Marvel, DC e a indústria das grandes sagas que vão mudar tudo para sempre de novo

Por Marcus Ramone
Data: 20 fevereiro, 2017

Voltar a acompanhar quadrinhos de super-heróis Marvel e DC após um ano de hiato é o mesmo que acordar depois de uma década em coma: tudo fica confuso, muitas mudanças aconteceram, quase nada era como antes e você vai ter muito trabalho para tentar se inteirar de tudo (ou ao menos de parte do que foi perdido).

Isso aconteceu comigo em vários momentos da minha vida – não o coma, frise-se, mas a pausa na coleção de quadrinhos de super-heróis, motivada pela qualidade ruim das histórias (reféns da necessidade de “mudar”, “inovar”, para depois voltar a ser como antes durante um ou dois anos e novamente “mudar” e “inovar”).

Além da morte, a única coisa que um leitor de quadrinhos de super-herói tem certeza de que chegará em sua vida é uma megassaga Marvel e DC a cada 12 meses. Nesse período, algum personagem vai morrer, um superultramegamotherfucker crossover vai alterar a cronologia para consertar a que já foi mudada no ano anterior, o Homem-Aranha terá uma nova identidade secreta (clone ou não), o Robin será encarnado por outro garoto pela 325ª vez, um multiverso será reincorporado – ou extinto – pela milionésima vez e… ah, chega!

Há muito tempo, colecionar gibis de super-heróis significa comprá-los para não ficar desinformado sobre as mudanças que acontecem a todo instante. Qualidade das histórias? Isso é um mero detalhe. O que não pode é deixar de acompanhar todos os títulos publicados pelas majors para não ficar “boiando” sobre a espetacular nova saga que redefinirá para sempre esses universos – até que a próxima faça, poucos meses depois, a mesma coisa.

É disso que as duas grandes editoras se valem para aumentar as vendas, em detrimento de uma boa história em quadrinhos que deixe um sorriso no rosto do leitor depois da última página.

Admito que me submeti a colecionar esse ou aquele gibi por causa disso (coisa de nerd viciado, assumo), já que, mesmo eles sendo ruins, me deixavam receoso de nunca mais voltar a comprá-los se eu pausasse a coleção e, pouco tempo depois, quando voltasse a acompanhá-los, não entenderia mais nada do que estaria acontecendo naquelas páginas.

E aí entra outro ponto da obrigação de acompanhar as megassagas: comprar praticamente tudo que é lançado – mesmo um título que habitualmente não faz parte das suas aquisições mensais ou de um personagem que não lhe agrada – somente para entender esse tal “grande evento” e suas consequências.

A última vez que abandonei tudo isso foi há quatro anos. Acompanhei apenas as notícias sobre o que estava sendo feito com esses personagens. E cada vez mais me sentia satisfeito com minha decisão. O que fizeram com meu super-herói favorito, o Homem-Aranha, por exemplo, me fez sentir desrespeitado.

Em dezembro do ano passado, depois do último grande evento da Marvel, resolvi ensaiar um retorno e começar a coleção de três títulos lançados no Brasil. Até agora estão divertidos, sem interligação entre si ou cheios de referências a eventos recentes… mas (sempre há um “mas”) estão lá algumas mudanças que eu não tinha ideia de que haviam acontecido e que detestei de imediato. Sem contar que uma nova megassaga (oh, céus!) já está chegando na editora. Não pretendo deixar ela chegar em minha vida, sei que vou largar tudo outra vez antes disso.

Tudo que quero são boas histórias em quadrinhos. Não quero “mudanças”. Não quero alterações na realidade. Não quero meu herói favorito com uniforme “reinventado” ou atuando com outra identidade secreta. Não quero vê-lo morrer para esperar vários meses até sua volta. Não quero ter que procurar uma edição de anos atrás para saber por que razão o Coisa agora tem três chifres, solta fogo pela boca e conjura feitiços.

Um exemplo absurdo do “começar de novo” nos gibis da DC aconteceu depois da Crise Infinita. No Brasil, a Panini alardeou que aquele era o momento de se iniciar uma nova coleção ou de os antigos leitores retomarem o bonde. Mas para entender esse início, havia um detalhe: era preciso acompanhar a maxissérie 52 durante um ano.

E nem precisa lembrar que, de lá para cá, aconteceram outras mudanças cronológicas e editoriais decorrentes de novas megassagas.

Quem ainda aguenta isso? E vale registrar que custear tantas sagas e edições interligadas causa danos graves ao bolso.

Imagine ler quadrinhos de ação sem complicações cronológicas, sem mudanças e com aventuras muito bem elaboradas, focadas apenas em contar uma boa história. E que, apesar de colecioná-los sem perder uma edição sequer, em qualquer oportunidade seja possível interromper a coleção sem medo. Afinal, quando você retornasse, em alguns meses ou anos, haveria a certeza de encontrar os personagens como os conheceu, da forma como eles o tornaram fã.

Não é assim que as HQs de super-heróis deveriam ser?

• Outros artigos escritos por

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  • Reginaldo Costa

    Concordo plenamente.

  • E é por isso que dá Marvel & DC só compro encadernados com arcos fechados…

  • Dimas Mützenberg

    É exatamente esse o meu sentimento. Por isso que de hq mensal só coleciono Bonelli. Super-heróis só em compilados e de preferência os clássicos (acabei de ler Lanterna/Arqueiro Verde de Denny O’Neil e Neal Adams que a Panini tá lançando e é um deleite).

    PS: O Coisa realmente está com chifres e cuspindo fogo ou foi um efeito dramático no texto?

    • Vipo Free

      Efeito dramatico, ele ainda é o mesmo.

      • Fred JB Gomes

        É o mesmo, mas agora é parte dos Guardiões da Galáxia. O Quarteto não existe mais, mesmo.

        • Dimas Mützenberg

          Isso é outra coisa que me incomoda muito. O jogo da Marvel de boicotar seus próprios personagens pra atingir os estúdios de cinema detentores dos direitos desses. É muito triste de ver.

      • Dimas Mützenberg

        Ah. Porque não seria nada impossível de ser verdade.

  • Jaime Soares

    É por isso que atualmente passei a ler mais quadrinhos italianos… E só leio histórias marvel dc quando sei que são fechadas

  • Ricardo

    Estão aí todos os motivos que me afastaram das HQs mensais. O cara até tenta acompanhar, seja comprando, seja via scans, mas não dá. Saudades formatinho…

  • Luciano Carvalho da Silva

    Texto muito pertinente, Marcus. Acredito que todos os leitores mais antigos compartilham essa linha de raciocínio. Histórias apelativas, crossovers desnecessários e mudanças ridículas, estas são atrocidades constantes cometidas por Marvel e DC.

  • Eduardo Lima

    Tá difícil mesmo, todo ano é a mesma coisa, reboot. Mega saga com pacote vendido separado para os assinantes etc. Trite muito triste.

  • FINASTERIDO

    Com o tempo, mesmo os nerds começam a entender que precisam aprender a dizer NÃO. Nunca me encaixei no formato nerd, mas sempre gostei de quadrinhos. Qdo adolescente colecionava revistas mensais. Mas isso foi até, no máximo, os anos 80. À medida em que você cresce e o mundo vai se tornando maior a cada dia, você começa, ou deve começar, a se tornar mais seletivo, crítico, em relação a tudo. E com quadrinhos não é diferente. Na MARVEL E DC, o leitor regular deve ter perdido a conta das reformulações de universos, multiversos etc. A única que acompanhei e gostei na época foi Crise nas Infinitas Terras. Infelizmente aquela não foi a última, mas apenas a primeira grande reformulação. Bem, não acompanho nenhuma dessas megas sagas de nenhuma editora. Compro edições especiais de personagens que considero interessantes e histórias relevantes, fechadas. Na Salvat tive a oportunidade de resgatar várias coisas que li na infancia, e é interessante ter esse material de novo, mesmo com toda a distância que existe no contexto. E mais recentemente comprei as edições ‘definitivas’ de Watchmen e Cavaleiro das Trevas 30 anos. Comprei por conta do formato, da divisão das sagas em capítulos de capa dura etc. E porque, em termos de produções mainstream, essas edições são representativas para mim. Lembro exatamente da sensação de ler cada uma na época, nos anos 80. Até quem nao gostava de quadrinhos parou para ler… e gostou. Alan Morre e Frank Miller, a despeito de todas as produções de antes e depois, jamais conseguiram criar coisas tão boas. Eles não são os mesmos, nem nós.

  • Gato Ruivo

    As únicas coisas q comprei da Marvel depois do Ultimate e da DC depois de Ponto de Ignição foram as hqs do Gavião Arqueiro do Fraction e do Aja e Shazam dos novos 52 só pq sou mto fã do personagem q queria saber oq fizeram com ele na nova versão. E só. Marvel depois de Ultimate e DC depois de Ponto de Ignição ficaram um O. Nada presta. Nada. Na Marvel oq prestou q me lembro de cabeça foi Os Livros do Destino. Scott Snyder em Batman é engana trouxa. Nego é mto tosco mesmo de ficar perdendo tempo lendo essas hqs horríveis. Vão ler Lobo Solitário ou Vagabond q vcs ganham mais.

  • Stephan

    Há anos que muitos artistas/escritores/fãs veteranos vinham alertando sobre isso; o problema é que pouca gente os escutou, não raro, chamando-os de chatos…
    Embora alguns ainda neguem, a Indústria dos Quadrinhos só se sustenta nos dias atuais por causa do merchandising!

  • Engraçado lembrar que na época do formatinho até compensava comprar todos ou a maioria dos títulos de alguma editora, eram menos mega-sagas e dava pra curtir individualmente vários heróis. Agora além da saga anual cada heróis tem uns 3 títulos, não raramente sendo a maioria ruim, então quem facilmente acompanhar o universo Marvel com uma mão de 10/15 gibis, agora precisa de 30 + encadernados. Não tem como, além da grana não há tempo hábil ou paciência pra ser fã disso.

    Como muitos hj só compro encadernados, e acompanho triste as notícias da mudança definitiva da vez :(

  • Marvel e DC ultimamente só to comprando o que dá (rsrsrs) e encadernados de histórias clássicas, pq histórias de qualidade já a alguns anos não existem mais, só histórias pra agradar alguns segmentos que estão se lixando pra quadrinhos, más se não verem suas “ideologias” representadas, caem matando.
    P.S. – não sou contra diversidade e representatividade ,desde que acompanhadas de qualidade.

  • Fábio Roberto Da Silva

    A DC faz isso desde Crise nas Infinitas Terras. Três décadas assim. A Marvel desde Guerras Secretas.

  • Silvio Db

    Não tenho nada contra mega-sagas ou mudanças, entretanto eu acho que da forma como está sendo conduzido, está muito sem graça. A necessidade de conectar tudo, está deixando as coisas muito engessadas. Eu sou do time dos que curtem mudanças desde que bem feitas. Entretanto, eu sinto que falta criatividade para executar tais mudanças nas duas editoras. Por exemplo, sei o quanto é importante a representatividade, pois não estamos em 1960 onde todo mundo era branco e hétero, com maioria esmagadora de personagens masculinos, Entretanto eu creio que as mudanças quando feitas de forma orgânica (exemplo, a Miss Marvel e o Miles Morales Spiderman) são muito mais fáceis de ser digeridas pelos fãs. A manutenção eterna do Status Quo dos personagens é um tema delicado, e talvez um dos calcanhares de aquiles dos super-heróis, pois se nunca acontece nada a esses personagens, corremos o risco de cair em um marasmo de vilão do mês. Não dá mais pra pensar em HQs desse jeito. Uma boa alternativa talvez, fosse abraçar de vez o Elseworld em tramas fechadas. Acho que a possibilidade de boas histórias é maior sem as costumeiras amarras cronológicas. Pouco me importaria de ver o superman morto em uma saga, ou o coisa com chifres em outra. Saberíamos que esse seria o status daqueles personagens pra aquela saga em específico. Acho que os leitores hoje em dia são maduros o suficiente pra comprar uma ideia como essas. Em Cavaleiro das Trevas, todo mundo compra a ideia do Robin morto e da robin garota, exatamente pelo fato da trama se passar numa realidade alternativa. Entretanto, parece que marvel e dc estão indo na contramão disso. um exemplo é a incorporação do Velho logan no universo regular da marvel e dos personagens de watchmen no universo DC. É um caminho muito arriscado. Só o tempo poderá dizer se as editoras estão certas, mas o fato é que eu sinto que falta criatividade na fórmula do super-herói. Enquanto isso, a Image vai comendo pelas beiradas com tramas isoladas, interessantes e acima de tudo, criativas.

  • Alan Michael Scott

    Mas dc e marvel sempre foram assim, desde o inicio mudanças ou reinvenções são características intrínsecas desses universos. Refiro-me a antes de Crise nas Infinitas Terras, a reinvenção dos Heróis DC na era de prata, Nova armadura do homem de ferro, Retorno do capitão America, etc, etc.
    As histórias também nem sempre foram um primor e acredito que apelem para suas gerações, por isso leitores “velhacos” não se acostumam, digo isso pois nasci nos anos 90 e pra mim a morte do Superman, X-men do Jim Lee/Claremont, a liga de Grent Morrison com Kyle Rayner (o maior lanterna de todos os tempos) era meu padrão de qualidade na infância, era o que falava com a minha geração, hoje eu percebo que nem tudo era tão bom, assim como quando pego material mais antigo, 60, 80 ou mais novo de 2007, 2010 consigo diferir coisas boas de coisas ruins, e ambas existem.
    Por isso eu digo que sempre foi assim e quem colecionou quadrinhos sempre teve altos e baixos, só sei que eu PIREI com o aranha do McFarlane, assim como acredito que leitores recentes devem ter pirado com Superior Homem-Aranha, se é que me entendem.

  • Fred JB Gomes

    Eu recomendo a vocês a leitura de Invencível (Invincible) do Robert Kirkman. Tem tudo que a gente gosta em super-heróis, mas em um só título. E vai acabar esse ano, no número 144.

    • James

      “Basicamente” era o que Eu queria para o Aranha.Isso e “Saga” do Vaughan.

    • Mr_MiracleMan_Jr

      Pena que a HQM parou de lançar aqui no BR…

  • Alexandre Siqueira

    Eu desisti das revistas mensais de super herois faz tempo, vez ou outra tento retomar essa paixão que eu tinha na época de ed, Abril, durante um tempo colecionei a revista mensal do Lanterna Verde desde seu primeiro numero com um pequeno hiato retornando pouco antes de a A noite mais densa, na Marvel uma coisa aqui outra ali, mas elas não empolgavam e resolvi parar de vez, tenho preferido comprar encadernados que sinceramente consigo ler sem muitos problemas de ficar perdido com acontecimentos e pelo menos esses encadernados saem com acabamento melhor e geralmente com o melhor conteúdo desse material de linha, mas ainda priorizo sagas antigas que já li mas que foram publicadas no famigerado formatinho e como o preço geralmente é salgado tem que escolher realmente o que há de melhor pra se comprar

  • Sigurd Goldmember

    Eu concordo praticamente com tudo o que você escreveu, Marcus. Eu, por exemplo, não compro uma edição sequer de Batman desde o escabroso desenrolar de Crise Infinita (que nem vou ter a dor de cabeça de citar aqui os motivos). É um personagem que amo, sempre fico naquela vontade de ler algo dele mas são tantas mudanças, bagunças e, principalmente, argumentos sem sentido tanto para os fatos ao redor dele quanto a própria personalidade dele, que se tornou inviável prosseguir com a coleção, salvo uma ou outra coisa aqui e ali só pra divertir, mas parei de colecionar Batman de vez e não pretendo voltar. Esse Renascimento nem me chama a atenção. Me vejo numa situação onde o que tinha do Batman eu já tenho e não preciso de mais nada, bora reler que tem muita coisa boa…

  • Germano

    Concordo plenamente. Por isso prefiro comprar clássicos e arcos fechados.

  • dplusl

    Cara, eu também tô com esse sentimento de saturação de mega-sagas, que prometem mudar todo o multiverso, mas que chega no final, tudo volta como era antes. Tô preferindo muito mais vasculhar sebos à procura de edições antigas dos meus personagens favoritos (Homem-Aranha e Demolidor).

  • 0-Drix

    As mega-sagas são um porre, mas curto bastante e acho ok a evolução dos personagens, a transmissão do legado e talz. Li alguma coisa de Ms. Marvel, Os Campeões e Homem-Aranha Miles Morales e achei tudo muito bom. Só tem um porém: não é pra mim, não se destina a minha faixa etária. Por outro lado, a Poderosa Thor e o Indigno Thor estão igualmente bons.
    Já a DC, tá uma zona! Nem o selo Vertigo se salva mais. Aliás, as poucas coisas que curti na DC nos últimos anos são justamente de títulos que estiveram sob o guarda-chuva da Vertigo até a pouco tempo atrás – casos de Doom Patrol, Homem-Animal e Shade, a Garota Mutável.E mesmo assim são enredos que, numa ou noutra medida, repetem tramas já escritas nos anos 1990

  • Adilson Pereira Terrivel

    “Imagine ler quadrinhos de ação sem complicações cronológicas, sem mudanças e com aventuras muito bem elaboradas, focadas apenas em contar uma boa história…” tá fácil: http://www.ugrapress.com.br/quadrinhos/brasileiros/escape-para-o-perigo/ – ESCAPE PARA O PERIGO, quadrinhos de heróis do jeito que a gente gosta, sem picaretagem. Fica a dica!

  • Stephan

    Mais uma herança maldita do Jim Shooter!

  • brasuka

    Sou nerd velhaco, desde os oito anos leio quadrinhos e fiquei fascinado com várias histórias desde então. Quem não fica estupefato pela morte do Super-Homem, o aleijamento do Batman etc. Mas era um tempo em que eu era adolescente e esses eventos me surpreendiam bastante. No entanto, com o passar do tempo e a maturidade avança… Percebemos que tais histórias até ficam marcadas na nossa memória mas, ao relê-las, percebemos que nem tudo envelheceu bem. Aí, vemos que mega sagas são cansativas, cheias de enrolação e não mudam efetivamente nada. E concordo com a matérias quando diz que se afastarmos por um período de tempo das histórias, ficamos por boiar em tudo!

    Acho alarmante este sinal de alerta e desgaste das editoras que se fazem valer de sucessões de eventos cataclísmicos, morte brutais e que tudo volta ao normal daqui a pouco para mudar novamente. Eu me sinto desrespeitado! Mas consigo ver algumas coisas com bons olhos. Como, por exemplo, o Homem-Aranha (que deixou de ser um fudido na vida e cresceu enquanto homem e personagem, desvinculando um pouco aquela aura adolescente que sofre tudo. Afinal, nós mesmo leitores, também já sofremos, mas alguns cresceram, mudaram de vida e alcançaram o sucesso, por assim dizer. Então, porque nosso personagem favorito não passa pelo mesmo processo de crescimento? Mesmo que dure algumas edições, mas é legal de ler).

    Também é interessante o que está sendo feito em Thor, Ms. Marvel, Aranha Miles Morales, Hulk Cho e Nova. Guardada as devidas proporções e levando em conta que tudo mudará novamente daqui um ano ou dois, é interessante do ponto de vista humano, ao perceber que os medalhões também tem seus defeitos e podem, sim, sair de cena. No entanto, o que é ruim é a sazonalidade da coisa e quando isto migra para uma mega saga caça níquel que finge explorar as nuances da vida real (terrorismo, gênero, violência, inclusão social etc.) para vender revistas que não duram o tempo necessário e também não definem o personagem central, sendo o mesmo mais uma versão do original. Isto, para mim, é triste.

    Chega, então, o momento em que nós mesmos devemos dizer NÃO a estas coisas e perceber quando nossa jornada com estes heróis deve chegar ao fim. Para mim, pessoalmente, na Marvel chegou ao fim minha relação com os Vingadores na fase Bendis e Hickman. Para mim é o que marcou, mesmo sabendo que há outras fases memoráveis. Mas esta me marcou! No Aranha, gosto da maiorias das fases e, sim, curti muito o Superior Homem-Aranha (é uma nova visão e uma pena ter durado pouco tempo) e leio esta fase adulta do Aranha empreendedor (como adulto é interessante ver um ponto de vista mais focado no crescimento do personagem). Gostei da fase do Morrison no Batman, trouxe um personagem mais interessante e não estou gostando muito deste Batman Rebirth quase sobre-humano que para um avião no braço, é muito massaveio para minha cabeça). Vou dar uma chance para o Super-Pai neste momento devido a minha vida pessoal (também sou pai e quero ver esse relacionamento de legado entre pai e filho).

    Enfim, são gostos pessoais. Mas a lição que fica é que hoje eu decido o que ler e não ler mais. Quando perceber que estão danificando meus personagens preferidos, paro tudo e guardo para mim as fases e momentos marcantes que me serviram tanto de inspiração quanto de nerdismo.

  • James

    Sinceramente…Nem “Crise nas Infinitas Terras” Eu achava essa coisa toda. E olha que fui leitor de primeira ocasião.

    • O Gato Socialista

      só você mesmo.
      e se tiver mais, uns poucos.

      • James Howllet

        Ue…OK, reconheço a importância e o quanto ela foi divertida mas isso é a mais pura questão de gosto. Isso você deve saber: é mais comum do que imaginamos, mas as pessoas preferem confundir juízo de valor com algo relacionado a…”visão estética consumada.” Não é o meu caso…
        Poderia tergiversar relacionando inúmeros argumentos até chegar ao ponto da… Futilidade.E isso só para confirmar a minha opinião pessoal. Que chato… Desnecessário seria…

  • Fernando Amaral

    Bom texto, Marcus Ramone. Me solidarizo com você e espero que consiga logo largar o vício definitivamente, sem recaídas. Eu larguei há uns 15 anos, é possível sim! Hoje cultivo hábitos mais saudáveis e sou um homem muito mais feliz lendo quadrinhos europeus de qualidade e mesmo os americanos e brasileiros alternativos, por quê não? Confesso que ainda guardo meus gibis da Abril e não fico muito tempo sem voltar àquelas páginas mágicas de Alan Moore, Walt Simonson, Grant Morrison, Jim Aparo, Frank Miller… Mas te garanto, esses não fazem mal, pode usar sem medo.

    • Marcus Ramone

      Até hoje, os quadrinhos que nunca me decepcionaram foram os da Bonelli. E já faz tempo que sou infinitamente mais fã deles do que dos gibis de super-heróis. :-)

      • Fernando Amaral

        São maravilhosos mesmo. No mês passado eu estive na Itália, visitei várias lojas de quadrinhos (incluindo a filial da Forbidden Planet de Roma), mas infelizmente não encontrei NENHUMA edição de nada da Bonelli em inglês (eu não sei ler em italiano). Esperava pelo menos alguns encadernados voltados para o mercado internacional. Uma pena.

        • Stephan

          Pena que, tal qual no Brasil, a indústria local está em decadência, já que muitos títulos italianos foram cancelados(a Skorpio, se não acabou ainda, está em vias de sê-lo). Pelo visto, a diversidade que havia até os anos 80 ficará no passado…
          Sinônimo atual de quadrinhos brasileiros: Maurício de Souza!
          Sinônimo atual de quadrinhos italianos: Bonelli!

  • Henrique Brum

    é incrível falta de planejamento das grandes editoras…personagens (como o aranha) duraram bem uns 40 anos..dá pra evoluir beem lentamente, afinal lemos ‘1 dia’ do personagem uma vez por mês…ai chega o ponto que ele está velho sem tia e com filha e acham que a melhor coisa seria resetar, fazer um ultimate talvez? Ok, mas reseta pra durar 40 anos novamente – ou, agora que entenderam os problemas que causa o envelhecimento e evolução do personagem – faça melhor ainda…que dure 50 anos…reboot era coisa pra você ver uma vez na vida…você ler uma versão do universo e seu filho ou neto ler outra. Mas não conseguem manter nem um ano de boas historias…e pensar que são os maiores personagens e nomes dos quadrinhos envolvidos nisso…

    • Marcus Ramone

      Esse seu viés sobre o tema é bem interessante, Henrique. Seria algo que as duas editoras poderiam realmente pensar a fundo.

    • Na minha opinião, o Aranha deveria ter perdido a tia May, criado a pequena May ”Mayday” Parker até ela virar a Garota Aranha, se ”aposentado” após entrar nos Vingadores, e pronto. Deixassem a Garota-Aranha receber sua revista mensal e o Aranha original receberia uma ou duas graphic novels, de qualidade de história e arte extremas, por ano.

      E assim deveria ser com toda a geração anterior de heróis. Deixando caminho livre para OUTRAS histórias de OUTROS heróis para uma geração mais nova. Os japoneses sabem bem disso e todo ano sai um novo Kamen Rider, um novo super sentai, um novo Ultraman. Os heróis originais são homenageados em episódios especiais e filmes de crossover que começam e terminam NAQUELE FILME. Agrada os mais velhos fãs (em teoria) e chamam a atenção dos mais novos. Quem NÃO curtir aquele Rider ou Super Sentai, não tem problema: ele NÃO será refém de um reboot e nem precisa ser assistido. ele é fechado em si, mesmo que faça parte da mesma franquia.

      Sou escritor e posso afirmar que NUNCA existirá limite pra imaginação: sempre existirão histórias BOAS pro Aranha, pros X-men, pro Batman, pro Super… SEMPRE. E essas histórias DEVEM ser contadas. Com certeza. Mas, é difícil manter a qualidade dessas histórias MENSALMENTE quando tudo o que se tinha pra contarmos JÁ FOI contado. Deixem os heróis completarem suas jornadas. Heróis viram MENTORES de seus filhos eou discípulos, para que os mesmos se tornem novos heróis.

      O problema é que todo o fã parece querer isso, mas, na hora H, pede pelo reboot (de fato ou metafórico) ao invés de aceitar seu herói envelhecendo, se aposentando, ou realizando seu objetivo totalmente. Eu NÃO sou a favor de passar outros 40 anos da minha vida vendo Parker morando com a tia e naquele chove-não-molha com uma garota. Sendo isso um reboot ou não. Acho que esses ”reboots” funcionam em outras mídias, como animações e filmes, pois são mídias ”novas” para os velhos heróis dos quadrinhos reproduzirem as histórias qe são super conhecidas pela gente. Mas, os escritores e produtores nem conseguem fazer o certo nem nos quadrinhos e nem nos filmes: respeitar os fãs e, principalmente, o conceito dos personagens. São mudanças sem alma… sem razão de ser. Um Parker-Octopus que, antes disso, fez um pacto com Mephisto nos quadrinhos. E um Parker revoltadinho skatista no cinema. E sem razão de ser em NENHUMA DAS DUAS propostas. Meu Deus.. por que os quadrinhos não são mais escritos por gente que entende o personagem?! E por que os filmes são feitos por gente que parece que ODEIA os quadrinhos?!

      • Henrique Brum

        é eu tb não ia querer ler outros 40 anos do msm personagem. Foi o que comentei…imagino sendo pra outra geração mesmo. Só acho legal ter um ‘fim’ pro personagem pq hoje é absurdo pensar nos quadrinhos marvel com continuidade…fazer uma linha do tempo de personagens e coadjuvantes, onde cada figurante já morreu e voltou mil vezes…é absurdo. Bem legal lembrar do modelo japonês, esse seria um bom caminho…mas como falei..cada versão do personagem da pra durar décadas…

        • Sim, sim. Cada versão dá pra ser aproveitada por pelo menos mais de uma geração (+ou- 25 anos).
          O problema é nem a continuidade e sim quem escreve. É por isso que a qualidade cai: mudam de roteiristas e os mesmos ou não respeitam o que veio antes ou querem ”marcar sua passagem pelo herói”, criando uma confusão ainda maior, sem acrescentar NADA a jornada do mesmo.

          Eu elogio muito a passagem do Mark Waid pelo Demolidor: acho que foi o único que disse ”CHEGA! Frank Miller já fez a parte dele! Chega de histórias de gente que querem fazer de seus arcos o novo ‘Queda de Murdock’! Vamos fazer histórias novas e BOAS, sem cantar a mesma música!”. Adorei as histórias que tentam fugir do clima depressivo do Demolidor, mesmo que isso o afete e o assombre ao longo do arco inteiro. Ou eles contam histórias novas e boas, ou deixam o personagem descansar até que alguém venha com uma proposta decente, ainda que respeitando o conceito já definido dele. Sinto falta disso nos X-men, Batman e outros heróis também. Sai uma ideia legal e, logo em seguida, os caras saturam a mesma até que a única saída seja voltar ao que era. :(

      • Homem Simpson

        “Não quero ‘mudanças’. Não quero alterações na realidade. Não quero meu herói favorito com uniforme “reinventado” ou atuando com outra identidade secreta. Não quero vê-lo morrer para esperar vários meses até sua volta. Não quero ter que procurar uma edição de anos atrás para saber por que razão o Coisa agora tem três chifres, solta fogo pela boca e conjura feitiços.”

        Eis a razão encontrada no texto acima e que responde a todas as perguntas que você fez.

        • E eu até concordo. Mas, também não resolve o problema se o herói não segue adiante em sua jornada. Assim não ocorre evolução e estagna o herói, o que vai se chocar com a própria definição do conceito da ”Jornada do Herói”. É necessário um equilíbrio: chega de ”mudanças sem sentido de ser” pros personagens. Mas, da mesma forma, eu não quero ver um herói que não muda. Até a turma da Mônica prosseguiu em sua jornada e ficou ”jovemadolescente”. O que NÃO agradou 100% do público… mas, também não destruiu o conceito original da revista e nem destruiu o universo infantil com os ”personagens crianças”.

          Por isto eu fiz tantos questionamentos: são necessários e não são fáceis de serem respondidos. Como também não sou o dono da verdade, especulo com vocês qual deveria ser a saída. Afinal… enquanto a Marvel e a DC não nos entregam suas franquias pra gente trabalhar (heheheehe) só o que nos resta é especular mesmo. :P

  • Cool Jam 97

    Concordo plenamente com o artigo. Agora só acompanho hq’s autorais, pois possuem histórias fechadas, com personagens profundos e que muitas vezes nos fazem pensar, além de que os grandes prêmios mundiais, como o Angouleme e o Eisner Award, sempre premiam hq’s deste seguimento.

  • Henrique Brum

    sobre o desrespeito com fãs do aranha. O fã antigo do personagem tem que considerar só até o fim do Vol 1 da Amazing. Ali tivemos uma colher de chá pra fechar a saga do herói. Nas revistas da Garota-Aranha, que mostra a filha do personagem já adulta, falam sobre a ultima batalha do Aranha vs. Duende verde e de como ele se aposentou depois da mesma. Nas hqs regulares essa historia aconteceu um pouco diferente, mas o Aranha se aposenta e a numeração foi zerada. Ali o homem-aranha acabou…o que veio depois não deve ser considerado, rs.

  • Germinador

    muitas mudanças apenas para agradar nichos, e quase nada de sagas boas. Pouquíssimas fases são memoráveis dos anos 90 até hj. Qual foi a ultima vez que criaram um vilão novo realmente legal? Um herói novo “tridimensional” (narrativamente falando) bom? É sempre mais do mesmo, com uma ou outra hq prestando, em meio a dezenas que são lançadas todos os meses…

  • As HQs de super-heróis tem ficado cada vez mais insulares e herméticas. O motivo de tanta necessidade constante de “revoluções” e mudanças bombásticas auto-referentes provavelmente é que no mercado dos EUA elas são “reféns” sempre do mesmo público frequentador das comic shops. Se num determinado momento estas lojas especializadas foram uma mudança inovadora na indústria, agora elas significam que são sempre mais ou menos as mesmas pessoas que compram HQs de super-heróis. O leitor comum, pelo que sei, não frequenta estas lojas e para assim requerer histórias frescas e que não sejam vítimas da continuidade rocambolesca. O curioso é que este público limitado mas fiel das comics shops reclama, como no caso do tramas do Homem Aranha recentemente, mas compra. Eu adoraria se as editoras tentassem sair deste nicho, produzir histórias simplesmente divertidas, nas quais heróis enfrentassem vilões e não outros heróis por exemplo, e que fossem assessiveis para qualquer um. Afinal, como o público vai se renovar se não for assim?

  • Jeff

    A diferença maior, principalmente pela Marvel, é que as corporações que controlam as editoras descobriram o filão do cinema e TV, e ao consumidor de hj…

    Podem constatar que a Marvel depois que foi adquirida pela Disney só foi ladeira abaixo…com o advento do público neófito, as editoras se renderam ao politicamente correto e ao ideal de “inclusão” que a juventude de hj acha “legal”, e com raras exceções vemos alguma atitude bem trabalhada, vinda de forma natural…

    Claro que pensamentos comerciais sempre houveram, mas vinham dos próprios editores e autores, com certo cuidado com o histórico dos personagens. Atualmente TUDO o que se é lançado é baseado em possibilidades de aproveitamento em outras mídias e em não “ofender” minorias…inclusive a fonte está se invertendo, com mudanças vindas dos cinemas ou TV chegando aos quadrinhos…

    Sem falar que uma morte de personagem antigamente era algo mais espaçado e chocante; hj em dia se um herói ou vilão ainda não morreu pode ter certeza que já deve estar agendado a sua vez….(e seu retorno).

    Enfim, vários fatores levam aos fãs antigos desanimarem com os rumos tomados pelas editoras/corporações…a esperança é que, como a Marvel está constatando, grande parte dessas alterações não vende pois muito do público dos cinemas e TV não leem HQs, de forma que a DC aparentemente já percebeu isso e está planejando um retorno do clássico (ainda que com algumas compreensíveis “adequações básicas” para a atualidade).

    • O Gato Socialista

      você coloca ofender entre aspas, como se essas minorias, ao longo dos séculos, nunca tivessem sofrido perseguições. homossexuais. judeus. ciganos. negros. para citar alguns grupos que, de minoria, só tem o fato de não terem, no passado, representatividade política, de forma que esse choro e ódio de fundamentalistas, supremacistas, nazistas e bolsolixetes é uma vergonha para a história humana, porque demonstra a má vontade desses grupos de valorizar os que lhes são diferentes. e isso é preocupante, horroroso e mesquinho. daqui à pouco você vai defender torturador, fazer piada com estupro e, mesmo assim, ainda se dizer “perseguido”.

      • Stephan

        Esqueceu-se de citar a perseguição que Stalin fez aos judeus russos.

  • Marco1964

    Artigo muito interessante, pela coincidência do momento. Depois de muitos anos (com apenas três hiatos), finalmente desisti de colecionar revistas mensais de super-heróis! (Ei, antes tarde do que nunca! rs)
    Obviamente, leitores das antigas, como eu, não são mais o público-alvo das editoras (exceto quando estas publicam material clássico das Eras de Ouro e de Prata dos quadrinhos)! Nunca imaginei que um dia veria os Inumanos desbancando os X-Men (por pura picuinha empresarial, o que é mais deprimente) ou o universo de Watchmen sendo incorporado ao universo DC (por pura falta de criatividade, o que é igualmente deprimente).
    E como ninguém perguntou: ei, Marcus, quais são os três títulos que você resolveu acompanhar?

    • Marcus Ramone

      Homem de Ferro, Doutor Estranho e Guardiões da Galáxia. ;-)

      • Marco1964

        Grato pela atenção.
        Devo confessar que também estou acompanhando Doutor Estranho, pois adoro a arte do Chris Bachalo. Aliás, quando o dito-cujo sair do título, também desistirei desse gibi.
        Que venham as coleções LENDAS DO UNIVERSO DC, COLEÇÃO HISTÓRICA MARVEL, CRYPTA etc.

    • O Gato Socialista

      por que watchmen dentro do universo DC tradicional é falta de criatividade? isso é apenas choro seu.
      nada é intocável.

      • Stephan

        Porque Alan Moore, seu criador, deixou claro que Watchmen era algo à parte do Universo tradicional da DC, mas pedir hoje em dia aos soberbos editores que se respeite os criadores originais é falar ao vento…

        • O Gato Socialista

          a criação pertence a DC. quer ter sua criação para si? não trabalhe para editoras grandes. simples.

          • Stephan

            A DC publicou um clássico que ajudou a chamar a atenção do público em geral para um meio que, graças às trapalhadas atuais, está perdendo prestígio novamente; o mínimo que ela – e outras editoras – deveria fazer era evitar de ficar avacalhando algo que não mais lhes pertence totalmente. Uma vez disponível para o leitor, a obra se torna um patrimônio imaterial coletivo que alcança gerações, como é o caso dos medalhões de ambas as editoras.
            Não querem ser criticados? Simples, evitem de transformarem o John Constantine em uma versão Harry Potter, por exemplo, ou de deturparem todos os anos o Capitão América, Batman, Super-Homem, Homem-Aranha, entre outros.
            No entanto, dado o fato de que estão desesperados em busca do cada vez mais fugidio público leitor, pode-se esperar coisas piores no futuro…

  • alexandrino

    Só compro arco fechado dos quadrinhos antigos. Desisti de acompanhar a Marvel e DC. Sem falar que baixo algumas em inglês para praticar.

  • Mário Pazcheco

    Muito bem colocado é a mesma sensação quando procuro por uma nova edição nas bancas

  • Anderson Vieira

    Nossa, larga de ser chato, Ramone. A indústria é assim desde 1985. Cansou? É só não ler! O que mais temos hoje são opções de leitura, seja nas bancas ou nas livrarias. Material nacional, europeu, americano (alternativo ou coisas da Image, que são maravilhosas e contemplam justamente todas essas reclamações, pois são séries com começo e fim (exceto por TWD ou Invencível). Material da Image tá no mercado pra quem não aguenta mais isso) e japonês. Nas bancas eu vejo mais mangás do que gibis das duas grandes norte-americanas.

    São seus personagens preferidos? Também são os meus. Tá tudo interligado, mas não dou a mínima. Não vou atrás de sei lá o quê pra saber porque o Batman tá de amarelo e não de preto. Ao invés de comprar outros 400 gibis, vou no Google e resolvo isso. Vamos ficando velhos e mais seletivos, se importando mais com nosso suado dinheiro. Não me dou mais ao luxo de acompanhar 900 revistas pra saber os mínimos dos detalhes de determinado personagem.

    Um ÓTIMO exemplo recente foram esses encadernados do Demolidor. 11 volumes pra você acompanhar numa boa, sem stress. Tem exceções por aí, basta procurar. Essa sua reclamação aí Joel me disse que é a mesma desde 2002.

    • Stephan

      Discordo quando diz que “o que mais temos hoje são opções de leitura”. Bancas que vendem de tudo, menos gibis(ainda que usados) livrarias fechando as portas todos os meses nos grandes centros urbanos, restando apenas as megalojas dos shopping centers(que dedicam boa parte do seu espaço à venda de outros produtos que nada tem a ver com livros) são apenas alguns dos sintomas que acometem o mercado editorial mundo afora, sobretudo no Brasil. Menos pontos de vendas significa que menos gente está lendo, mais por falta de interesse do que por outros fatores, já que tal situação vinha se acentuando bem antes da atual crise econômica.
      Qual material nacional pode ser encontrado facilmente? Gibis da Mônica e os da Disney produzidos por aqui, e nada mais(os independentes estão disponíveis apenas para um público segmentado, o leitor comum não tem mais acesso a esse tipo de material, a não ser quando navega a ermo pela internet) e muita coisa da Image não foi traduzida ainda, como a interessante série de zumbis “68”…
      Não é questão de simplesmente não acompanhar o que acontece hoje; o que incomoda a muitos que cresceram lendo as histórias clássicas é o fato de que os quadrinhos perderam a sua força, conquistada a duras penas até meados dos anos 80, por causa da incompetência e má gestão administrativa/criativa dos endeusados roteiristas/artistas/editores da nova safra.
      Na prática, isso equivale a jogar fora tudo o que gente como Kirby, Ditko, Stan Lee, Bill Mantlo, Roy Thomas, Steve Gerber, Marv Wolfman, etc…criaram/desenvolveram em prol de histórias apelativas cujo ÚNICO objetivo é faturar cegamente, ainda que às custas de décadas de tradição. Antes, havia uma certa preocupação com o conteúdo na maioria do material disponível.
      Quase todos os leitores gostariam de continuarem a ser fiéis até o fim de seus dias, mas, dado à péssima qualidade do que tem sido oferecido, resta a nostalgia e a (feliz) oportunidade de poder ler/reler materiais das eras de Ouro/Prata/Bronze…

      • Anderson Vieira

        Como assim, amigo? Você acessa o site com frequência? O que mais tem são indicações de leitura para além de Marvel e DC. Não apenas aqui no UHQ, como nas redes sociais. O Sidão mesmo vive postando dicas de gibis no Instagram e quase nunca é coisa dessas duas editoras.

        E falar que os quadrinhos perderam força é, de novo, se limitar a Marvel e DC. A própria Image (pra, novamente, ficar no exemplo mais óbvio) bem lançando material de qualidade, mostrando todo o vigor dessa arte.

        Mas vamos nos ater ao texto, que é Marvel e DC. Insisto nesse ponto: você não é obrigado a acompanhar tudo. Com o advento da internet, você pode saber porque o Super-Homem tá usando barba sem ter que ler Convergência (uma droga de saga, diga-se de passagem). SE OBRIGAR a ler isso, pra entender, não é culpa da editora: é culpa do leitor.

        • Stephan

          Acesso quase que diariamente, só que há de se convir que a maioria das dicas são de relançamentos, pois uma considerável parcela dos títulos atuais são um lixo. E quando há algo diferente que vale a pena, ele não se encaixa propriamente no gênero de super-heróis, que é o foco desta matéria no UHQ.
          A questão mais emblemática é a de que o quadrinho no Brasil se elitizou, ou seja, já não pode ser considerado mais um item de lazer popular; quem pode acompanhar todos – ou mesmo parte dos lançamentos – das principais editoras sem ficar quebrado no final do mês?
          Comparativamente, hoje é mais difícil completar uma coleção do que antes, já que um bom gibi não sai por menos do que uns R$17,00…
          Marvel e DC – e, em menor grau, até mesmo a Dark Horse – trilharam um caminho sem volta, que foi o de subverter os quadrinhos ao licenciamento desenfreado, afastando de vez muitos leitores veteranos que, é lógico, gostam de ver seus personagens prediletos bem retratados na tela, mas não ao ponto de se apagar tudo o que foi feito antes no mundo do papel!

          • Anderson Vieira

            Sim, concordo que não é mais popular. Isso nem discuto. Algumas editoras mesmo estão vendendo gibi por mais de 150 reais! Certos lançamentos em capa dura acho um luxo desnecessário. Edições definitivas, como Sandman e Crise, aí tudo bem. Essa é a proposta. Mas será que nosso mercado comporta um Sandman de luxo e em outro formato?

            Agora dizer que tudo que tá saindo é um lixo é um exagero absurdo. Ou má vontade. Tem muitas histórias ruins (como tinha em 1989) e muita coisa boa. Dizer, por exemplo, que os três encadernados do Gavião Arqueiro são um lixo é loucura – e não questão de gosto. E é material atualíssimo.

            O problema é que a maioria dos leitores com mais de 30 anos querem ler a mesma coisa que liam quando eram criança. Não dá, né?

          • Stephan

            Não é querer ficar sempre na mesmice, é só que essa turma não avacalhe demais os personagens. Ver Hulk, Senhor Fantástico e Doutor Estranho fazendo piadinhas a torto e a direito é o fim da picada!
            O Gavião Arqueiro nunca esteve entre os meus heróis preferidos; já o Falcão é interessante, ele poderia ser melhor aproveitado sem o sensacionalismo barato de transformá-lo em um novo Capitão América(reflexos do insosso Nômade).
            Uma coisa é fazer mudanças gradativas respeitando todo um histórico que remonta às décadas de 30-80, outra é fazer um auê passageiro só para agradar leitores que, passados alguns meses, nem se lembrarão mais do que leram.
            Irá chegar um momento em que mesmo esses leitores não se contentarão mais com tais farsas, mas aí os “chatos” que, durante anos, sustentaram Marvel, DC e similares acompanhando fielmente seus títulos já não estarão mais por perto para salvarem a pátria.
            O fato inequívoco é que a indústria quadrinística só sobrevive atualmente devido aos licenciamentos, pois, se dependessem única e exclusivamente da venda de gibis, estariam falidos…

    • Marcus Ramone

      Na verdade, até pouco depois de 2002 eu ainda conseguia suportar.

      • Anderson Vieira

        Mas já reclamava.

  • Ivan Henriques

    Além dos problemas citados na matéria, sentidos obviamente por leitores mais antigos (como eu), é o excesso desse recurso. “Esse ano vamos lançar (mais) uma nova mega-saga (muito loka e fudida), interligando todas as nossas 120 revistas mensais, quem não vende acima de 60 mil vai cair fora e vamos lançar mais personagens jovens no lugar (leia-se adolescentes)”. Também tem que interligar com os filmes (outra obrigação das majors – vide a palhaçada com o Quarteto (agora não tão) Fantástico. E mais: toda hora zeram o Uni-Multi-verso e recomeçam a numeração. Está difícil pra qualquer revista chegar no número 50 ultimamente… Já cansou faz muito tempo!

  • Marcelo Castro Moraes

    Ainda se fossem mega sagas que ocorressem de dez em
    dez anos, mas não está levando nem cinco anos para que ocorra e zere tudo de
    novo. Atualmente eu prefiro um conteúdo mais adulto e por reedições de clássicos.

  • SonyUnderSon

    Abandona isso. Pegue um Hellblazer e comece a acompanhar. Sem super heróis

    • Anderson Vieira

      POIS É! Quer dizer, a menos que alguém esteja de obrigando a comprar Homem-Aranha.

  • Victor Vitório

    São tantas opções melhores que os supers, nem adianta listar. Só vou de DC em umas poucas histórias fechadas encadernadas.

    Ainda tem o fato de que essas megasagas cheias de interconexões e apelação atam as mãos dos autores, que são os principais responsáveis por entregar histórias cativantes e de qualidade aos leitores.

  • Daniel Rosa

    Concordo totalmente. Só continuo comprando Batman e Aranha pq são ícones e meus personagens favoritos, pq de resto… Só leio as sinopses e penso “qt porcaria!”. Acho q a Marvel conseguiu estragar seu universo mais q a DC. As idiotices q fizeram com Homem de Ferro e com Thor são intragáveis. E essa overdose no cinema, na tv e ainda por streaming confesso q tb ajuda a me distanciar das histórias.

  • Stephan

    Mas antes havia a preocupação em ganhar dinheiro com qualidade. Atualmente, qualidade é apenas um detalhe…

  • Alexandre Floquet da Rocha

    Acho o conceito dos super-heróis realmente muito atraente, mas a maneira como é publicada suas histórias, á qual o texto acima elucida muito bem, é o que me motivou também a parar de acompanhar e estou lendo hoje algo que anos atrás tinha certo preconceito: O mangá; O título: Lobo Solitário.
    Concluo afirmando que os japoneses tem maior interesse em contar boas histórias, algo que os estadunidenses não fazem mais e ficam presos em suas fórmulas que não vão a lugar nenhum. Só pra constar que ainda gosto de Marvel e DC e possuo várias hqs memoráveis, mas acho que está na hora de mudar de ares na hora de escolher o que comprar para ler.

  • Canoa Furada

    Texto bacana, fiquei com essa sensação de “perdido” algumas vezes. A internet ajuda nessa hora, seja lendo edição por edição ou aqueles mega resumos.

    Acho que Marvel/DC se aperfeiçoaram nessa “arte” do reboot. Cada vez mais os títulos parecem divididos por temporadas, pouco mais de 20 edições fecham um ciclo, acima disso a cronologia já começa a atrapalhar. E abre sempre a possibilidade para novos leitores e para fisgar aqueles de ocasião.

    Essa questão da megassaga é interessante, porque às vezes parece que um título é apenas filler se não fizer parte de uma grande saga. Então o leitor reclama da megassaga, mas também reclama se o título não levar a lugar algum. É quando o leitor reclama que nada muda e também quando algo muda. Assim fica difícil.

  • Jotape Ferreira

    Há muitos anos, tinha parado de acompanhar mensais dos supers e aguardar a (re)publicação das melhores histórias em encadernados (ou fases mais antigas, dos tempos da Abril). O problema é que, além de esperar mais alguns anos pra ler e a possibilidade de ter que pagar mais caro do que gostaria, tem muita coisa que não vai ganhar encadernado, por um motivo ou outro.

    E também porque estava com vontade de voltar a ler uma HQ de super-herói mensalmente. Até porque, como já dizia um sábio, uma boa HQ só precisa ser isso, uma boa HQ. Não precisa ser uma história excepcional, um “must read”, basta que seja divertida.

    Então, resolvi acompanhar as edições mais recentes de “Aranhaverso”. Sim, o gibi tem vários personagens que surgiram depois de algumas mega-sagas recentes, mas “começando do zero”, como Teia de Seda ou a nova fase de Jessica Drew, a Mulher-Aranha.

  • Maxoel Costa

    Estou lendo e relendo algumas sagas antigas de minha infância e, caramba!, dá pra contar nos dedos quantas são realmente boas. Elas eram “ótimas” por conta do fator nostalgia, mas pra mim não resistiram ao teste do tempo. Tem coisas boas e ruins na mesma proporção de hoje. A diferença é que a maioria de nós cresceu.

    E quando se diz que se quer ler “quadrinhos de ação sem complicações cronológicas, sem
    mudanças” que ao interromper a coleção e retornar ao título em alguns meses ou anos e ter a verteza de “encontrar os personagens como os conheceu, da forma como
    eles o tornaram fã”, se está falando de Disney e Turma da Mônica e não de quadrinhos de super-heróis, que desde a década de 60 tem uma cronologia e mudam a todo momento.