20th Century Boys # 7

Por Diogo Martins de Santana (in memorian)
Data: 28 fevereiro, 2014

20th Century Boys # 7Editora: Panini Comics – Revista bimestral

Autor: Naoki Urasawa (roteiro e arte).

Preço: R$ 10,90

Número de páginas: 224

Data de lançamento: Novembro de 2013

Sinopse

Enquanto Ocho foge do campo de concentração com seu companheiro, Koizumi, uma estudante da sala de Kana, resolve questionar a história oficial sobre o Ano Novo Sangrento, sem saber que isso lhe trará consequências drásticas.

Positivo/Negativo

Geralmente, o mangá 20th Century Boys é focado nas relações entre os personagens, enfatiza a força da amizade entre os membros da turma de infância. Mas, nos poucos momentos em que se desenrola uma sequência de ação, Osho, o homem de Bangkok, é o encarregado dessa “missão”, como acontece nesta edição.

Continuando seu projeto de fuga da prisão/campo de concentração, ele e seu companheiro de cela protagonizam uma sequência carregada de suspense, digna dos grandes clássicos do gênero.

E, mesmo com o peso da idade, o personagem continua em forma e preparado para todo tipo de situação, tornando-o uma espécie de “Batman” da turma.

Ao mesmo tempo, a narrativa paralela do passado mostra que, apesar da habilidade nata de Ocho, Kenji sempre foi o mais determinado e isso o fez ser uma inspiração para os seus amigos.

Neste volume é apresentada uma nova personagem, Koizumi. Estudante rebelde da sala de Kana, que cabula aula pra ver os shows de suas bandas favoritas, ela questiona a história oficial sobre o Ano Novo sangrento em um trabalho escolar.

É verdade que a figura do jovem rebelde já foi usada outras vezes na história (com Kenji e até mesmo Kana), mas Koizumi é mais focada, pois suas notas dependem disso. E sua introdução na trama mostra bem como é a vida de uma pessoa comum naquele mundo. Mesmo com a mudança causada pelo partido, algumas coisas permanecem inalteradas: o rock continua sendo a música dos rebeldes e desajustados, jovens continuam apaixonados por seus ídolos. Esse quadro serve como uma espécie de porto seguro para o leitor ter um pouco de esperança em relação ao futuro da saga.

O surgimento de Koizumi também serve para demonstrar o tamanho da influência do partido do Amigo, a ponto de forjar uma versão para os eventos da virada do século.

Mas, como é nos detalhes que mora o diabo, a única foto do grupo terrorista de Kenji serve como fonte para a garota questionar a versão oficial e iniciar a investigação dos eventos que levaram à ascensão do Amigo e retomar a questão que vem intrigando os leitores: onde está Kenji?

Durante sua pesquisa, Koizumi reencontra Deus, o mendigo com poderes mediúnicos, que agora é um milionário. Ela o pressiona em busca de respostas. Ao mesmo tempo, é mostrada a trajetória de Ocho e seu companheiro de fuga. Essa simultaneidade narrativa revela que os eventos foram trágicos para todos.

Nesta edição, o leitor verá como os amigos combateram o robô gigante que avançou sobre Tóquio no ano novo, espalhando um vírus muito parecido com o ebola e causando morte e destruição pela cidade. Também descobrirá o paradeiro de outros personagens, como Mon-chan, que possui algum tipo de doença terminal incurável que nunca é explicitada, e Fukube, que nunca foi um membro muito do grupo, mas tem papel fundamental no confronto com o Amigo.

Depois da sequência de tragédias, o autor retoma a sequência de abertura da saga, quando, em um dia de aula normal em 1973, Kenji invade a rádio da escola para tocar 20th Century Boys, do T-Rex, e nada aconteceu.

As narrativas paralelas com o passado sempre servem como espelho, no qual as atitudes tomadas pelos personagens refletem suas ações no futuro. E vale atentar especificamente para as ações de Kenji.

Panini continua mantendo um padrão alto com a série, com um belo glossário no final da edição explicando as referências e o todo o universo que engloba 20th Century Boys.

Classificação

4,0

 

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