20th Century Boys # 2

Por Diogo Martins de Santana (in memorian)
Data: 14 maio, 2013

20th Century Boys # 2Editora: Panini Comics – Revista bimestral

Autor: Naoki Urasawa (roteiro e arte).

Preço: R$ 10,90

Número de páginas: 216

Data de lançamento: Novembro de 2012

Sinopse

Kenji continua a investigação sobre o Amigo e sua seita. Enquanto descobre mais sobre ele e a relação com seu passado, um vírus misterioso se espalha pelo planeta.

Positivo/Negativo

20th Century Boys é uma história que trabalha seus personagens de maneira humana, tão próxima da realidade, que dificilmente o leitor consegue acreditar que será possível salvar o mundo das garras do Amigo.

Kenji, o protagonista, é o grande exemplo disso. Ele reluta em se envolver na investigação sobre o culto ao Amigo, mesmo quando descobre que um de seus amigos de infância foi o inventor do símbolo da seita.

Essa relutância não é gratuita. É consequência das responsabilidades do personagem: seu trabalho é a única fonte de renda da família, composta por sua mãe e uma sobrinha de poucos meses que fora abandonada pela sua irmã.

Esse conflito entre o que “faço para sobreviver” e o “que devo fazer para salvar o mundo” não é novidade no mundo dos quadrinhos, pois já foi explorado à exaustão por um certo herói aracnídeo. Mas, em 20th Century Boys, ganha um diferencial por tratar de um personagem que podia perfeitamente ser seu vizinho, e pela ausência de superpoderes ou qualquer saída além da capacidade humana.

Para contrastar com a situação de Kenji, Naoki Urasawa introduz um novo personagem, Chou-san, um experiente investigador de polícia a poucos dias de se aposentar e que há anos não vê o neto e os filhos.

Ele investiga a morte de um professor universitário e acaba esbarrando na misteriosa seita. É nesse trecho que o leitor consegue ligar todos os eventos apresentados até então: os assassinatos, o vírus que drena o sangue das pessoas, a morte de Donki e a relação entre o passado de Kenji e o Amigo.

Toda a habilidade de Chou-san como investigador vai sendo mostrada ao longo das páginas, em flashbacks. Ao mesmo tempo, seu relato é sempre interrompido pelos telefonemas de sua filha cobrando sua presença no aniversário do neto.

Assim, o leitor vai percebendo, que ao contrário de Kenji, o policial é tão habilidoso que até descobre a identidade do líder da seita, mas não sem pagar um preço altíssimo.

Outros personagens também são introduzidos na trama. Primeiro, Yukiji, amiga de infância de Kenji, outrora conhecida como “menina mais forte do mundo (qualquer semelhança com certa baixinha dentuça para por aí), a responsável por defender as crianças da turma dos maus-tratos dos gêmeos do mal, Yanbo e Mabo.

Agora adulta, Yukiji integra um grupo de pais e familiares que tiveram parentes que se envolveram com o Amigo e desapareceram.

Enquanto o investigador faz um contraponto moral na trama, sacrificando suas responsabilidades pessoais em nome de um bem maior, Yukiji pressiona Kenji diretamente, sempre cobrando sua participação, já que boa parte das ações da misteriosa seita parece ter saído de seus encontros com os amigos na infância.

Além de Yukiji, há a divertida chegada de Deus, um morador de rua que tem sonhos premonitórios e usa o boliche como metáfora para seus ensinamentos. Ele é o grande responsável por incutir a dúvida sobre a capacidade de Kenji de salvar o mundo.

A edição continua caprichada, com um ótimo glossário, para situar o leitor, e uma capa com detalhes que enriquecem o acabamento gráfico, como o nome do autor pichado na parede e o título com o mesmo acabamento dos antigos cartazes de show.

Classificação

4,5

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