20th Century Boys # 3

Por Diogo Martins de Santana
Data: 19 julho, 2013

20th Century Boys # 3Editora: Panini Comics – Revista bimestral

Autor: Naoki Urasawa (roteiro e arte).

Preço: R$ 10,90

Número de páginas: 208

Data de lançamento: Janeiro de 2013

Sinopse

Kenji se encontra contra a parede e resolve enfrentar a seita do “Amigo”. Mas como fazer isso sem envolver amigos e familiares em um perigo muito maior do que se pode imaginar?

Positivo/Negativo

Mais uma vez, a série dá um banho de água fria no leitor, em relação ao que se está acostumado a ver no mundo dos quadrinhos. Nada de superpoderes ou planos mirabolantes, apenas pessoas comuns tentando salvar o mundo. Simples assim.

Kenji, relutante em se envolver com a seita do “Amigo”, se vê num beco sem saída quando recebe uma carta de seu amigo Donki, entregue por um renegado da tal congregação. Nela, ele revela que os planos do “Amigo” foram arquitetados pelo próprio Kenji e seus amigos de infância e entrega uma arma, supostamente a única coisa capaz de derrotar o temeroso inimigo.

Essa sequência de reviravoltas tira o protagonista do conflito entre suas responsabilidades (família, trabalho, salvar o mundo) e o coloca para agir. Mas como fazer isso se ele é só um atendente de supermercado com um bebê para cuidar e uma mãe que insiste em chamá-lo de idiota?

Quando decide pedir ajuda para os seus amigos de infância, percebe o quão complexa é a vida, a dele e a de todos ao seu redor. Sua turma vive outro momento, seja no trabalho ou com as suas famílias. Kenji se torna uma espécie de mártir, um lobo solitário dessa luta. Ainda assim, 20th Century Boys é uma história sobre amizades.

O embate entre Kenji e o “Amigo” se dá em um festival. Essa é uma das sutilezas que o autor traz à obra. Sem ser mostrado, a seita vai ganhando força, aumentando em tamanho, número e importância dentro da sociedade. O que antes era uma congregação secreta se transforma em um grupo grande e organizado, que realiza eventos para arrecadar fundos.

Durante o confronto, Urasawa aproveita para cutucar mais uma vez a questão que vem sendo levantada desde o primeiro número: quem é o “Amigo”? Claro que ele só pode ser alguém que frequentou o círculo de amizades de Kenji, mas quem? Será Otcho, o arquiteto dos planos da turma? Ou o garoto misterioso que sofria bullying na escola? Ou o menino que entortava as colheres no colégio, julgado como estranho por usar a máscara do Ultraman? E esse líder teria arquitetado a seita em uma busca da amizade que nunca teve na infância?

O autor joga essas questões no ar sem responder nenhuma de maneira objetiva, deixando o leitor cogitar suas teorias e chegar aos seus palpites.

Pra terminar a edição, dois eventos mostram o quanto a seita pode ser perigosa. Membros atacam o mercado da família do protagonista numa tentativa de sequestrar Kanna e ateiam fogo no estabelecimento. A partir desse momento, a ideia de “Quando não se tem mais nada a perder, só se tem a ganhar” passa a impulsionar Kenji, que perdeu tudo o que o impedia de agir e que agora precisa agir, pois o perigo veio até a porta de sua casa e quase matou sua família.

Outro ponto alto é a introdução do Homem de Bangkok, o Xogum. Misterioso, sisudo e mal-encarado, é um dos poucos personagens a demonstrar algum tipo de habilidade – e uma moral bem diferente. O aparecimento dele desloca a trama momentaneamente para a Tailândia e dá um sutil salto temporal de três anos, deixando o leitor curioso para saber o que aconteceu nesse tempo com a turma no Japão.

A arte é espetacular. Além da caracterização dos personagens, sempre trabalhados de maneira única, o autor reproduz alguns elementos – como capas de discos, modelos de guitarras etc. – de maneira incrível. Em alguns momentos, ele até emula traços de outros mangakás, quando reproduz capas de outros mangás.

A edição nacional tem um glossário que, além de situar o leitor naquele universo, consegue explicar algumas piadas internas que somente quem entende  japonês poderia compreender.

Classificação:

4,5

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