100 BALAS # 32

Por Luciano Guerson André
Data: 1 dezembro, 2004


Título: 100 BALAS # 32 (Opera Graphica) – Revista mensal

Autores: Brian Azzarello (roteiro) e Eduardo Risso (desenhos).

Preço: R$ 7,90

Número de páginas: 32

Data de lançamento: Setembro de 2004

Sinopse: O detetive Milo Garret tinha contas a ajustar com Karl Reynolds, seu cliente e aparentemente o responsável por desfigurar-lhe a face.

No entanto, alguém chegou primeiro e matou Reynolds antes que pudesse executar sua vingança. Agora, só lhe ir atrás do assassino que tomou sua revanche.

A melhor pista de Milo é Monroe Tannebaum, um vigarista do ramo das artes que roubou um quadro a mando de Reynolds. Começa uma investigação que colocará o detetive enfaixado em rota de colisão com o mortífero Lono.

Positivo/Negativo: Um estilo de escrita de HQs que vem ganhando força nos quadrinhos americanos é o que se chama usualmente de narrativa ou roteiro descompactado. É uma forma de desenvolver a trama em um ritmo mais lento do que o usual, valorizando os diálogos e a construção dos personagens. Desta forma, situações que normalmente tomariam apenas algumas páginas da história, se prolongam até por edições inteiras, para ter seus nuances explorados.

Não é propriamente uma novidade, boa parte dos mangás se utiliza deste recurso com sucesso há anos. Um bom exemplo é o seminal Lobo Solitário, de Kazuo Koike e Goseki Kojima. Mas nos Estados Unidos, a recente proliferação de autores que fazem uso da técnica provavelmente surgiu da necessidade de se “esticar” as histórias para que cada arco caiba adequadamente em um volume encadernado, os chamados Trade Paperbacks, que são a nova menina dos olhos do mercado norte-americano.

A essa altura, o leitor provavelmente está pensando que essa tal narrativa descompactada nada mais é do que um belo eufemismo para “encheção de lingüiça”. Nas mãos de escritores menos competentes, isso até pode ser verdade. Mas alguns autores conseguiram explorar com mestria as possibilidades do gênero e produziram obras marcantes. Exemplos destes êxitos são Os Supremos, de Mark Millar; Alias e Demolidor, de Brian Michael Bendis; e, é claro, 100 Balas, de Brian Azzarello.

O arco atual, O Cara de Múmia, é emblemático nesta forma de narração. Nesta edição, por exemplo, não acontece muita coisa relevante em termos do desenrolar da trama. No entanto, os diálogos inteligentes de Azzarello, carregados de duplos sentidos e trocadilhos maliciosos são o grande destaque e proporcionam uma experiência de leitura ímpar.

Talvez os fãs de narrativas mais convencionais torçam o nariz, mas aqueles que curtem estilos alternativos e um texto de qualidade estarão muito bem servidos.

A edição traz ainda dois artigos: um sobre o videogame de 100 Balas e outro sobre Batman vs. Coringa – Através das Décadas, um dos próximos lançamentos da Opera Graphica.

Classificação:

4,0

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