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Walker: Sim. Eu tenho um amigo general, cuja esposa tem mais atitude de "general" do que ele. UHQ: Por favor, fale um pouco sobre o novo personagem Chip Gizmo. Ele vai dar muito trabalho no quartel Swampy? Walker: Gizmo não vai criar problemas. Ele apenas refletirá as dificuldades que muitas pessoas têm quando estão aprendendo a usar computadores. UHQ: Por que o senhor assinava a tira A Arca dos Bichos (Boner’s Ark no original) como Addison? Walker: Quando fiz isso, foi por uma razão bastante simples: alguns editores não queriam muitas tiras do Mort Walker. Então, usei meu primeiro nome para diminuir o número de tiras assinadas por mim. UHQ: Como foi trabalhar com Dik Browne (de Hagar)? Sente saudades dele?
UHQ: Bill Waterson terminou Calvin. Quino encerrou Mafalda. O que o senhor acha dos trabalhos destes dois cartunistas? Concorda com o fato dos autores terem acabado com suas séries, em pleno sucesso? Isso já passou por sua cabeça em relação ao Recruta Zero? Walker: Eu adoro essas tiras tanto quanto todo os leitores. Respeito a decisão de ambos, mas eu não quero desapontar meus leitores fazendo algo desse gênero. UHQ: Como surgiu a idéia de criar o International Museum of Cartoon Art? Na época, mais algum artista o ajudou nessa missão? Walker: Quando criei o museu, em 1974, o fiz porque adoro cartuns, e ninguém nos Estados Unidos os estava coletando. Desde que comecei esse trabalho, muitos artistas têm me ajudado. ![]() UHQ: Sabemos que o Museu estava enfrentando sérias dificuldades financeiras, chegando até a leiloar obras originais. O seu custo de manutenção era muito alto? Por quê? Como está a situação hoje?
Além disso, vários de nossos principais doadores faliram, o que nos custou mais de US$ 4 milhões. Então, fizemos um leilão para arrecadar o dinheiro que precisávamos, mas não deu muito certo, pois as pessoas deram lances e depois simplesmente desapareceram. Estamos nos mudando para Nova York, que é onde deveríamos estar desde o começo. UHQ: A prefeitura de Boca Raton e os empresários locais não colaboravam com o Museu? Walker: Não. UHQ: Qual é o tamanho do acervo do museu? Há trabalhos de quantos países? Como será possível preservar tantas preciosidades?
UHQ: Quem já esteve no International Museum of Cartoon Art, caso do nosso editor-chefe, conta que o lugar era um sonho para qualquer fã de quadrinhos. Quais seus planos para que esse sonho não termine? Walker: Posso assegurar aos fãs do mundo inteiro, que estamos nos dedicando ao máximo para que o Museu continue sendo assim. UHQ: Qual a maior alegria que sua trajetória no mundo dos quadrinhos lhe trouxe? Alguma decepção?
Criei personagens que se tornaram amigos dos meus leitores. Por isso, não tenho nenhum decepção importante, a não ser estar ficando velho! UHQ: Quais atividades o senhor está realizando atualmente? Walker: Bem, fora dos quadrinhos gosto muito de jogar golfe. UHQ: Qual sua opinião sobre a crise dos comic books, com a crescente diminuição nas tiragens das revistas? Walker: Desde que estou no mercado, as coisas sempre mudam. Atualmente, a internet está fazendo as pessoas lerem menos, mas tenho certeza de que sempre haverá lugar para os quadrinhos. UHQ: O senhor gosta de super-heróis? Quais seus artistas e obras favoritos, neste universo?
UHQ: Se o senhor fosse convidado para fazer uma história de super-heróis, e pudesse escolher, qual seria o eleito? Walker: Eu inventaria um! Criaria o "Homem-Engraçado", que salvaria as pessoas conseguindo fazer elas rirem ou algo assim. UHQ: Recentemente, personagens de HQs fizeram bastante sucesso no cinema, como Homem-Aranha e X-Men. Temos chance de ver o Recruta Zero em carne e osso? Walker: Há sempre alguém me procurando com a possibilidade de fazer um filme do Recruta Zero. O problema é que nenhum aparece com um bom roteiro. UHQ: Qual sua opinião sobre a invasão mundial dos quadrinhos japoneses, o mangá?
UHQ: E dos quadrinhos europeus aprecia alguma obra ou artista em especial? Walker: Tintim, Andy Capp (Nota do UHQ: Zé do Boné, no Brasil) e Lucky Luke são muito bons. Não vemos muita coisa deles nos Estados Unidos. UHQ: O senhor já veio ao Brasil alguma vez? Tem interesse? Conhece o trabalho de algum artista brasileiro? Walker: Não costumo viajar muito, porque ainda tenho prazos diários a cumprir. Além disso, o museu e meus dez filhos me mantêm bastante ocupado. UHQ: Nesses tempos de internet, o que acha dos que afirmam que dias do papel estão contados?
UHQ: Poderia deixar uma mensagem para os seus fãs brasileiros? Walker: Ver meu trabalho agradar no Brasil me faz perceber que as pessoas de todos os lugares riem das mesmas coisas, possuem os mesmos problemas e são partes da mesma humanidade. Não importa se outras coisas nos separam, somos todos irmãos nos quadrinhos. Sempre me dá muito prazer saber que fiz alguém no Brasil rir, e tornei seu dia um pouco melhor. UHQ: Mort Walker, foi um enorme prazer entrevistá-lo. Walker: Até uma próxima! ![]() Desenho especial para o Universo HQ |