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Online desde: 05/01/2000       
Última atualização: 28/05/12       

Entrevista
 
Entrevista: Mark Waid

Textos... Páginas... Ação!
Com a assinatura de Mark Waid!

Um dos maiores roteiristas de super-herói da atualidade fala sobre, em entrevista EXCLUSIVA ao Universo HQ, os seus projetos futuros, sua carreira, os personagens que mais gosta, as diferenças entre trabalhar na Marvel e na DC e muito mais


Mark Waid

Ele foi o homem que "matou" o Capitão Marvel, na mini-série Reino do Amanhã.

O Flash (Wally West) viveu sua melhor fase sob os seus textos.

Graças aos seus roteiros criativos e bem elaborados, o Capitão América viveu um bom momento, depois de um longo e tenebroso inverno.

Nas suas mãos, Ka-Zar deixou de ser um simples coadjuvante, voltando a ter destaque no Universo Marvel.

Ele é um dos donos da promissora Gorilla Comics.

Acaba de assinar um contrato de exclusividade com a CrossGen Comics.

Certa vez, disse que o mercado de quadrinhos de super-heróis está em crise, porque as pessoas estão lendo as mesmas histórias da década de 30.

Você, evidentemente, já sacou que a "fera" mencionada acima é Mark Waid, um dos maiores roteiristas de super-heróis da atualidade.

Em comemoração ao primeiro aniversário do Universo HQ (05/01/2001), quem ganha o presente é você: uma entrevista EXCLUSIVA, na qual ele fala de sua carreira, dos seus projetos futuros, dos personagens que mais gosta, das diferenças entre trabalhar na Marvel e na DC, dos... Ei, peraí! Que tal ir direto pra entrevista? ;o)

Bom divertimento!

Futuro Relâmpago: Wally e Barry juntosUniverso HQ: Você começou sua carreira como articulista freelancer, nas revistas Amazing Heroes e Comic Buyer's Guide. Como aconteceu a mudança de sair de revistas especializadas e escrever quadrinhos?

Mark Waid: Trabalhar em revistas especializadas me permitiu manter um contato constante com os editores e escritores. Essa sorte - que chamamos de "networking", aqui nos Estados Unidos - me permitiu ficar conhecido entre eles. Assim, quando entrei no escritório do Julius Schwartz (Nota do UHQ: na época, editor da DC), em 1984, para mostrar uma história do Super-Homem, já nos conhecíamos, o que facilitou ele me escutar e me dar uma chance. Tudo nasceu a partir daí.

UHQ: Em janeiro, será publicado aqui o arco de histórias Futuro Relâmpago, em uma edição especial de 160 páginas. Fale um pouco mais sobre essa saga para os leitores brasileiros; e como ela irá afetar Wally. Você gostou do trabalho?

Waid: Eu gostei muito do que foi feito nessa história. Só lamento o prólogo sobre o vilão Azul Cobalto, pois sua origem não foi muito bem aceita pelos fãs americanos, que reagiram de maneira não muito educada (Nota do UHQ: a origem foi publicada no Brasil na revista Superman #4). Mas a saga Futuro Relâmpago me deu a chance de explorar um assunto que não havia sido abordado até então: a reação de Wally ao reencontrar Barry, agora que ele não é apenas seu parceiro mirim de aventuras, e sim alguém mais poderoso e com mais conhecimento do que Barry JAMAIS teve.

UHQ: Você trabalhou com o Flash durante oito anos, e não seria exagero dizer que definiu a personalidade de Wally e todo o universo do personagem. Como você vê o Flash hoje e por que resolveu deixar o título?

Waid: Francamente, a maneira como vejo o Flash é a RAZÃO de eu ter deixado o título. Quando eu comecei, há oito anos, eu via muitos, muitos paralelos em nossas vidas; e uma chance para eu trabalhar alguns dos meus próprios problemas através do Wally... A distância da minha família, minha frustração em nunca poder fazer as coisas tão rapidamente quanto eu queria, jamais realizar o suficiente, minha inabilidade em aproveitar plenamente uma relação com uma mulher.

A boa notícia é que, tanto eu quanto Wally, resolvemos essas questões. A má notícia é que isso colocou Wally em um lugar no qual eu não me identifico com ele, tanto quanto antes. Nós "crescemos separadamente"... Então, eu já não tenho muito o que dizer "através" dele. Ele não é mais um veículo apropriado para eu, como escritor, continuar me auto-explorando.


UHQ: Agora você está escrevendo a Liga da Justiça. Tem algo reservado para o Flash, em especial?

Waid: A-HÁ! Na verdade, não... Apesar de ser difícil de resistir à tentação de fazê-lo salvar o dia o tempo todo!

Super-Homem, em O Reino do AmanhãUHQ: Vamos falar um pouco do Super-Homem. Você, Grant Morrison, Mark Millar e Tom Peyer apresentaram um projeto para a DC, mas ele foi recusado. O que vocês queriam realmente fazer? Por que a DC vetou a idéia?

Waid: Eu nunca vou entender completamente as razões da DC. Os motivos apresentados pela editora não fizeram sentido para mim, e ainda não fazem! Temo que muito disso seja decorrência da desgastada relação entre a DC e o Grant e, algumas vezes, até comigo mesmo. Sobre o que pretendíamos fazer, não posso ser muito específico, já que nós quatro fizemos um pacto de guardar muitas dessas idéias e conceitos, com a esperança de que elas possam ser usadas em ALGUM LUGAR, no futuro.

Entretanto, asseguro que o principal objetivo era restabelecer o Super-Homem que Siegel e Shuster conceberam... Nossa intenção era enfatizar o "Super" acima do "Homem", ao invés do contrário.


UHQ: A DC chegou a dizer que nenhum super star trabalharia nas revistas mensais do Super-Homem. O que achou dessa declaração? Isso não desmerece os atuais profissionais que trabalham com o Homem de Aço?

Waid: Só se você levar a sério essa declaração da DC. Não tenho certeza do que eles quiseram dizer. Não tenho certeza nenhuma sobre esse assunto.

UHQ: Certa vez, você disse que resolveu trabalhar com quadrinhos depois de assistir três vezes a Superman: The Movie. Vem daí a sua admiração pelo personagem?

Waid: Em grande parte, sim. Sempre gostei do Super-Homem. Sempre acompanhei suas revistas. Mas a imagem do herói interpretada pelo Christopher Reeve foi a que me despertou, pela primeira vez, a sensação de admiração e grandeza de caráter do personagem. Me fez ver o lado humano que existe dentro dele. O Super-Homem do Reeve tem uma nobreza e humildade que o transformaram na figura do pai que eu nunca tive, de verdade, durante minha juventude.

UHQ: Você também mencionou que poderia escrever o Super-Homem em projetos especiais (graphic novels, edições especiais etc), mas não as revistas mensais. Por quê? Essa decisão vem da DC? Se, no futuro, lhe oferecerem o título mensal do Super-Homem, você aceitaria?

Waid: Sim, mas sob certas circunstâncias, e cercado de criadores com os mesmos interesses que os meus.

Capitão Marvel, em O Reino do AmanhãUHQ: O Reino do Amanhã mexeu com os fãs da DC no mundo inteiro. Como foi para você, um fã confesso dos personagens DC, "matar" um ícone como o Capitão Marvel?

Waid: Partiu meu coração... Mas o fato de se tratar de um Elseworld (Nota do UHQ: Túnel do Tempo, no Brasil), me aliviou um pouco. Eu não suportaria alguém matar o personagem "permanentemente".

UHQ: E como foi trabalhar com Alex Ross? Você tem planos para trabalhar com ele novamente?

Waid: Nenhum plano... Alex é um cara MUITO ocupado. Mas ele é muito criativo e desafiador. A vantagem de se trabalhar com ele é que todo o processo me forçou a examinar o meu próprio trabalho mais cuidadosamente do já havia feito antes.

UHQ: No Brasil, será publicada, em fevereiro, a mini-série The Kingdom. Por que voltar com o conceito de vários universos depois de Crise nas Infinitas Terras?

Waid: Porque eu e Grant Morrison estávamos cansados por todos os eventos publicados pela DC, nos últimos 15 anos, estarem DIMINUINDO o seu Universo... fazendo-o ficar MENOR. Quando nós criamos o Hipertempo, estávamos tornando o Universo DC GRANDE novamente, e cheios de POSSIBILIDADES. É por isso que nós amamos tanto os personagens da DC.

UHQ: Por que Alex Ross não participou de The Kingdom? Houve pressão da DC para ser feita uma continuação de O Reino do Amanhã devido ao seu grande sucesso?

Waid: Houve sim, mas eu resisti, até me darem a chance de escrever as cinco revistas Kingdom, as quais saíram entre Kingdom #1 e #2. Alex escolheu não trabalhar comigo, porque o que eu tinha em mente não combinava com a sua visão.

The Kingdom, batizado de Hipertempo no BrasilUHQ: Na sua opinião, por que The Kingdom não teve uma história tão boa quanto O Reino do Amanhã?

Waid: Em parte, porque a arte foi feita apressadamente; e era imprópria para a história. Mas, principalmente, porque eu simplesmente tive que produzir muita coisa em pouco tempo: sete roteiros de uma vez! Acabei pondo grande parte da minha atenção nas cinco revistas "do meio". O que foi mostrado em Kingdom #1 e #2 não foi ótimo, mas eu acho que Offspring, Planet Krypton e Son of the Bat são tão bons quanto qualquer outra coisa que eu já escrevi ou irei escrever.

UHQ: Qual a sua opinião sobre novo Espectro, Hal Jordan? Acredita ter sido uma boa idéia?

Waid: Qualquer coisa que nos deixe mais perto de trazer o Hal de volta ao Universo DC, como um dos mocinhos, está bom pra mim.

UHQ: Existem rumores que o novo Espectro é o começo de algo que se tornará um novo evento, como Crise nas Infinitas Terras. Poderia nos falar se há algo de verdade nisso?

Waid: Não que eu saiba.

UHQ: Você prefere os personagens clássicos ou os novos? Barry ou Wally? Hal ou Kyle? Oliver ou Connor? Por quê? O que acha dessas mudanças?

Waid: Em geral, eu prefiro os personagens clássicos. Não tenho preconceitos contra novas versões, a não ser que sejam criados de uma maneira que suje a memória e o espírito dos super-heróis clássicos, que eu tanto amo. Para isso, não existem desculpas. Estou feliz de ter Oliver de volta (obrigado, Kevin Smith!), pois ele tem uma personalidade única no Universo DC. E nós ficamos pobres sem ele.

continua

 


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