10 Pãezinhos – Mesa Para Dois

Por Zé Oliboni
Data: 12 janeiro, 2007

10 Pãezinhos - Mesa Para DoisEditora: Devir Livraria – Edição especial

Autores: Fabio Moon e Gabriel Bá (roteiro e arte).

Preço: R$ 15,00

Número de páginas: 48

Data de lançamento: Julho de 2006

Sinopse

O Sr. Milo precisa terminar de escrever seu livro. Julia tem as tardes livres. Agora, tudo que eles precisam é conversar.

Mesa para Dois, uma história sobre aquelas coisas que estão bem debaixo do nosso nariz, as pessoas com quem trabalhamos, o quanto sabemos sobre elas e elas sobre nós.

Positivo/Negativo

Mesa Para dois pode não agradar alguns leitores, principalmente aqueles que são fãs especificamente de super-heróis, mas essa desaprovação vem mais de um preconceito por ser algo diferente do que pela história. Na verdade, o álbum tem um trunfo que a maioria dos quadrinhos não possui: agradar quem não lê HQs.

O segredo dos gêmeos é saber contar uma história. A narrativa funciona de forma a inserir uma idéia inusitada num contexto completamente cotidiano. De um lado, o Sr. Milo com seu livro sobre os Toupeiras (palavra que saiu grafada a edição inteira, como “topeiras” – o erro se repetiu também no singular) Azuis tentando libertar a floresta de Celofane, que busca alguém para conversar para ajudá-lo a ter idéias de diálogos. Do outro, Júlia, que, como ela mesma diz, tem uma vida que não tem nada a ver com as fábulas do Sr. Milo.

Interessante notar que os personagens não são tão fortes, mas têm algo que os destacam. O Sr. Milo por ter um visual interessante (claramente inspirado em Lourenço Mutarelli) e por ser o lado inusitado da história. O sr. Monteiro, obviamente, é retratado como Monteiro Lobato (escritor do Sítio do Pica-Pau Amarelo, entre outros livros).

Os personagens centrais, Julia e o rapaz são pessoas comuns. Ela leva a vida deixando as coisas acontecerem. Ele, na verdade, é ao mesmo tempo o mais apagado e carismático da trama. Por um lado, parece ser só alguém preenchendo o cenário, mas, logo se vê que é muito mais. Quem já se apaixonou por alguém com quem não tinha coragem de conversar, certamente se identificará com o jovem.

Duas seqüências merecem atenção especial. As duas últimas páginas do segundo capítulo, com uma bela seqüência praticamente muda, que sintetiza o rapaz que trabalha com Julia. E o começo da terceira parte, com algumas observações cotidianas sobre ônibus e perueiros.

A arte é excelente. Fábio Moon tem um traço leve, muito bem pensado, que dá beleza, charme e movimento para os personagens usando apenas as linhas necessárias. É um trabalho de poucos excessos, bastante sutileza e uma narrativa visual que faz a história fluir naturalmente.

Um dos problemas da história é que a semelhança do sr. Milo com Lourenço Mutarelli se limita ao visual. Por mais que Mutarelli faça trabalhos alternativos, é difícil imaginá-lo envolvido em algo como toupeiras em uma floresta de celofane, ou contratando alguém para conversar – ele diz que escreve seus livros de uma tacada só.

Alguns podem achar que o enredo é comum, parecido com tantas outras. Mas histórias de amor costumam ser parecidas e talvez exista até mais mérito em contar bem algo comum, dando-lhe nuances e matizes diferentes, do que em bolar coisas inéditas, porém mal narradas.

Classificação

4,0

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