Doutor Estranho – O juramento

Por Rodrigo Scama
Data: 23 fevereiro, 2015

Doutor Estranho – O juramentoEditora: Salvat – Edição especial

Autores: Brian K. Vaughan (roteiro) e Marcos Martín (arte) – Originalmente em Doctor Strange – The Oath # 1 a # 5.

Preço: R$ 32,90

Número de páginas: 136

Data de lançamento: Novembro de 2014

Sinopse

O Dr. Estranho tentar encontrar a cura para a enfermidade de seu amigo Wong, enquanto enfrenta uma corporação cujos interesses comerciais desejam impedir o Mestre das Artes Místicas.

Positivo/Negativo

A coleção Salvat, em parceria com a Panini, com graphic novels da Marvel desta vez brinda os leitores com uma das melhores histórias do Doutor Estranho em todos os tempos. No Brasil, ela já havia saído nas edições # 7 a # 10 da revista Marvel Action, em 2007.

O personagem, criado por Stan Lee e Steve Ditko na década de 1960, durante muito tempo foi visto como “mais um” super-herói. Sempre que os Vingadores precisavam de uma ajudinha com a magia aparecia o Dr. Estranho. Não sabiam como resolver a pendenga com a mãe de alguém que foi parar no inferno? Pimba! Doutor Estranho neles.

Mas o que poucos escritores entenderam como Brian Vaughan é como utilizar o mago de forma mais abrangente, tirando-lhe o estigma das calças colantes. Aliás, o Estranho de Martín usa calça social e sapatos, vale dizer.

Vaughan vai ao íntimo do personagem. Relembrando: ele era um cirurgião arrogante que, após sofrer um grave acidente, perde sua capacidade de operar e vai em busca de uma cura, encontrando um mago que lhe mostra os saberes das artes místicas.

O escritor então recupera essa característica e lembra aos leitores que Stephen Strange pode ter aprendido artes místicas, mas nunca deixou de ser arrogante. Tanto que adora chamar a si mesmo de Mago Supremo.

Essa arrogância está presente em toda a trama, mostrando um Doutor Estranho muito mais carismático do que praticamente todas as outras aventuras dele. Ele é como aquele seu amigo que é metido, mas que você adora do mesmo jeito. Afinal, toda arrogância chega a ficar caricata em determinado momento.

Outro ponto que está explícito até mesmo no título, que remete ao juramento de Hipócrates, é o fato de Strange ser, antes de tudo, um médico, que jurou salvar os inocentes acometidos de doenças.

E é essa busca que norteia a trama, que começa com Strange baleado e sendo salvo pela Enfermeira Noturna, a misteriosa personagem que sempre salva os superseres de Nova York.

No consultório, o leitor descobre que Wong está com câncer terminal. E assim começa a saga que vai levar o trio a enfrentar uma corporação inescrupulosa e também ao confronto de Stephen Strange com seu passado de cirurgião e algumas escolhas feitas naquele tempo.

Os diálogos que Vaughan coloca na boca dos personagens são convincentes, e a velocidade da narrativa instiga o leitor a querer chegar logo ao final. As falas são rápidas, despretensiosas e, em certa medida, até canastronas. O que combina perfeitamente não somente com o enredo, mas com a arte de Marcos Martín.

O desenho, aliás, é perfeito para a trama e, mais do que isso, lembra muito o estilo de Steve Ditko, que se inspirou no ator de filmes de terror Vincent Price (que fez, entre tantos filmes, O poço e o pêndulo, O abominável Dr. Phibes e O solar maldito). Martín, com sua arte, deixa a leitura leve, agradável e ágil.

Enfim, se não é a melhor história do Dr. Estranho, está facilmente dentre elas. E ainda é divertido perceber, ao longo da trama, vários easter eggs que Vaughan coloca para entreter o leitor mais veterano. Atente para o nome da corporação ou mesmo o elixir que Strange encontra.

Classificação

4,5

• Outros artigos escritos por

.