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UHQ: O que você planeja para a Liga, no futuro? Como a equipe irá reagir à expulsão do Batman?
Waid: A divisão que isso cria, a crescente paranóia e a falta de confiança irão afetar tremendamente a equipe, e é algo que o Super-Homem terá que encontrar uma maneira de resolver, se quiser que a Liga continue funcionando.
UHQ: Com seu contrato de exclusividade com a CrossGen, você terá que sair do título. Já tem alguma história planejada para sua despedida? Quando isso acontecerá?
Waid: Não há nada planejado para uma "despedida". Minha última edição não será publicada antes do final de 2001, aqui nos Estados Unidos. Então, eu tenho tempo!
UHQ: Quem você gostaria que o substituísse? Por quê?
Waid: Tom Peyer seria a minha escolha, mas... Vamos ver.
UHQ: Apesar de você ser mais conhecido por seus trabalhos na DC Comics, também fez bons trabalhos na Marvel, entre eles X-Men, Capitão América e Ka-Zar. É muito diferente trabalhar nas duas editoras?
Waid: Muito diferente... pelo menos era, quando eu trabalhava na Marvel. Lá, cada palavra que eu escrevia, cada situação criada com os personagens, era colocada em dúvida e tinha que passar por uma segunda opinião. Isso me deixava com pouca, ou nenhuma, confiança nas minhas histórias.
UHQ: O que achou das mudanças editoriais da Marvel? Gostou de Joe Quesada como novo Editor-Chefe, substituindo Bob Harras?
Waid: MEU DEUS, sim! Joe pensa no futuro, é generoso e honesto.
UHQ: Aqui no Brasil estão sendo publicadas suas últimas histórias com o Capitão América. O que aconteceu para você sair do título?
Waid: Eu estava sendo constantemente cobrado sobre que tipo de histórias deveria contar. Me falavam que o que eu estava fazendo, ou querendo fazer (abordar mais a temática sobre a América e o Sonho Americano) era "errado"; e a Marvel não queria isso. Mas, quando perguntei, a Marvel não soube dizer o que QUERIAM. A resposta exata me foi dada por Bob Harras: "Capitão América não tem que ser sobre a América, assim como o Homem-Aranha não tem que ser sobre aranhas".
Essa era a sua decisão. A Marvel é dona dos personagens, eu não. E, sob essa filosofia, eu, pessoalmente, sabia que não poderia produzir mais histórias de qualquer tipo.
UHQ: Durante a convenção de San Diego deste ano, voltou a ser comentado um possível crossover entre JLA e Vingadores. Depois que Quesada assumiu o cargo de editor-chefe, ele desmentiu os rumores. Parece que você e Kurt Busiek tinham planos para esse encontro. Por que não aconteceu? Será que algum dia os leitores verão essa história? O que você planejava para as duas equipes?
Waid: Acredito que irá acontecer, eventualmente. Eu e Busiek conversamos informalmente sobre o que GOSTARÍAMOS de fazer, mas foi apenas um papo entre amigos. Além disso, revelar qualquer detalhe seria injusto com Kurt. Se eu estarei ou não envolvido quando o encontro acontecer? Eu duvido! Mas... quem sabe o que o futuro nos reserva?
UHQ: Na convenção de San Diego de 1998, você chegou a distribuir revistas do Homem-Hora pagas do próprio bolso para ajudar a promover a revista, que era uma de suas preferidas. O que achou da decisão da DC de cancelar o título?
Waid: Não foi exatamente a DC que cancelou a revista. Tom Peyer escolheu terminá-la por decisão própria, pois sabia que, cedo ou tarde, a DC CANCELARIA, e aí ele não teria qualquer controle de quando isso aconteceria. Eu acho uma vergonha! Era uma das melhores revistas da DC, mas o mercado está TÃO RESTRITO no momento, que não há espaço para NADA experimental.
UHQ: Como surgiu a idéia de se criar a Gorilla Comics? Por que escolheu Empire para estrear?
Waid: Eu venho querendo lançar Empire há cinco anos ou mais, antes que outra pessoa tivesse essa idéia e fizesse antes de mim. A Gorilla surgiu porque eu e Kurt estávamos frustrados com a crescente interferência editorial da Marvel e, algumas vezes, da DC. Nós queríamos ser livres para fazer nosso próprio material, sem nenhuma restrição.
UHQ: Como ficará seu trabalho na Gorilla Comics no próximo ano, já que assinou um contrato de exclusividade com a CrossGen? Alguns rumores diziam que suas revistas (Empire e futuros projetos, como John Doe), poderiam se transferir para a CrossGen. Existe essa possibilidade?
Waid: Nada definido, por enquanto. Vamos ver. Enquanto isso, o meu contrato com a CrossGen me permite continuar com Empire.
UHQ: Agora, vamos falar a CrossGen e seu trabalho na editora. Como aconteceu o contato entre você e Mark Alessi, e quanto tempo demorou a negociação?
Waid: Levou algumas semanas, mas só porque é uma grande mudança para mim deixar de ser freelancer e trabalhar como empregado novamente, dentro de um escritório. Então, isso envolveu uma certa "lábia", por parte do Mark. Por sugestão da Barbara Kesel, ele foi atrás de mim no último verão (Nota do UHQ: o verão americano acontece durante o nosso inverno) e começamos a negociação. Eu gosto dele. Ele é franco e honesto.
UHQ: O que você fará exatamente? Qual será sua função administrativa?
Waid: O nome da minha função é simplesmente "escritor sênior", o que não descreve exatamente o meu trabalho. Eu estarei escrevendo dois títulos, mas, mais que isso, vou ajudar a administrar a companhia, ensinando novos escritores e artistas; e supervisionando todos os aspectos do crescimento da editora.
UHQ: Você irá escrever dois títulos: Sigil e Crux. Quais os seus planos para eles, principalmente o segundo, que será criado por você?
Waid: Eu gostaria de poder contar para vocês, mas os detalhes ainda são um segredo. Vamos apenas dizer que Crux não será apenas a primeira revista da editora com uma equipe, mas também, como previu Mark Alessi, será o título mais importante do Universo CrossGen, daí o seu nome (Nota do UHQ: "Crux" é cruz em latim, mas em inglês significa peça central, essência, coração - em sentido figurado. Também pode ser um problema aparentemente insolúvel).
UHQ: Como você analisa o mercado de quadrinhos atualmente, com baixas vendas e a Marvel sofrendo uma nova crise?
Waid: As coisas estão muito precárias, e isso não é segredo. Mas tudo que eu posso fazer, no momento, é me concentrar no aqui e agora; e não me preocupar muito com um futuro sobre o qual eu não tenho controle.
UHQ: Você espera ajudar o mercado de maneira mais significativa com suas novas funções na CrossGen? Quais suas perspectivas para o futuro?
Waid: Minhas esperanças são que os quadrinhos - não só as revistas da CrossGen, mas sim todos os quadrinhos - sejam mais uma vez distribuídos em massa. Crianças AMAM quadrinhos. Elas apenas não sabem onde encontrá-los nos Estados Unidos (Nota do UHQ: nos EUA, revistas em quadrinhos são vendidas apenas em lojas especializadas, o que eles chamam de "mercado direto". Não existem bancas, como aqui no Brasil. As edições encadernadas e alguns títulos mais populares podem ser encontrados em displays de livrarias).
Se elas pudessem ENCONTRAR revistas, iriam COMPRAR, e todos ficaríamos melhores. A CrossGen tem muitos, muitos planos altamente secretos para distribuição alternativa. Vamos desejar sorte!
UHQ: Então, boa sorte! E obrigado pela entrevista.
Waid: Obrigado e um abraço aos leitores brasileiros.
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