



Exposição Will Eisner - The Dreamer
 Professora Sônia Luyten, colunista do UHQ, fez uma palestra onde falou sobre a qualidade dos roteiros, elemento fundamental para o surgimento de boas HQs brasileiras |
Êxito do III FIHQ-PE mostra que é possível organizar bons eventos de quadrinhos no Brasil
O Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco, realizado de 29 de maio a 25 de junho de 2001, em Recife, reuniu profissionais do Brasil e do exterior e, devido ao seu sucesso, agora faz parte do calendário de atrações da cidade.
por J. J. Marreiro
 Laílson Cavalcanti, o organizador do evento, abre oficialmente o III Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco
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2001 marcou a consolidação do Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco. Em sua terceira edição, o evento, organizado pela Associação dos Cartunistas de Pernambuco e Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco, levou a Recife profissionais de todo o País e também do exterior.
A sede do Festival foi a Torre Malakoff, um centro cultural localizado no Recife Antigo, uma área com arquitetura típica das décadas de 1930/40, revitalizada para abrigar eventos turísticos e culturais. Entre todos os presentes - profissionais e visitantes - era unânime a opinião sobre a relevância do evento, que agora faz parte do calendário de atrações da cidade.
 A Torre Malakoff foi a sede do Festival |
Octávio Cariello, um dos diretores da Fábrica de Quadrinhos, de volta à sua terra natal, teve um destaque singular no festival, onde realizou uma oficina de quadrinhos bastante concorrida, nos dias 30 e 31 de maio. Quando não estava nas ministrando aulas ou palestras, era fácil encontrá-lo dando dicas, autógrafos ou analisando as páginas de quadrinhos e portfólios dos fãs.
O talento e a sensibilidade dos cartunistas eslovacos Kazo e Martin Kanala (pai e filho) contribuíram para o clima de intercâmbio cultural. Divulgar o cartum de seu país, juntamente com um pouco de sua história e cultura foi uma das preocupações dos Kanala em sua palestra. Curiosamente, o contato com esses fabulosos artistas, às vezes, era feito em etapas de tradução do português para o inglês e do inglês para o eslovaco. Em outras oportunidades, a mímica ou o desenho fizeram a ponte para o diálogo.
 A partir da esq.: Kazo Kanala, representante da Federação das Organizações de Cartunistas da Europa; João Alixandre Neto, Cônsul Honorário da Eslováquia no Recife; J. J. Marreiro, desenhista e repórter do UHQ; e Martin Kanala, cartunista |
Um dos nomes mais importantes dos quadrinhos mundiais, Will Eisner (que concedeu uma entrevista EXCLUSIVA ao Universo HQ), esteve presente para lançar o álbum O Ultimo Dia no Vietnã, publicado pela Devir Livraria, e aos 84 anos surpreendeu pela simpatia e vitalidade.
O mestre da arte seqüencial encontra-se em plena atividade - o tênis, esporte que pratica duas vezes por semana, o ajuda a manter a forma - e atualmente produz um novo álbum que abordará o tema casamento.
A exposição Will Eisner - The Dreamer, com artes originais de Eisner e uma versão tridimensionalizada de alguns de seus personagens, encantou os fãs e curiosos que passavam pelo local.
 Exposição sobre a obra do mestre da arte seqüencial, intitulada Will Eisner- The Dreamer |
Paulo Serran e Marisa Furtado, diretores do documentário Will Eisner - Profissão Cartunista acompanhavam o mestre para o lançamento do home-video, uma iniciativa louvável e perspicaz da Produtora Scriptorium, da Devir e da STV (presente na figura do Sr. Robson Moreira, Diretor de Programação da STV, Rede SESC SENAC de Televisão).
Laílson (de Pernambuco), Fred (da Paraíba) e Gilmar e Mastrotti (de São Paulo) lançaram o livro 2001, uma Odisséia no Humor, fruto de um trabalho cooperativo entre 21 cartunistas. Durante uma palestra, Mastrotti apresentou o projeto cooperativo como uma solução viável para veiculação e profusão de cartuns ou quadrinhos.
 A partir da esq.: J. J. Marreiro, do UHQ; Paulo Serran, Robson Moreira, Marisa Furtado, responsáveis pelo documentário Will Eisner- Profissão Cartunista; e Fernando Lima, também do UHQ |
Neste mesmo evento, Octávio Cariello (veja aqui a sua opinião sobre o Festival) falou sobre a Fábrica de Quadrinhos e deu dicas sobre como enviar matérias para editoras.
Fernando Gonsales (confira aqui o que ele achou do evento), o "pai" de Níquel Náusea, e Gilmar também falaram de suas experiências profissionais, de uma forma mais humorada. Gonsales, inclusive, foi responsável, em sua exposição, por uma síncope de risos inesquecível no "fabricante" Octávio Cariello.
 A partir da esq.: Laílson, Fred, Mastrotti e Gilmar no lançamento de 2001, uma Odisséia no Humor |
Em sua palestra, a professora Sônia Luyten, que assina a coluna Quadrinhos pelo Mundo no Universo HQ, ressaltou a importância da qualidade dos roteiros para o surgimento de boas histórias em quadrinhos e exibiu, em retroprojeção, exemplos de artistas internacionais que já utilizaram o Brasil como tema e referência para suas HQs.
Os vencedores do concurso
O concurso, que ocorre junto com o festival premiou artistas de todo o mundo. A arte dos brasileiros teve nível bastante elevado, mas faltou-lhes perceber o caráter internacional da competição.
 Uma das salas da exposição do Concurso |
As HQ's e cartuns eram avaliados por um júri formado por profissionais de várias nacionalidades e idiomas. Assim, os trabalhos que não possuíam legendas em inglês ficavam em desvantagem. Uma etiqueta para concursos internacionais priorizaria trabalhos no estilo no words (sem palavras).
Confira abaixo os vencedores do concurso:
- Arkadi Soltykov (Rússia), categoria Cartum
- Alexander Sabin (Rússia), menção honrosa na categoria Cartum
- Jarbas Domingos Lira Jr. (Pernambuco, Brasil), categoria HQ
- Feliciano dos Prazeres (Pernambuco, Brasil), menção honrosa na categoria HQ
- Sandro Aparecido Perli (São Paulo, Brasil), categoria Charge
- Samuca Rubens de Andrade (Pernambuco, Brasil), menção honrosa na categoria Charge<
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- Dálcio Machado (São Paulo, Brasil), categoria humor virtual
Durante uma semana a arte chamada história em quadrinhos uniu pessoas de diferentes culturas, nacionalidades, línguas e sotaques. Recife revelou-se um ponto de convergência de idéias, propostas, talentos e espíritos elevados. E, mesmo com todo o caráter internacional, o evento não perdeu aquele clima descontraído de Brasilidade. Por isso, longa vida ao Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco. E que venha (rápido) a quarta edição!
J. J. Marreiro é um desenhista pra lá de competente. Modesto como poucos, nos escondeu o fato de ter sido um dos selecionados para a fase final do concurso, na categoria Humor Virtual. Mas nós descobrimos e aproveitamos este espaço para valorizar o seu talento! Durante o Festival, ele diz ter vivido, a aventura de ser um "dublê de repórter". Mas ele se saiu muito bem. Parece que o único problema aconteceu quando ele entregou um desenho seu (que está na entrevista) para Will Eisner; e o mestre elogiou o seu trabalho! Os boatos falam em desmaio, gagueira, tremedeira...
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