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Online desde: 05/01/2000 |
![]() Quadrinhos pelo Mundo: Índia Quadrinhos pelo Mundo: China ![]() Natteskaer, da dupla Eirik Ildahl e Bjorn Ouslanbd foi publicado em forma de álbum, no melhor estilo dos grandes autores europeus
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Os quadrinhos do reino dos vikings
Por Sonia Bibe Luyten
Entre suas façanhas mais conhecidas estão o descobrimento da América, no século XI e a formação do Império Russo. Na França, para evitar que eles saqueassem Paris, o neto de Carlos Magno lhes cedeu todo o noroeste do país, que ficou conhecido como Normandia. De lá, nos anos mil, eles invadiram a Inglaterra e introduziram o feudalismo. Não há dúvida, portanto, que os vikings foram muito importantes para a história da humanidade. Hoje em dia, esses países são conhecidos por serem modelo do bem-estar social, índice zero de analfabetismo, indústrias poderosas e grande tolerância em todos os níveis sociais. E os quadrinhos da Escandinávia? Pouco se sabe a respeito deles aqui no Brasil, devido à inexistência de traduções e quase nenhum contato com os artistas. Os mais famosos são histórias ligadas aos vikings, como o Príncipe Valente, de Harold Foster e Hagar, o Horrível, de Dik Browne. Mas estes são autores norte-americanos. Por isso, é preciso saber que há numerosos artistas escandinavos que formam um grupo coeso, tramitam entre si e estão presentes em muitos festivais europeus de HQs. DO REINO DA DINAMARCA
Para minha surpresa, quando estive no reino da Dinamarca, no ano de 1998, havia entre as atrações da cidade, o Museu Storm. Ao visitá-lo, encontrei toda a obra deste grande autor no local onde fora anteriormente a sua casa. Filho de pais açougueiros, ele não quis ficar atrás dos balcões vendendo carne, preferindo ser ator, desenhista, escritor, pintor e até... detetive.
Outros desenhistas dinamarqueses famosos da época de Storm são Andreas Asmussen, Bo Bojesen, Siegfried Cornelius, Franz Fuchsel e Helge Hall, com a história mais famosa da Dinamarca Hilarius Petersens.
Atualmente, a produção de quadrinhos dinamarqueses é muito representativa, com várias tendências e estilos. Há autores que publicam em álbuns, bem ao estilo europeu, como a dupla Eirik Ildahl e Bjorn Ousland (de Natteskaer ), Thomas Hauge, Morten Hessendahl (de Et spørgdmal om Wagner), Nikoline Werdelin (Café 2), Orla Klausen (Sjællænderen), Tina & Palle Hansen (Adolf Johansen, Vicevaerd) e muitos outros. Outra dupla, Ole Pilhl e Claus Korsgaard são autores de quadrinhos de vanguarda, com Nordstjernen e Det Hvide Guld. DA NORUEGA DISTANTE...
A Noruega é um país imensamente rico. Tão rico, que recusou fazer parte dos países da Comunidade Européia. Ocupa um território extenso e tem relativamente poucos habitantes (4,3 milhões para 387.000 km²).
Durante muitos anos, a Noruega fez parte do Reino da Dinamarca, o que torna seus idiomas muito próximos. Por isso mesmo, os quadrinhos dinamarqueses são bastante consumidos por lá. Por outro lado, como o país é caracterizado por uma longa costa recortada por entradas íngremes, conhecidos como fiordes, e como há muitas regiões de florestas pouco habitadas, muitos acreditam em duendes, elfos e outros seres misteriosos. Por isso mesmo, alguns dos personagens mais famosos são os suecos Nils Holgersson e Bobo, este da autoria de Gar Rikke. Embora tenha sido desenvolvida nos Estados Unidos, a história em quadrinhos mais famosa originada por um norueguês foi O Reizinho, de Otto Soglow. Outros desenhistas conhecidos na Noruega são Ragnvald Blix, Olaf Gulbransson e Theodor Kittelsen. DA TERRA DOS SESSENTA MIL LAGOS, A FINLÂNDIA
Desta forma, a liberdade de imprensa era limitada pela legislação czarista e não se podia, portanto, fazer caricatura dos russos. A produção local ficou ainda mais atrasada, em função da invasão dos quadrinhos americanos distribuídos pelos syndicates, na década de 1930. No entanto, alguns artistas, como Erkki Tanttu e Asmo Alho imprimiram o caráter finlandês nos quadrinhos, com um cenário bem vibrante e os diálogos mais próximos da realidade do país. De 1930 a 1950, com a chegada dos comic books ianques, mais uma vez a produção local foi ofuscada. Os desenhos dos artistas nesta época foram inspirados nos clássicos Jim das Selvas, Tarzan e Flash Gordon como ilustram bem os títulos No coração da Selva, de Eeli Jaatinen e Terrestres em Marte, de Ami Hauhio.
Nos anos 90, os quadrinhos finlandeses ganharam bastante expressão: surgiram novas editoras, foram publicados 30 títulos de álbuns por ano e seus trabalhos foram traduzidos para outras línguas, como o alemão, russo e sueco, conquistando, finalmente o lugar merecido no país. Muitos artistas participam em festivais internacionais de quadrinhos nos Estados Unidos e na Europa, como Angoulème, na França, sendo esta uma boa prova que os finlandeses estão a todo vapor. Jussi Tuomola, por exemplo, é o mais internacional dos artistas finlandeses com histórias publicadas na Inglaterra, Suécia, Alemanha, Estados Unidos e França. Por causa de um passado histórico de estreitas ligações com a Suécia, muitos finlandeses falam o idioma sueco. Desta maneira, os quadrinhos deste país têm livre acesso por toda a Finlândia. AS HQs DO PAÍS DO SOL DA MEIA-NOITE
Contudo, é no período viking, nos séculos IX a XII que os suecos estenderam sua influência através da Rússia, até o Mar Negro, unindo-se aos dinamarqueses e noruegueses em incursões pela Europa Ocidental até as Ilhas Britânicas. A Suécia continuou sendo um país poderoso e expansionista até inícios do século XX, quando resolve voltar-se para si mesmo e constituir-se em um dos países neutros mais prósperos do mundo; e de melhor qualidade de vida para seus habitantes. Estes, como os outros escandinavos, estão entre os cidadãos que lêem mais livros e, desta maneira, o consumo de quadrinhos acompanha esta tendência. O iniciador do quadrinho sueco é Oskar Andersson (1877) com o longo título: Viagem ao Redor do Mundo com os Irmãos Napoleon e Bartholomeus Lund de Gronkopnig. Sua história mais famosa, porém, foi O homem que faz tudo o que lhe passa pela cabeça.
Na Suécia, como em outros países escandinavos, o mercado interno foi prejudicado pela importação dos quadrinhos americanos, desde o início do século até os anos 1960. Depois foram os belgas e franceses que mais influência exerceram sobre os suecos. No entanto, uma forma de valorizar o produto nacional foi a fundação de duas sociedades de quadrinhos, no final da década de 1960. Além disso, para atrair o público sobre a importância dos quadrinhos, foi construído em museu de HQs em 1976, na cidade de Gotemburgo, no grande parque de Liseberg. Entre os autores mais conhecidos figuram Rolf Gohs (Mystiska 2-an), Knud Larsen (Dr. Merlin) e Jan Lööf (Bellman e Ville). Quem sabe se no próximo inverno, quando o sol não vai aparecer por muitos meses, virão do antigo reino dos vikings. Isto porque, neste momento, os escandinavos estão todos fora de casa, velejando, passeando pelos fiordes, florestas, lendo quadrinhos e esperando para ver o sol da meia-noite neste verão.
Sonia M. Bibe Luyten é a autora dos livros: O que é Histórias em Quadrinhos, Histórias em Quadrinhos - leitura crítica e Mangá, o poder dos quadrinhos japoneses. Sua coleção, com revistas de países do mundo inteiro, é de deixar qualquer um maluco. Mas o melhor, mesmo, é que, mensalmente, ela vai estar passando um pouco desse seu conhecimento pros leitores do Universo HQ. Saiba mais sobre a autora: Sonia M. Bibe Luyten |
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