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Última atualização: 28/05/12       

Matérias
 

Alta temperatura em Fahrenheit 100º

Equipe de aventureiros criada pelo Estúdio BigJack enfrenta desafios tendo Belo Horizonte como cenário

Por Samir Naliato

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Fahrenheit 100º, da esquerda para a direita: Auston Jones,
Tony Brasa, Bruce Pez e Cool 9Você já imaginou quadrinhos brasileiros com uma tiragem de 200 mil exemplares por semana? A meta, quase impossível para o mercado atualmente, aconteceu com Fahrenheit 100º, durante um ano e meio.

Durante esse período, a criação do Estúdio BigJack foi publicada todas às terças-feiras no jornal Estado de Minhas, de Belo Horizonte, ocupando uma página inteira do Caderno D+.

Os criadores de Fahrenheit 100º (lê-se "farenrrait cem graus') foram Cristiano Seixas, André Melo, Júlio Ferreira e Cristiano Bolson. Em vez de trazer tramas fechadas, como é comum nesse tipo de publicação, a cada semana era apresentada uma página de uma história maior.

Página de
Fahrenheit 100º"Queríamos propor para o caderno universitário do jornal Estado de Minas, o Caderno D+, uma idéia bem diferente de uma tirinha padrão. Pensamos num clima de história bem em cima dos super-heróis norte-americanos, mas ironizando a situação e adaptando-a para Belo Horizonte", disse Cristiano Seixas, diretor do estúdio. "O ingrediente fundamental que sempre mantivemos foi a ação. O nome Fahrenheit 100º veio dessa mistura da idéia de ação/alta temperatura com a ironia de usar graus fahrenheit, e não centígrados, como seria o correto aqui no Brasil".

Personagens

Fahrenheit 100º mostra as aventuras de quatro personagens e suas missões. Para "abrasileirar" a criação, foi resolvido que cada um dos integrantes do grupo tivesse nascido num estado brasileiro. São eles:

  • Auston Jones: Paulista e o mais velho da equipe. Ele se tornou agente secreto inglês, mas ao completar uma missão recusou-se a entregar uma agente estrangeira e foi afastado de suas funções. Passou a viver como freelancer, mas os casos começaram a ficar difícil resolver os casos sozinho. Assim, começou um recrutamento de pessoal, que resultou na criação do grupo. Usa pseudônimo.


  • Página de
Fahrenheit 100º
  • Bruce Pez: Mineiro, nascido em Montes Claros. É filho de pai americano, mas odeia quando perguntam se ele nasceu nos Estados Unidos. Acabou entrando para o exército brasileiro, e foi parar nos serviços especiais da Amazônia. Também foi policial militar, mas uma junta de psicólogos o considerou muito instável para o trabalho. É responsável pelo arsenal bélico do grupo. Nem é preciso dizer que seu temperamento é explosivo.


  • Tony Brasa: Carioca que xinga muito Belo Horizonte, mas não sai da cidade por nada. Trabalhava como informante para a polícia, se infiltrando nos morros e descobrindo quem eram os traficantes. Depois de acabar com o maior traficante de Niterói, saiu "queimado" do caso, e sua vida nessa função acabou terminando. Sem ter como trabalhar, entrou para a equipe. É obcecado por séries policiais da década de 1970, como Shaft e As Panteras


  • Cool 9 (Pedro): Gaúcho que, por ser um hacker, acha o máximo ter um pseudônimo. Mas as outras pessoas acham ridículo chamá-lo seriamente de Cool 9. É o mais novo da equipe e adora tecnologia. Formado em computação, foi fisgado pelo governo assim que terminou seu curso. Foi treinado para invadir bancos de dados de agências governamentais de outros países através da rede. Numa missão na qual teve que participar de corpo presente foi dado como morto pelo governo. Desde então, trabalha na equipe.

"No desenrolar da história, apareceu a mineira 'patricinha' Luciana", explica Cristiano. "Ela se envolveu com o grupo e agora é um contraponto fundamental, pois ela questiona, de maneira ingênua, as ações dos personagens".

Publicação

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Fahrenheit 100ºA negociação com o Estado de Minas não foi problemática. "Apresentamos um projeto já com os personagens bem definidos e seus respectivos model-sheets (modelos visuais), com umas cinco páginas de roteiro e duas já desenhadas. Logicamente, mostramos o portfólio do BigJack, que foi fundamental na aprovação final", relembra. "Mas não foi nada complexo de ser aprovado. Na época, o editor acreditava muito no projeto, e raramente pedia alguma alteração".

Com a mudança da editoria interna, foi resolvido retornar ao velho esquema de tiras em quadrinhos, e Fahrenheit 100º teve que sair do jornal. A saída foi de comum acordo. "o portal Uai, que hospeda o Fahrenheit, pertence ao Estado de Minas, e as relações sempre foram tranqüilas", assegura Cristiano. "No lugar, entrou uma tirinha de meia página sobre meninas que moram em uma 'república' enquanto fazem faculdade".

Ao todo foram 60 páginas semanais. "Com certeza, durante este período, sabíamos que tinha mais gente lendo o Fahrenheit do que o X-Men, por exemplo", comemora.

Atualmente, Cristiano Seixas escreve as histórias, apesar de André Melo ter deixado vários roteiros adiantados. Cristiano Bolson ajuda acrescentando idéias e, na maioria das vezes, faz o layout de toda a narrativa. A arte fica por conta de Rodney Buchemi (desenhos) e Júlio Ferreira (arte-final).

Curiosidade

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Fahrenheit 100ºComo a equipe por trás de Fahrenheit 100º trabalha junta, casos e curiosidades costumam surgir com freqüência.

Uma delas aconteceu no dia 11 de setembro de 2001, quando aconteceram os atentados terroristas nos Estados Unidos. Era uma terça-feira e, portanto, dia de uma página da história aparecer no Estado de Minas. E assim foi feito.

O destaque desse dia era um helicóptero se chocando e caindo dentro de um shopping de Belo Horizonte (veja imagem ao lado), e a parte de baixo da página acabou sendo cortada por um simples erro de impressão. Por decisão editorial, e não dos criadores, a página não foi republicada, por lembrar a tragédia no World Trade Center.

Novos projetos

Storyboard de Fahrenheit 100ºNo site oficial do grupo é possível encontrar mais informações sobre os personagens e as pessoas responsáveis pela criação de Fahrenheit 100º. São matérias que falam sobre o processo de produção das histórias, incluindo sketches, artes-finais, fotos de produção, colorização digital, balonamento e letreiramento.

Existe ainda um projeto para um curta-metragem, com o script e storyboard já prontos e aprovado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura em 2002. Agora, estão à procura de um patrocínio para continuar a produção.

Mas se você não é de Minas Gerais e não teve a oportunidade de conhecer o projeto, a chance pode estar mais próxima do que imagina. Com a aprovação da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e o apoio da Secretaria de Cultura de Belo Horizonte, está sendo desenvolvido uma coletânea de Fahrenheit 100º. A revista deve ter de um a três números. Aguarde mais novidades aqui no Universo HQ.

Storyboard de
Fahrenheit 100ºOs envolvidos no projeto tiveram que definir bem suas posições. "Conseguimos ótimos resultados com uma produção em equipe e uma divisão de tarefas, prazos pequenos e mantendo a linha da revista e da arte. Isto será visto na revista", analisa Cristiano. "Tivemos um roteirista; um revisor; um desenhista que fez o layout; um quadrinhista de personagens e outro de cenários; um arte-finalista de personagens e outro de cenários; um assistente para caçar referências, tirar fotos digitais e digitalizar os originais; um colorista para chapar as cores e outro para dar volumes e fechar o arquivo".

"Colocamos as páginas coladas nas paredes, como se fosse um storyboard, e fomos repassando as etapas. Foi uma experiência que durou cerca de três meses, e redefiniu nossas possibilidades como estúdio. Acho que todo quadrinhista deveria ter aprendizados deste tipo. É enriquecedor", finalizou.

Samir Naliato é petropolitano, mora no Rio de Janeiro, tem sócios paulistanos e é fã dos quadrinhos mineiros. O que ele gostaria, mesmo, é que a "temperatura" dos quadrinhos nacionais passassem - e muito - dos 100º Fahrenheit!

 


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