passado, me mandava quatro páginas hoje, cinco dias depois mandava mais três...

Meus desenhos vão direto para a DC. Azzarello geralmente não os vê. Apenas o lápis, às vezes.


UHQ: 100 Balas é hoje o grande sucesso da Vertigo, depois de Sandman e Preacher. O que acha destes dois títulos?

Risso: Li apenas alguns números de Preacher. Eram fortes, interessantes, mas nunca gostei dos desenhos. Sandman também li somente algumas edições, apesar de ser outra linha.

O curioso é que, por causa de Sandman, custou muito para Alonso introduzir 100 Balas na Vertigo, pois o público estava acostumado a ler Neil Gaiman (Nota do UHQ: clique aqui para conferir a entrevista exclusiva com o roteirista britânico), ou obras na mesma linha.

Alonso teve que batalhar muito para lançar 100 Balas. Como teve êxito, agora querem fazer tudo como 100 Balas...(risos)


UHQ: Quantas edições de 100 Balas você tem prontas?

100 Balas #6
100 Balas #6, da Opera Graphica
Risso: Não muitas. Quando começou a sair a série tínhamos cinco ou seis números adiantados. Agora, estamos tratando de recuperar o tempo perdido. Estamos uma ou duas edições à frente.

UHQ: Você gostaria de ver 100 Balas em outra mídia?

Risso: Sim. Já disse a Azzarello que ele teria que fazer um roteiro especial para o cinema, pois não se poderia adaptar a série como está publicada. Talvez para um seriado de televisão.

UHQ: Os prêmios que a série ganhou abrem muitas portas?

Risso: No meu caso, já tinha a proposta para fazer Batman e o contrato de exclusividade, antes dos prêmios. Mais que portas, obtive respeito e reconhecimento. O que não é pouco, porque, sendo estrangeiro, sou o primeiro argentino que ganhou o Eisner. E como a série é bastante nova, tomou impulso muito rapidamente.

UHQ: Por falar em Batman, como está a graphic novel de 120 páginas que você e Brian Azzarello estão desenvolvendo? Existe previsão de lançamento?

Super-Homem, arte de Eduardo Risso
Superman, arte de Eduardo Risso
Risso: Está mais ou menos... Serão 128 páginas, mas eu só aceitei com a condição de poder entregar quatro ou cinco páginas por mês, mais 100 Balas, claro.

Não queria parar a série para fazer Batman. A graphic novel deve sair daqui a dois ou três anos.


UHQ: Mas você falou que não gosta de super-heróis. Como está sendo fazer Batman?

Risso: Desse universo, eu só acredito em Batman. Não creio em super-heróis que voam, que atiram raios...

UHQ: Estamos muito curiosos para ver o Batman no seu traço.

Risso: O desafio de fazer Batman não é pelo personagem em si, mas pela arte-final, que pretendo fazer diferente de 100 Balas, com uma mudança na narração, nos grafismos.

Esse é meu maior desafio. Não sei se poderei fazê-lo, nem como fazê-lo, mas estou pensando nisso. Preciso ver o roteiro primeiro.


Batman e Hera Venenosa, arte de Eduardo Risso
Batman e Hera Venenosa, arte de Eduardo Risso
UHQ: Recentemente, nós entrevistamos Max Allan Collins, que também disse não gostar de super-heróis, somente do Batman, porque o considera um detetive, e não o considera um super-herói.

Risso: O grande problema com Batman, é que sua série regular não vende, porque tem sempre péssimos desenhistas (nota do UHQ: Risso desconhecia a entrada de Jim Lee no titulo).

É um personagem muito rico, mal aproveitado na série regular. Diferente das graphic novels, que trazem artistas melhores.


UHQ: Você faria uma série regular com ele?

Risso: Hummm... por que não?

Mas, no gênero super-herói, ele seria o único?

Batman e Super-Homem, arte de Eduardo Risso
Batman e Super-Homem, arte de Eduardo Risso
Risso: Isso pode até ser mudado, mas o problema com super-heróis é que tudo já está feito. Para qualquer artista é mais fácil desenhar personagens novos, do que fazer mitos como Superman, Batman ou os demais.

É difícil mudar algo, sobretudo pelos próprios editores, que são contra essas alterações, que, muitas vezes não são aceitas pelo público.

Veja o exemplo do Super-Homem, que trocou de traje, mas teve que voltar ao antigo, porque os leitores não aceitaram.


UHQ: Você não acha que esses erros são basicamente dos editores, que não escolhem artistas que "casam" com os títulos, optando por desenhistas que o público não gosta?

Batman e Super-Homem, arte de Eduardo Risso
Batman e Super-Homem, arte de Eduardo Risso
Risso: Acho que o editor americano pensa que o leitor é tonto! Digo isso, porque, às vezes, em 100 Balas, me dizem "Por que não põe isto?", "Por que não ressaltar isso?" ou "O leitor não vai lembrar".

Como super-herói também são lidos por crianças, pensam que quadrinhos é coisa para tontos. Não é assim!

O mangá não é feito para tontos. E algumas histórias dos super-heróis atualmente são ridículas. É impossível de acreditar no que estão escrevendo!








100 Balas #7 100 Balas #8

Entrevista Eduardo Risso - parte 1 | Entrevista Eduardo Risso - parte 3

 


|| QUADRINHOS | CINEMA | E-MAIL | BOLETIM | LOJA | PUBLICIDADE ||

© 2001, Universo HQ