 Dreadstar #1 (Epic Comics)  Dreadstar #27 (First Comics)  Dreadstar #1 - mini-série(Bravura/Malibu Comics) |
UHQ: Por que Dreadstar saiu do selo Epic? Depois de passar pela First, o que causou o seu cancelamento? No Brasil até hoje, existe uma legião de fãs, auto-intitulada "órfãos de Dreadstar", que desconhece o final da saga do personagem!
Starlin: Estou empenhado em publicar toda a série de Dreadstar pela Slave Labor Graphics. A Epic foi uma linha da Marvel que publicava personagens que pertenciam aos autores. Quando a Marvel e eu tivemos uma briga sobre o dinheiro que me deviam, levei o material para a First e, posteriormente, para a Malibu.
UHQ: Você foi um pioneiro em termos de direitos autorais na indústria americana dos Comics, com Dreadstar. Porém, não produziu mais obras com o personagem e, na sua volta, após vários anos, permitiu que o roteiro e desenho fossem feitos por outros artistas (nota do UHQ: Peter David assumiu os roteiros e os desenhos ficaram por conta de artistas como Luke MacDonnell e Angel Medina). Você perdeu o prazer de trabalhar com Dreadstar?
Starlin: Eu escrevi, desenhei e arte-finalizei o equivalente a aproximadamente 50 edições de Dreadstar. Precisei parar e, desde então, não encontrei a oportunidade ideal para voltar a fazer dinheiro com novas histórias do personagem. Afinal, isso aqui é um negócio!
UHQ: Como estão as vendas das republicações da saga de Dreadstar, pela Slave Labor Graphics (nota do UHQ: Starlin está relançando toda a série de histórias de Dreadstar, em edições encadernadas, em preto e branco)?
Starlin: Boas o suficiente para continuarem publicando. Haverá um intervalo de uns seis meses entre as publicações dos livros quatro e cinco, enquanto eu estiver trabalhando em Infinity Abyss.
UHQ: Existe um ditado que afirma que toda história boa tem começo, meio e fim. Você pretende encerrar em definitivo a saga de Dreadstar algum dia? Quais os planos futuros para o personagem?
Starlin: Algum dia, em algum lugar, eu retornarei ao Dreadstar e, provavelmente, vou matá-lo no fim da saga. Eu também tenho uma história que quero fazer com ele, chamada Class Warfare.
UHQ: Como surgiu a Bravura Comics (nota do UHQ: um selo da Malibu Comics), onde você publicou duas mini-séries Breed I e II? Qual foi sua participação nisso? Na sua opinião quais os motivos que levaram ao fim desse selo?
Starlin: Harris Miller, meu advogado e também da maioria do pessoal envolvido na linha Bravura, fechou um acordo sobre os direitos dos artistas com a Malibu Comics. Chaykin que sugeriu o seu nome. No fim, a linha morreu, porque os homens de negócios da Malibu não eram muito bons no seu trabalho, e a Marvel acabou por comprar a companhia.
UHQ: Você foi um dos primeiros argumentistas a matar, "de verdade", personagens de grande sucesso. Hoje em dia, a morte/ressurreição de personagens virou lugar comum, quase sempre na tentativa de se aumentar a vendagem de revistas. O que acha disso?
Starlin: Prefiro não opinar.
UHQ: Na grande maioria de suas histórias temos a ação acontecendo no espaço sideral, em outros planetas ou outros universos. Existe algum motivo especial para essa fascinação pelo cosmos?
Starlin: Sim, eu odeio desenhar carros e pessoas com ternos. Além disso, você pode fazer histórias mais reais ou relevantes se as disfarçar com fantasias. Usando esse método, fiz contos sobre tudo, desde incesto até ridicularizar as grandes corporações; e não poderia ter feito isso se fosse no "mundo real".
UHQ: Você acompanha alguma série de quadrinhos atualmente? Quais são seus artistas prediletos da atualidade?
Starlin: Leio muito pouco. Qualquer coisa do Alan Moore e Frank Miller, e algumas poucas coisas da Marvel, que têm ligação com o que eu estou fazendo. Também gosto das histórias do Peter David.
UHQ: Você trabalhou com Super-Homem, Batman, Surfista Prateado, Hulk, Homem de Ferro, Aquaman e Capitão Marvel, entre outros personagens de sucesso! Existe algum super-herói com o qual você gostaria de ter trabalhado, mas não conseguiu?
Starlin: Millie the Model (nota do UHQ: uma personagem feminina, no melhor estilo Barbie, que foi publicada das décadas de 40 a 60, nos Estados Unidos). Não, na verdade, fiz pelo menos algum trabalho com todos os personagens que sempre quis trabalhar.
UHQ: Qual o seu personagem favorito?
Starlin: Thanos, porque eu o criei e, toda vez que vou para a Marvel, ele está num canto, sentado, esperando por mim para "brincarmos" juntos, não importa em qual título eu esteja trabalhando.
UHQ: Você trabalha com quadrinhos há mais de 30 anos. O que te atrai tanto nessa mídia? O que acha das dificuldades que os quadrinhos estão passando?
Starlin: As dificuldades passarão. Talvez agora, com o (George W.) Bush como presidente. Sempre que tivemos um presidente republicano e a economia em queda, a indústria de quadrinhos prosperou. É só olhar para trás, e ver quais foram os melhores anos: durante os governos de (Richard) Nixon, (Ronald) Reagan e (George) Bush. Nós temos um desempenho melhor quando os outros estão se "machucando".
 Captain Marvel #18: Página EXCLUSIVA do UHQ
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UHQ: Você já mencionou a mini-série chamada Infinity Abyss, que propôs para a Marvel. Do que se trata a história? Como andam as negociações?
Starlin: O projeto já foi autorizado, e é sobre a realidade caindo em um abismo. Mais detalhes no futuro.
UHQ: Depois de muitos anos, a Marvel resolveu "ressuscitar" Rom, numa mini-série em 5 partes, com textos seus e desenhos de Chris Batista. Como foi trabalhar com esse personagem (nota do UHQ: um homem que, para salvar o seu planeta, abdica da sua humanidade, para ser transformado num robô espacial. O personagem fez muito sucesso nas décadas de 70 e 80, inclusive no Brasil, pela RGE)? Você gostou de trabalhar com o personagem?
Starlin: Na verdade, não. Na década de setenta, eu o achava um personagem bem bobo. Apenas peguei o trabalho de escrever a série, pois assim poderia pagar algumas prestações do meu barco. Eu era estritamente mão-de-obra contratada naquele projeto. Não farei mais nada com Rom.
UHQ: Fale um pouco também sobre Wyrd: The Reluctant Warrior (Nota do UHQ: Mini-série em 6 edições, publicada pela Slave Labor), ainda desconhecido do público brasileiro.
Starlin: Wyrd é uma história humorística e política, sobre os ricos contra a magia e a homossexualidade não intencional. É um dos meus trabalhos favoritos; e é uma pena tão poucas pessoas terem lido. Está disponível em uma coleção da Slave Labor Graphics.
UHQ: Você poderia dar mais detalhes de suas outras atividades atuais, como, por exemplo, a produção de livros e softwares?
 Captain Marvel #18: mais uma página EXCLUSIVA do UHQ
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Starlin: Eu co-escrevo quatro romances com Daina Graziunas, minha ex-mulher (Among Madmen, Lady El, Thinning the Predators e Pawns, que foi serializada com a história de fundo baseada em Dreadstar). Eu sou um dos sócios de uma companhia de computadores chamada Electric Prism, que faz de tudo, desde design de websites até adaptar desenhos arquitetônicos para plantas de construção. Meu envolvimento atual com a empresa é mínimo.
UHQ: Você acredita no potencial dos quadrinhos pela Internet? Eles podem substituir o papel algum dia? O que achou das recentes notícias sobre a Stan Lee Media?
Starlin: a Stan Lee Media demitiu a maioria do seu pessoal há algumas semanas. Eu não acho que descobrirão tão cedo um substituto para o prazer de segurar uma revista nas mãos. Você já tentou ler quadrinhos pela Internet enquanto vai ao banheiro?
UHQ: Você poderia mandar uma mensagem aos seus fãs brasileiros?
Starlin: Continuem lendo e acreditando. A vida é muito curta para não se ter fantasias.
UHQ: Muito obrigado por sua atenção. O Universo HQ lhe deseja sucesso, sempre!
Starlin: Muito obrigado.
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