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Título: BATMAN - NOVE VIDAS # 1 (Mythos Editora) - minissérie em duas partes
Autores: Dean Motter (roteiro), Michael Lark (arte) e Matt Hollingsworth (cores).
Preço: R$ 7,40
Data de lançamento: Fevereiro de 2003
Sinopse: O detetive particular Dick Grayson realiza uma investigação, que vai do submundo ao high society de Gotham City, em busca de pistas para encontrar o assassino de Selina Kyle.
Entre os principais suspeitos estão Bruce Wayne e Oswald Cobblepot.
Positivo/Negativo: Esta edição faz justiça à intenção da linha Túnel do Tempo, ou seja, transportar o personagem principal para outras possibilidades de conflito, por meio de cenários diversos aos da série regular.
Em Nove Vidas, lemos uma aventura noir (negro, em francês) do personagem.O noir em questão reporta-se ao predomínio da cor negra e àquela opacidade característica de um universo urbano ameaçador e decadente.
O cinema noir, de diretores como Otto Preminger, trazia para as telas, nos anos 30 e 40, o submundo das grandes cidades, habitada por toda uma fauna de seres à margem da lei, pelo olhar de policiais ou detetives que não costumavam ser exemplos de virtude. O escritor norte- americano Dashiell Hammet, em seu livro O Falcão Maltês, forneceu o paradigma de detetive amoral,o herói Sam Spade.
No universo noir, nada aparenta ser o que é, há sempre reviravoltas e traições; a honra e a palavra empenhadas nada valem para mafiosos ambiciosos; a beleza de jovens vamps é proporcional aos riscos envolvidos pela aproximação das mesmas etc.
Bob Kane, em 1939, criou seu vingador mascarado, um figura noturna inspirada no medo supersticioso aos morcegos, em meio a um período de crise e questionamento de valores. A guerra explodia na Europa, para logo envolver a resto do mundo.
Batman, como Dick Tracy, surgiu para enfrentar caricaturas de gângsteres que aterrorizavam a América do Norte dos loucos anos 20 e 30.
Esta nova aventura é, portanto, o resgate da concepção original do personagem e, por outro lado, uma bem-sucedida tentativa de imprimir um caráter mais realista a conhecidos vilões: Pingüim e Sr. Frio, são, respectivamente, chefão mafioso e primeiro soldado de uma organização criminosa que pratica extorsão e venda de proteção. O Coringa, numa caracterização mais humana e menos carismática, explora jogatina. Selina Kyle é, digamos, uma empresária da noite, que faz uso de todo o seu poder de sedução. E. Nigma é um contador que faz mágica. Harvey Dent é um advogado nada ordinário, ou seja, usa um "rosto" de acordo com as exigências do momento.
A grande sacada do roteiro é recriar Dick Grayson. Este continua ser um garoto prodígio, já que é o jovem que abandonou a polícia para se tornar um eficiente investigador particular e, como se não bastasse, ter como assistente a bela, ruiva e inteligente Bárbara Gordon, filha do mesmo e velho comissário Gordon. Nesta Gotham City, um jovem fantasiado de pintassilgo não duraria muito tempo.
O prólogo da aventura, que se dá nos esgotos de Gotham, é um belo exemplo da narrativa em quadrinhos. A seqüência do encontro de Dick e Batman combina com equilíbrio diálogos irônicos e violência estilizada.
O trabalho de Michael Lark e Matt Hollingsworth, fortemente influenciada por David Mazzuchelli, é correto e colabora para o atmosfera pretendida pelo roteiro.
No entanto, há dois problemas. O primeiro é o número excessivo de citações desta primeira parte da minissérie. Existe muita informação, o que compromete o ritmo desta aventura, que possui uma diagramação interessante.
O segundo é causado pelos anúncios de outras edições da Mythos.Tais chamadas, por suas cores e uso da luz, ocasionam uma desnecessária quebra com a estética noir da história. Um capricho exagerado? Talvez, mas imagine assistir, na TV, Relíquia Macabra, de John Houston, ou um noir moderno, como Seven, e ter sua leitura das imagens interrompida por comerciais de cores berrantes e hip hop.
A parte dois de Batman - Nove Vidas promete!
Classificação:    - Fernando Viti
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