100 BALAS # 31

Por Luciano Guerson André
Data: 1 dezembro, 2004


Autores: Brian Azzarello (roteiro) e Eduardo Risso (desenhos).

Preço: R$ 7,90

Número de páginas: 24

Data de lançamento: Agosto de 2004

Sinopse: Milo Garret é um detetive particular em Los Angeles. Contratado por um comerciante de arte, ele tinha uma missão aparentemente simples: encontrar o “fornecedor” que havia passado seu cliente para trás em uma transação.

No entanto, os eventos tomam um rumo inesperado quando ele sofre um acidente de carro e vai parar no hospital, despertando com o rosto totalmente enfaixado por causa dos ferimentos.

Mas será que ele foi apenas uma vítima do acaso ou haveria algo mais por trás de seu infortúnio? Um velho conhecido dos leitores irá procurar Milo para oferecer algumas respostas, uma valise… e 100 balas.

Positivo/Negativo: 100 Balas é, sem dúvida, um dos títulos mais originais nas bancas atualmente. E com o desenrolar da série vai ficando mais evidente o seu caráter labiríntico. Através de episódios aparentemente desconexos, ligados unicamente pelo agente Graves e suas valises, Azzarello vai lançando pistas de uma trama maior que une todos os acontecimentos.

O autor brinca com as expectativas do leitor. Nunca se sabe se cada evento mostrado terá ou não repercussão futura. O papel reservado a cada personagem na história é uma incógnita que provavelmente só será integralmente compreendida ao seu desenlace final, prometido para a centésima edição.

Esta edição marca o começo do arco em seis partes O Cara de Múmia, que introduz novas peças no quebra-cabeças e marca o retorno de personagens já vistos anteriormente, permitindo ao leitor conhecer mais uma faceta de suas personalidades.

O protagonista da vez é especialmente notável. Milo Garret é, na superfície, a encarnação do clichê do detive durão e cínico celebrizado nos romances policiais de Raymond Chandler e Dashiel Hammet. Entretanto, nos próximos números ficará bem claro que ele transcende em complexidade os seus moldes de inspiração.

Milo também tem seus mistérios e será forçado a contemplar o passado que o faz viver no limiar da autodestruição.

Os desenhos de Risso continuam excelentes. A Los Angeles retratada por ele não é a ensolarada metrópole da Califórnia vista habitualmente nos filmes. O palco principal da ação é o submundo, ambiente pelo qual o personagem principal transita E, dos bares barra-pesada aos hotéis baratos, o artista portenho é extremamente eficiente em traduzir em imagens o registro sombrio pedido pelo enredo.

No geral uma ótima edição que cumpre perfeitamente o papel de introduzir a nova saga.

A revista traz ainda a matéria A Trajetória dos Super-Heróis e uma entrevista com o desenhista Márcio Baraldi, autor do recém-lançado Roko-Loko e Adrina-Lina atacam novamente.

Classificação:

4,0

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