100 BALAS – VOLUME 9 – NOITES DE JAZZ

Por Liber Paz
Data: 1 dezembro, 2012

100 BALAS - NOITES DE JAZZ

Editora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Brian Azzarello (roteiro), Eduardo Risso (arte) e Patricia Mulvihill (cores) – Originalmente 100 Bullets # 50 a # 58.

Preço: R$ 24,90

Número de páginas: 224

Data de lançamento: Maio de 2012

 

Sinopse

Foder para ter poder – Em um bar, um grupo de ladrões discute sobre conspirações, enquanto espera uma pessoa para fechar uma negociação. Dentre essas pessoas está alguém surpreendente.

Noites de Jazz com Wylie – Arco que se divide em sete episódios e conta a história de Wylie, sua pasta com as 100 balas, o acerto de contas com Shepherd, a viagem para New Orleans e o que ele encontrou por lá.

Derradeira baforada – Epílogo da longa trama anterior, que apresenta uma impressionante sucessão de eventos que terá grande impacto no desenrolar da série.

Positivo/Negativo

O leitor que não está familiarizado com 100 Balas deve parar de ler esta resenha imediatamente e correr atrás de todos os volumes anteriores.

Porque em Noites de Jazz, a série chega a um ponto em que não é mais possível simplesmente começar a acompanhar. Aliás, até é possível, mas a verdade é que o leitor estará se privando de uma história com uma qualidade extraordinária, que pouquíssimos quadrinhos (ou livros ou filmes) conseguiram atingir.

Até o momento presente, 100 Balas tem tudo para se consagrar como uma das melhores séries em quadrinhos de todos os tempos.

Um exagero? Não. E esta resenha tentará justificar essa afirmação, sem apresentar spoilers. Isso porque Noites de Jazz apresenta diversos eventos impactantes e a surpresa da descoberta faz parte do prazer que é ler a série.

Começando pela primeira história da coletânea, Foder para ter poder.

Trata-se de uma aventura que, a exemplo de O senhor Branch e a árvore da família (publicada em 100 Balas – ¡Contrabandolero! ), procura apresentar um pedaço do mapa de toda a intrincada trama de relações, personagens e conspirações que compõem a série.

Azzarello constrói diálogos e Risso dispõe imagens como mágicos entretendo a plateia. Tudo o que o leitor precisa para entender o truque está ali, diante de seus olhos, mas há coisas que passam batidas numa primeira leitura. E o que acontece é que ele presencia algo que não entende completamente, mas que o cativa.

É na segunda leitura que se começa a perceber a engenharia por trás do truque, a escolha perspicaz de palavras justapostas à imagem. Como diz um dos personagens: “…nada, porra nenhuma em lugar nenhum é o que parece”.

E uma conversa trivial sobre conspirações e mensagens ocultas em rótulos de cerveja acaba desembocando para a história das 13 famílias que compõem o Cartel, a origem dos Minutemen e uma pista sobre o que pode ter sido o “maior crime da história da humanidade”.

A grande trama deste volume, e possivelmente um dos arcos mais bacanas da série até aqui, é Noites de Jazz com Wylie.

Conforme visto no sétimo volume, A sete palmos, Wylie Times recebeu de Graves a maleta com as balas e as provas incontestáveis de que o grande responsável pela desgraça de sua vida é… Shepherd.

De posse dessas munições, Wylie retorna para a cidade de Nova Orleans, onde pretende revisitar seu passado e sua tragédia pessoal.

Mas quem acompanhou suas aparições nos volumes ¡Contrabandolero! e A sete palmos sabe o essencial sobre Wylie: ele foi um minuteman.

Essas histórias deixaram uma série de perguntas sem resposta. Wylie voltará a ser um minuteman? Será que ele ouvirá a palavra-chave que destrancará sua memória? E Shepherd? O que ele tem a ver com Wylie?

São essas perguntas que vão orientar o desenvolvimento das Noites de Jazz com Wylie. Por isso é interessante reler as histórias com o personagem nos volumes citados anteriormente. Serão percebidas diversas ideias em frases e imagens que serão retomadas e desenvolvidas aqui.

Mas além de eventos profundamente relacionados ao encadeamento da grande conspiração orquestrada pelo agente Graves, há também a introdução de novos personagens, alguns muito marcantes, como o músico Gabe. Ele protagoniza uma das cenas mais belas, brutais e trágicas da série. Tão desconcertante que parece provocar a perplexa vontade de, ao mesmo tempo, gargalhar como um monstro e chorar silenciosamente.

Finalmente, Derradeira baforada fecha o volume e serve de epílogo para Noites de Jazz.

Em um episódio curto são apresentados acontecimentos extraordinários que mudarão o status quo da série definitivamente. Personagens trocarão de papéis e o agente Graves talvez tenha que, pela primeira vez, lidar com algo imprevisto em seu grande plano.

Ou não.

A introdução do volume é escrita por Jason Starr, autor de romances policiais, que discorre sobre o termo neo-noir e considera que 100 balas “é de uma relevância que poucos quadrinhos – e livros, a propósito – conseguem alcançar”.

Sem exageros, ele está certo.

 

Classificação:

4,0

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